Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > PICADEIRO

A Folha apurou que…

Por lgarcia em 12/02/2003 na edição 211

PICADEIRO

Luiz Egypto

Reza o item b) do verbete "off the records" (indicativo de informação de fonte que se mantém no anonimato), na página 46 do Manual da Redação (Publifolha, 2001, 391 pp.) da Folha de S.Paulo:


b) "Off" checado ? Informação "off" cruzada com o outro lado ou com pelo menos duas outras fontes independentes. Em texto noticioso, o "off" checado deve aparecer sob a forma "A Folha apurou que…", a ser usada com comedimento. Admite-se que o texto indique a origem aproximada da informação: "A Folha apurou junto a médicos do manicômio Santa Izildinha que o ministro está internado para tratamento de psicose maníaco-depressiva".


Recurso legítimo no jornalismo, o off, contudo, não têm sido usado pela galera da Folha com o "comedimento" recomendado pelo vade-mécum de sua redação. A esse propósito, aliás, veja as notas "Factóides, radicais e governistas" e "Fontes de conveniência" publicadas na rubrica Imprensa em Questão desta edição do OI [remissões abaixo].

Na edição de domingo do jornalão paulista, sob o título geral "Lula quer tempero social na receita de Palocci" (9/2/03, pág. A 11), na retranca "Presidente tenta marcar diferença em relação a FHC", está escrito, a linhas tantas:


"Segundo a Folha apurou, só os programas sociais serão preservados [dos cortes no Orçamento]. Todos os demais setores do governo irão sofrer cortes drásticos para dar credibilidade ao comprimento [sic] das metas de superávit fiscal não só deste ano, mas também dos próximos anos."


Conclui-se, portanto, que o repórter obteve uma informação off the records e a cruzou "com o outro lado ou com pelo menos duas outras fontes independentes". Ledo e ivo engano. Pois na edição do dia anterior (sábado, 8/2), na capa do caderno Dinheiro, sob o título "Palocci anuncia o maior aperto fiscal do Real", a Folha havia cravado:


Palocci muniu-se de argumentos para justificar a medida [o aumento da meta do superávit fiscal para 4,24% do PIB]: prometeu, como já vinha fazendo, que os cortes não afetarão os programas sociais prioritários do governo e avaliou que, diante das atuais incertezas dos mercados doméstico e internacional, elevar a confiança nopaís terá impacto pró-crescimento.


Então, ficamos assim: a informação, dada no domingo, de que "só os programas sociais serão preservados" dos cortes no Orçamento não foi obtida off the records, pois que assumida pelo ministro da Fazenda na edição do dia anterior do jornal.

Off checado? Faltou checar com o própria Folha.

Leia também

 

L.E.

A seção Radar do semanário Veja (n? 1.789, 12/2/03) inovou no figurino. Na nota "Objeto de desejo", a respeito dos movimentos para a compra de um importante frigorífico, o redator costurou a seguinte pérola:


"Há um banco de investimentos na praça levando na manga
do colete um cliente interessado na compra da…"


Pois acaba de ser inventado o colete com mangas.

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