Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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PRIMEIRAS EDIçõES > LÁ E CÁ

A formação profissional nos EUA

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

LÁ E CÁ

Iluska Coutinho (*)

Puxo pela memória e arrisco o nome de um filme que talvez traduza minhas primeiras sensações ao chegar aos Estados Unidos para minha pesquisa de "doutorado-sanduíche": Relatos de um turista acidental. Para além das diferenças de objetivos entre quem faz turismo e um pesquisador do jornalismo, minhas primeiras reações talvez pudessem ser comparadas ao deslumbramento comum aos visitantes.

Outubro de 2001 e lá estava eu na Columbia University para começar minha pesquisa em busca de similaridades entre as formas americana e brasileira de construir uma notícia televisiva. A arquitetura do prédio, o busto de Pulitzer, fundador da escola e referência no jornalismo mundial, e o prestígio daquela escola de jornalismo indicavam que eu estava no caminho certo.

A primeira estranheza foi constatar a ausência de estudantes pelos corredores, cenário comum nas faculdades brasileiras, ajudando a movimentar e colorir o ambiente. O prédio do Jornalismo, logo na entrada da Columbia University, é um local de trabalho e produção, com destaque para os laboratórios de informática. Os equipamentos disponíveis são compatíveis com os de nossas faculdades, exceção feita apenas no que se refere à rapidez de acesso à internet, aqui via cabo.

Qual seria o segredo da formação dos jornalistas na Columbia University, escola referência na mídia americana? Há uma intensa relação entre a faculdade e as redações dos principais veículos, como New York Times, Newsweek, CBS, para citar alguns. Fundada em 1912, a Escola de Jornalismo de Columbia tem todos os anos uma espécie de "lista de espera", com grande procura por seus egressos.

O princípio básico, expresso nas palavras do próprio fundador, é "encorajar, aprofundar e educar, de forma prática". O objetivo, além de treinar jornalistas, é ser um espaço para a discussão embasada do presente e do futuro da profissão, segundo informações do catálogo da faculdade.

Sem diploma

Até aí nenhuma grande diferença no que se refere às nossas expectativas no Brasil, como professores de Comunicação e Jornalismo. A diferença fundamental é que na Columbia University o curso é oferecido, apenas, nos níveis de mestrado (Master Degree) e doutorado (Ph.D), os chamados "graduate courses".

Essa é uma política da escola desde 1935, quando deixaram de ser oferecidos os cursos de bacharelado. Na época, a Columbia University se tornou a primeira instituição de jornalismo dos Estados Unidos a oferecer apenas os níveis de pós-graduação, como conhecemos no Brasil.

Ocorre que outra diferença fundamental está na forma como esses cursos são concebidos aqui, com ênfase para o aprendizado e o domínio de técnicas de produção nos diferentes veículos de comunicação… quase como nós construímos nossa graduação. Os estudantes têm média de idade em torno dos 27 anos, e uma forte bagagem nas áreas de cultura, legislação, negócios, entre outros aspectos; perfil diverso dos alunos de terceiro grau no Brasil.

Vale lembrar ainda que nos Estados Unidos não há exigência de titulação para trabalhar como jornalista. Apesar disso, a obtenção de um diploma como o da School of Journalism at Columbia University é capaz de abrir as portas dos maiores e mais respeitados meios de comunicação do país, um caminho que, aos poucos, parece encontrar convergência com o panorama profissional no Brasil.

(*) Jornalista, mestre em Comunicação (UnB) e doutoranda (Umesp); professora da Faesa/ES, atualmente pesquisadora associada na Columbia University, com bolsa Capes

    
    
                     

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