Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > 3)

A determinação ideológica do noticiário

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

MÍDIA & MST

Carlos Tautz (*)

Acordo na sexta-feira (4/7) ouvindo uma entrevista na CBN que mostra a determinação ideológica da imprensa brasileira em criminalizar as ações do MST e indispô-lo com o governo Lula, no qual o movimento encontra muito mais espaço de discussão sobre a reforma agrária do que se verificou durante os anos Fernando Henrique.

Entrevistado por Heródoto Barbeiro, o professor de Geografia da Unesp Bernando Manzano mostrou que, nos primeiros seis meses de Lula, houve menos ocupações de terra do que durante mesmo período de 1995, no primeiro semestre do mandato de FHC.

E mais: baseado no banco de dados chamado Dataluta, em que armazena informações sobre as disputas pela terra no Brasil, Manzano observou que o total de ocupações entre janeiro e julho de 2003 está rigorosamente na média dos últimos 10 anos. (Acessoriamente, o professor Manzano deu uma dica que deveria se transformar em pauta: já se pode afirmar que existe no Brasil, a partir dos anos 1990, um êxodo urbano de famílias que sempre viveram em grandes, pequenas e média cidades. Agora, elas vão em direção ao campo, um movimento histórico em sentido contrário daquele dos anos 1950 a 80, quando a industrialização do país expulsou do meio rural milhões de famílias de agricultores.)

Por que, então, o destaque proporcionado pelas empresas de comunicação, particularmente aquelas que têm sede no Rio de Janeiro e em São Paulo, as de maior repercussão nacional, a uma suposta radicalização do movimento e uma suposta reticência do governo federal em combatê-la, quando os dados ? verificáveis cientificamente ? evidenciam que tudo está como há pelo menos uma década?

Das três, uma:

1) A cúpula dessas empresas não avalia o problema com base em estudos e pesquisas científicas, como deveria fazer sempre, e consultando especialistas e bancos de dados como o de Manzano. Prefere praticar um impreciso critério de escolhas editoriais que cria, alimenta e se nutre de uma metarrealidade gerada por essas próprias cúpulas e expressas nas primeiras páginas da imprensa brasileira;

2) Há uma predisposição, de fundo nitidamente ideológico, da cúpula decisória dessas empresas em tratar a questão social do acesso à terra como mais uma faceta de um certo tipo de violência que caracterizaria a sociedade brasileira. Ou, o que seria muito pior:

3) Procuram desesperadamente uma justificativa para desqualificar um governo que ainda está dizendo a que veio.

(*) Jornalista

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