Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > 2. Conclusão

A história de uma fraude

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

JAYSON BLAIR FAZ ESCOLA

Luiz Antonio Magalhães, Marinilda Carvalho e Luiz Egypto

1. Os fatos

** Na sexta-feira, 11/7, chega à caixa postal do Observatório da Imprensa <obsimp@ig.com.br> a mensagem abaixo, com o oferecimento de uma matéria.

From: Lucio Flavio Pinto <luciofpinto@yahoo.com.br>

Date: Fri, 11 Jul 2003 12:54:37 -0300 (ART)

To: obsimp@ig.com.br

CC: luiz egypto

Subject: Jayson’s Blair Brasileiros

Amigos, acho que voces vão gostar dessa. Depois de tentar muito, consegui marcar uma entrevista com o pesquisador e ambientalista americano Russel Mittermeier, presidente da Conservation International e um dos mais respeitados conservacionistas do mundo. Conversei com o Mittermeier ontem, por telefone. Para tornar minha entrevista mais sólida, fiz o que todo bom jornalista deve fazer antes de entrevistar alguém: uma longa pesquisa sobre o meu entrevistado. Assim, encontrei várias matérias publicadas na imprensa nacional que falavam do trabalho do senhor Russel Mittermeier. Qual não foi minha surpresa ao, durante a entrevista, citar algumas dessas matérias e ouvir do Mittermeier a seguinte frase: “Caro Lúcio Flávio, eu NUNCA conversei com esses jornalistas que você mencionou”. Ou seja, alguns dos nossos companheiros de profissão colocaram aspas do Mittermeier em suas matérias sem nunca terem entrevistado o sujeito. Há casos gravíssimo, como matérias inteiras baseadas em idéias do Mittermeier e ele discutindo assuntos sobre os quais nunca tinha opinado. Minha entrevista com ele será publicada na quinta-feira da próxima semana. Pensei em fazer uma matéria com essa história dos nossos Jaysons Blair, aquele repórter do New York Times que inventava diversas histórias e personagens e dizia ter estado em lugares onde nunca estivera. O que vocês acham? Daria para jogar no OI já na próxima semana. abraços,Lucio

PS.: estou fora de Belém e só tenho acesso à internet à noite. Vou ficar fora até segunda-feira. Portanto, preciso saber se vocês querem a matéria, para que eu a escreva logo, antes de me desligar do mundo civilizado.

Sem qualquer razão para desconfiar de um fake (um e-mail diferente não quer dizer muita coisa, pois a maioria dos internautas tem mais de um endereço eletrônico), o OI aceitou a pauta na certeza que se tratava de uma mensagem vinda de Lúcio Flávio Pinto, jornalista paraense especializado em meio ambiente e de longa carreira profissional na imprensa, editor do Jornal Pessoal (de Belém, PA) que já havia colaborado em edições anteriores do Observatório da Imprensa e tivera textos seus também reproduzidos na seção Entre Aspas.

** A segunda mensagem do proponente da pauta, enviada mesma sexta-feira, dizia: “Vou mandar hoje à noite [sexta-feira]. Como falei na outra mensagem, vou estar fora por uns dias”. A terceira, também de 11/7: “Creio que consigo arrumar um jeito de lhe mandar o texto na segunda pela manhã. Pode ser?” A quarta, com o texto da matéria, chegou na segunda-feira, 14/7, às 11h34.

** A editora-assistente Marinilda Carvalho, respons&aaacute;vel pela administração da caixa postal do OI, leu o material, editou o artigo e o despachou para o outro editor-assistente, Luiz Antonio Magalhães, que excepcionalmente comandava o fechamento da edição em substituição ao redator-chefe Luiz Egypto, então fora do país, em folga de uma semana. Às 13h32 de segunda-feira (14/7), Magalhães recebeu o texto e, pela gravidade da denúncia, consultou o editor-responsável do Observatório, Alberto Dines, sobre a conveniência da publicação do artigo. Enviou a matéria por e-mail a Dines e telefonou uma hora depois, combinando com ele que o artigo estava embargado: o texto deveria ser encaminhado a todos os acusados e só sairia na edição com as respostas dos envolvidos.

