Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1042
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A imprensa de ferradura

Por lgarcia em 16/01/2002 na edição 155

INDÚSTRIA CULTURAL

Antônio Lemos Augusto (*)

Artigo do cantor Lobão, veiculado na revista IstoÉ, edição 1.684, denuncia a indústria das rádios, contra a qual artistas que tenham algo de novo para mostrar não conseguem lutar. Por causa de "diretorezinhos" de FMs padronizados pela indústria cultural, a criatividade é burocraticamente carimbada e colocada na gaveta. Não foram os Beatles que tiveram uma recusa de uma gravadora no início de carreira? É só um exemplo.

Quem lida com informação costuma encher a barriga de rei e se achar o zelador da moral e dos bons costumes, aquele escolhido para manter o nível na marca, não importa se tal marca beire o chão. Recentemente passou na TV filme nacional sobre a vida de Heitor Villa-Lobos. Em uma apresentação para a imprensa, ainda jovem, Villa-Lobos deixou os jornalistas e críticos enojados com sua obra e, no dia seguinte, teve que ler críticas ácidas e sugestões para que largasse a música e se dedicasse a outra coisa qualquer.

Mídia insossa

Foi passando por cima da imprensa que pessoas como Villa-Lobos e John Lennon revolucionaram – cada um em seu setor – a arte. A imprensa, que deveria ser a alvissareira da modernidade cultural, vive de releases e opiniões já formadas no mundo da moda e engole tudo que é "novidade" da indústria.

O próprio Lobão deu seu grito de independência e, para sobreviver, teve que criar o seu selo musical. "Um lá menor aqui, um coralzinho de fundo. Minha letra é muito forte? Se quiser, eu a mudo. E tem que ter refrão – sim – um refrão repetido. Para a música vender, tem que ser acessível", berrava uma banda de rock dos anos 80 – Plebe Rude.

Na verdade, as emissoras de rádio e as gravadoras empurram goela abaixo uma programação artística também porque nossa imprensa é cega, surda e muda culturalmente. Jornalista – em grande parte – não compra livros, não ouve discos fora do roteiro industrial e nem assiste a filmes que não tenham a marca de Los Angeles. Em parte, realmente porque o salário não é lá essas coisas. Mas só em parte… Cultura musical, um termo tão complicado e polêmico, ganhou arreio de rádios e gravadoras. Na arquibancada, aplausos de uma mídia insossa.

(*) Jornalista em Cuiabá, coordenador do boletim semanal Imprensa Ética. E-mail: <arlaarla@terra.com.br>

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