Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > NO PARÁ

A fonte oculta

Por lgarcia em 07/05/2003 na edição 223

NO PARÁ

Lúcio Flávio Pinto (*)

Desde 1992, quando Rosângela Maiorana Kzan, diretora administrativa da corporação que edita o diário O Liberal, de Belém (PA), começou a saraivada de ações contra mim na Justiça, meu nome entrou para o índex do Grupo Liberal. De nenhuma maneira posso ser citado nos veículos de comunicação da empresa. A prática é odiosa, mas não me incomoda. O mundo continua a girar e a Lusitana a rodar, apesar dos caprichos da família real.

O problema é quando sou efetivamente notícia. Na cobertura de um evento público e significativo, os profissionais das Organizações Romulo Maiorana se vêem diante da questão: ou me ignorar ou tentar aproveitar o que digo. A primeira alternativa é tão simples quanto eticamente execrável. A segunda leva a absurdos, como o noticiário sobre a sessão do dia 14 de abril, na Assembléia Legislativa, organizada pela deputada Sandra Batista para discutir a relação da Companhia Vale do Rio Doce com o Pará.

As informações que divulguei nas minhas intervenções foram reproduzidas no dia seguinte por O Liberal, mas a autoria foi coletivizada e jogada sobre os costados do anonimato. O consciencioso (mas cerceado) profissional teve que recorrer a desvios de expressão ? como "os palestrantes" ou "foram exibidas" ? para omitir a autoria das declarações sem sonegar os dados apresentados, de interesse público.

Meno male, dizia Romulo Maiorana. Ao menos algumas informações chegam ao conhecimento da sociedade, mesmo que pela via tortuosa de uma psicografia do éter, que o Grupo Liberal transformou em uma de suas contribuições para o jornalismo enigmático que pratica. Método jornalístico, aliás, que é uma das raízes da desmemoria paraense.

No dia 20 de abril, por exemplo, o jornal abriu manchete de capa e duas páginas internas para "denunciar", como se fora novidade, que a Ferrovia Norte-Sul desvia o transporte de cargas para o Maranhão, minando o projeto da hidrovia Araguaia-Tocantins. Em 1985 (há 18 anos, portanto), nas páginas do mesmo jornal, fiz uma série de matérias ? aí, sim, se me permitem ? revelando o que a engatinhante Norte-Sul iria representar: no futuro, a conexão das duas grandes ferrovias controladas pela Cia. Vale do Rio Doce (a Vitória a Minas e a Carajás), ligadas de Norte a Sul pela nova ferrovia (idealizada pela Valec, de Paulo Augusto Vivácqua, ex-Vale) e ampliando ainda mais um sistema de transporte que, na sua versão atual, já é responsável por mais de um terço da movimentação de carga do país.

Os artigos viraram capítulo de um livro editado logo em seguida pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará. Mas certas pessoas, jamais esquecendo o que sabem, nunca aprendem nada.

(*) Jornalista, editor do Jornal Pessoal, de Belém (PA)

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