** Às 16h11 de segunda-feira, o editor-assistente envia mensagem aos jornalistas acusados de fraude jornalística, qualificados pelo autor do texto como os “Jaysons Blair brasileiros”: o repórter Klester Cavalcanti, editor da revista Terra e ex-correspondente da revista Veja na Amazônia, o editor-assistente de Ciência da Folha de S. Paulo Claudio Angelo, e o subeditor da revista Época, Alexandre Mansur.

** O primeiro a responder foi Claudio Angelo, ainda no dia 14 (segunda-feira). Por e-mail e conversa telefônica, ele contou ao editor-assistente do OI que realmente nunca entrevistara o professor Russel Mittermeier, mas que tampouco publicara matéria com declarações do cientista. Claudio disse ainda que havia feito uma busca no arquivo da Folha e que não encontrara referência alguma a qualquer matéria de sua autoria citando Mittermeier. Indignado, exigiu do Observatório que apresentasse as provas para ele se defender.

** Após conversar com Claudio, no fim da tarde de segunda-feira o editor-assistente encaminhou a mensagem do jornalista para o e-mail do suposto Lúcio Flávio Pinto (no endereço Yahoo) pedindo, pela primeira vez, para falar por telefone com o acusador. Uma hora depois, chegava uma resposta, sempre pelo e-mail do Yahoo, em que ele assegurava que mandaria as provas, fazia comentários jocosos sobre Claudio, mas não passava seu número de telefone.

** No dia seguinte (terça-feira, 15/7), a edição do Observatório estava sendo finalizada e iria para a rede às 18h. Às 12h25, o editor-assistente recebeu novo e-mail do acusador, via endereço do Yahoo, em que ele reafirmava que mandaria as provas do caso.

** Pouco antes das 14h30 de terça (15/7), Magalhães recebe um telefonema de Klester Cavalcanti. O jornalista contou que já havia travado uma polêmica com Lúcio Flávio Pinto iniciada em artigo publicado no OI em novembro de 2002, no qual era acusado por Lúcio Flávio de ter forjado o seu próprio seqüestro. Contou também ter entrevistado Russel Mittermeier várias vezes e, obviamente, citado o cientista em diversas matérias. Afirmou que julgava impossível Mittermeier ter esquecido seu nome: “É como se o Dines dissesse que não te conhece”, comparou Klester. O editor da revista Terra contou ainda que Mittermeier estava com agenda no Brasil e se lembrou, durante a conversa, que havia se correspondido por e-mail recentemente com o professor. O editor-assistente pediu a Klester que enviasse rapidamente essa correspondência, o que o repórter fez na seqüência.

** Em seguida, às 14h38, Magalhães enviou uma nova mensagem ao acusador pedindo um número de telefone para poder falar sobre o caso. Recebeu, apenas às 16h, a seguinte resposta:

“Não estou em casa, Luiz. E como você sabe não uso celular. Meu computador deu pau e eu estou num cibercafé, só pra acompanhar essa história. Trouxe duas pastas com alguns recortes de jornal. Pode ficar tranqüilo que te mando a data da matéria do Claudio Angelo antes das 17h. Sinceramente nunca pensei que esses três indivíduos fossem me dar tanto trabalho. Nunca passei por isso. abraço do Lúcio”.

** Após falar ao telefone com Klester, Magalhães informou à equipe que “derrubara” a matéria.

** Neste ínterim, Claudio Angelo já enviara novo e-mail cobrando as provas do acusador. Em telefonema ao jornalista da Folha, Magalhães afirmou que a matéria seria publicada se o acusador enviasse as provas. Sem receber nenhum contato de Alexandre Mansur, o editor-assistente telefonou para a revista Época e foi informado de que ele estava em férias. Em seguida, ligou para Klester a fim de pedir o telefone pessoal de Mansur. O editor da Terra já havia falado com Mansur e contou a Magalhães que ele estava realmente em férias e que havia decidido não se manifestar sobre o assunto. “Como o artigo do falso Lúcio Flávio nos fazia acusações vagas e sem provas, achei que não fazia sentido eu dizer nada a respeito”, confirmou posteriormente ao OI o subeditor da Época, afirmando ainda que não se lembrava de ter entrevistado Mittermeier alguma vez. “Como escrevo sobre meio ambiente há 15 anos, posso até ter citado alguma coisa que ele disse. O que tenho certeza é que meu contato com a Conservation International é excelente e eles nunca se queixaram de nenhuma vírgula do que eu já escrevi”, explicou.

** O que se seguiu entre 16h e 17h da terça-feira, 15/7, foi uma seqüência muito rápida de vários telefonemas e troca de e-mails que culminaram na descoberta da fraude. Klester Cavalcanti telefonou para Andrea Margit, assessora de comunicação da Conservation International do Brasil, e explicou o caso. Ela contatou Russel Mittermeier, que negou ter conversado com Lúcio Flávio Pinto. Andrea comunicou o fato a Klester e decidiu telefonar para Lúcio Flávio, em Belém, a fim de esclarecer também com ele o episódio. Enquanto isso, Magalhães enviou às 16h06 novo e-mail para o acusador, relatando que Klester havia confirmado por telefone que conhecia Mittermeier. Nesta mensagem, ele também cobrou as provas e pediu que o suposto Lúcio Flávio ligasse, a cobrar, para São Paulo, a fim de esclarecer as discrepâncias.

** Desta vez, o suposto Lúcio Flávio foi mais rápido. Respondeu com um e-mail que chegou às 16h23, em que dizia:

“Se o Klester conhece o Mittermeier, o Mittermeier não tem conhecimento disso. Falei com ele, Mittermeier, há duas semanas, e ele disse não conhecer nem o Klester nem o Alexandre nem o Claudio. Esse negócio está ficando nebuloso demais. Ainda agora, recebi um e-mail da Andrea, assessora de comunicação da Conservation International, dizendo que a ONG ia declarar que eu nunca falei com o Mittermeier”.

Além disso, nesta mensagem o acusador fazia uma referência pessoal difamatória a Klester. Neste momento, porém, Andrea Margit já havia falado com o verdadeiro Lúcio Flávio Pinto, em Belém, e Klester Cavalcanti, em São Paulo. Às 16h42, a assessora do Conservation International enviou e-mail ao editor-assistente pedindo um telefone de contato. Pouco antes, Magalhães conversara por telefone com Klester, que lhe adiantara que Andrea diria que Mittermeier negaria a entrevista. Com essa informação em mãos, às 16h25 o editor-assistente respondeu ao e-mail do acusador afirmando que já sabia a posição da assessora e que tentaria falar com o próprio Mittermeier. Não foi necessário. Às 16h45, Andrea ligou para Magalhães informando que havia falado com Lúcio Flávio Pinto e que ele negara a autoria do texto que o Observatório tinha em mãos.

** O editor-assistente então falou com Lúcio Flávio Pinto no telefone que a assessora lhe repassara, com prefixo de Belém, e confirmou que o jornalista paraense negava categoricamente ser o titular do e-mail do Yahoo usado na correspondência com o OI, bem como a autoria do artigo, que já havia sido enviado a ele pela assessora de imprensa da Conservation International do Brasil. Magalhães explicou que a matéria já estava “derrubada” e encaminhou a ele toda a correspondência trocada até então com o falso Lúcio Flávio, bem como o artigo original. Em seguida ligou para Dines, no Rio, comunicando a decisão e, por e-mail, e orientou a equipe sobre a exclusão definitiva da matéria. Depois disso avisou Klester Cavalcanti (a quem pediu que repassasse a informação a Alexandre Mansur) e Claudio Angelo que nada seria publicado.

** Descoberta a farsa, o editor-assistente resolveu continuar a conversa com o “Lúcio Flávio fake” como se nada acontecera. Às 16h40 de terça (15/7), o fraudador respondeu à mensagem de Magalhães na qual este informava que tentaria falar com Mittermeier. O falsário continuava sustentando sua história: “Acho muito difícil ele dizer que não conversou comigo”, escreveu, adicionando novo comentário jocoso sobre Klester. A resposta, do editor do OI, pouco depois, foi direta: “E aí, meu caro, já são 17h03 e eu preciso dos textos”, escreveu, referindo-se às provas prometidas pelo acusador.

** As “provas” chegaram dezenove minutos mais tarde em uma mensagem lacônica:

“Claudio Angelo, 17/04/02 – matéria sobre questão ambiental da Amazônia. Ele cita o Mittermeier e coloca fala dele. Klester Cavalcanti, 13/10/99 – matéria sobre pesquisas da Conservation International. Mesmo erro do Claudio. Alexandre Mansur, 18/08/99 – matéria sobre biopirataria. Mesmo erro do Claudio e do Klester. abraço do Lúcio”.

Magalhães e Claudio Angelo conversavam por telefone quando o e-mail chegou ? o editor do OI explicava o que havia acontecido ao seu colega da Folha ? e checaram, ao mesmo tempo, a data da primeira matéria apontada como “prova” pelo falsário: de fato, havia um texto do jornalista publicado naquela data, na Folha, mas a matéria não citava Mittermeier. As demais matérias também foram checadas: a de Klester, publicada na Veja, cita Mittermeier e foi fruto de entrevista do repórter com o cientista; a de Mansur, assinada também por Klester e também publicada na Veja, não cita o professor.

2. A investigação

** Após o conturbado fechamento, Lúcio Flávio Pinto, desta vez o verdadeiro ? e pelo endereço do seu provedor Amazon ?, enviou, às 17h56, o seguinte e-mail ao editor-assistente:

“Oi, Luiz: Obrigado por enviar o material. É uma farsa muito bem urdida. O cidadão parece conhecer todos os citados e querer se vingar dos três alvos de sua trama. Também me conhece. Sabe que tenho incompatibilidade sangüínea com celular, por exemplo. Mas cometeu um erro primaríssimo para alguém tão intrometido: usou e-mail errado. Outra invenção flagrante é quanto a pane no computador. O meu está OK. Reitero o pedido para que apure junto à yahoo tudo o que for possível para identificar o pilantra. Aproveito o episódio para sugerir ao Observatório que a partir de agora, quando uma matéria lhe for oferecida, exija a indicação do telefone do autor e faça uma ligação para ele, confirmando a autoria do artigo. No meu caso, como já mandei muito material, a pedido do Egypto, e também escrevi a pedido do Dines, meu e-mail está registrado aí. Um serviço de cadastramento e checagem preveniria golpes como esse. Conforme a evolução, acho que uma queixa podia ser apresentada à polícia. Presumo que o autor da trama mora em SP. Mantenha-me informado, por favor. Um abraço, Lúcio”.

** Ainda na noite de terça-feira, os jornalistas Luiz Antonio Magalhães e Marinilda Carvalho tentaram apurar o que ocorrera. O editor enviou e-mail para o Yahoo solicitando formalmente a identificação do titular do endereço usado na correspondência, explicando tratar-se de uma tentativa de fraude.

** No dia seguinte o Yahoo respondeu, por e-mail, comunicando que só poderia abrir o cadastro do e-mail utilizado pelo falsário com um mandado judicial, mas sugeriu que tentássemos rastrear as mensagens por meio de seus IPs ? internet protocol, identidade que todo computador recebe a cada conexão à internet, e que eventualmente permite a identificação da localidade de origem das mensagens de e-mail. A editora-assistente fez a checagem, mas esta não foi conclusiva.

** Nos dias seguintes, com a edição n? 233 do Observatório já na rede ? e sem a matéria fraudada ?, Klester Cavalcanti trocou e-mails e telefonemas com Magalhães. Também interessado na apuração da história, Klester iniciou ele mesmo uma investigação paralela e comunicou ao editor do OI, na quarta-feira (16/7), que conseguira a informação de que o e-mail usado pelo fraudador havia sido criado em um cibercafé de Belém ? e forneceu seu endereço. Marinilda conseguiu o telefone do local, constatou que o cibercafé ficava a poucas quadras dos dois endereços que constam da lista telefônica de Belém para Lúcio Flávio Pinto, e Magalhães verificou que ali realmente funcionava o estabelecimento informado por Klester.

** A informação de Klester sobre a criação do e-mail falso levou os editores a suspeitarem do jornalista Lúcio Flávio Pinto, uma vez que as evidências até aquele momento pareciam levar a esta conclusão. Em decisão tomada com o editor-responsável Alberto Dines, a equipe decidiu informar a Lúcio sobre as suspeitas em e-mail enviado pelo editor-assistente Luiz Antonio Magalhães no fim da tarde de quinta-feira, dia 17.

** Lúcio Flávio Pinto então reagiu com indignação, enviando longo e-mail em que negava categoricamente a autoria do artigo e qualquer participação na fraude. Cobrava também o envio das evidências para que ele pudesse se defender, o que a equipe lhe assegurou que seria feito até domingo (20/7), quando o dossiê sobre o caso estaria pronto.

** Em função da indignação de Lúcio e da necessidade, ainda, da confirmação da informação passada por Klester, o editor-assistente Luiz Antonio Magalhães reforçou a apuração do OI sobre a origem do e-mail do fraudador. Antes que se chegasse a algum resultado, o próprio Klester lhe informou, na tarde de sexta-feira (18/7), que havia incorrido num engano lamentável: era impossível determinar com precisão a localidade em que o e-mail do Yahoo havia sido criado. Mas afirmou que seu informante descobrira de onde partiram as mensagens do falsário: da cidade de São Paulo.

** Nova apuração do OI confirmou a impossibilidade de se descobrir a local onde o e-mail havia sido criado. E uma nova tentativa de contato com o falsário mostrou que o endereço <luciofpinto@yahoo.com.br> já havia sido desativado.

2. Conclusão

A fraude tentada contra o Observatório da Imprensa, envolvendo quatro jornalistas especializados em meio ambiente, não pôde ser elucidada pela investigação levada a cabo pela equipe do OI. As evidências que temos, até agora, são de que o fraudador conhecia muito bem o funcionamento da redação virtual do OI (sabia onde a editora Marinilda Carvalho mora, vendeu a pauta na sexta-feira, sumiu no fim de semana e enviou o artigo na segunda-feira, dia em que o OI fecha a edição da quase totalidade dos textos; além disso enviou o artigo com cópia para o e-mail pessoal do redator-chefe Luiz Egypto). É lícito supor ainda que o falsário conhecia os jornalistas Lúcio Flávio Pinto e Klester Cavalcanti (Lúcio Flávio realmente não usa celular, o que o fraudador menciona em uma de suas mensagens; e sobre Klester são várias as referências pessoais). As acusações falsas contra Claudio Angelo e Alexandre Mansur indicam que o criminoso conhece bem o meio dos jornalistas ambientais, ou pelo menos se deu o trabalho de pesquisar as matérias dos dois sobre a Amazônia.

A equipe do Observatório da Imprensa se coloca à disposição das autoridades para elucidar o caso. Fomos vítimas de uma tentativa de nos fazer intermediários de uma fraude e conseguimos evitá-la, mas não temos poderes e nem a função de elucidá-la. Apresentamos este relato do episódio para o conhecimento dos leitores a fim de que ele sirva, ao mesmo tempo, de alerta e de lição.

Um alerta sobre a fragilidade a que estamos todos expostos com as novas tecnologias. Não se tratou de uma tentativa de fraude banal, mas algo muitíssimo bem articulado, premeditado e sórdido. E uma lição porque, a partir deste caso, e da sofisticação dos novos fraudadores, o Observatório obriga-se a rever seus procedimentos de checagem desse tipo de denúncia e, de agora em diante, conferências e apurações como essas não mais se darão sob a pressão dos prazos de fechamento. Assuntos similares ficarão em quarentena e sua avaliação demorará o tempo que for necessário para a comprovação ou negação da história. Isto vale para todos os colaboradores do sítio ? regulares e eventuais.

Embora o OI tenha conseguido evitar a publicação da matéria, ainda assim nos desculpamos publicamente com os quatro jornalistas envolvidos neste caso ? Lúcio Flávio Pinto, Klester Cavalcanti, Claudio Angelo e Alexandre Mansur ? por todos os incômodos, perda de tempo e desinteligências provocados no calor da apuração deste lamentável episódio.

Não reproduzimos aqui o artigo original que suscitou toda esta história para não permitir ao verdadeiro “Jayson Blair brasileiro” o sabor de ver seu texto publicado neste sítio e seu intento original, realizado.

O fraudador terminava seu texto difamatório vaticinando que “um dia a máscara cai”. A dele já caiu.

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