Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > DOSSIÊ PERFÍDIA

A intriga e o efeito-dominó

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

DOSSIÊ PERFÍDIA

João Carlos Teixeira Gomes (*)

Pretendo elucidar de uma vez por todas essa história divulgada por alguns jornais de que eu teria dito que fui vítima de "censura" [no programa Observatório da Imprensa na TV]. A imprensa tem hoje reações iguais às daqueles dominós enfileirados: quando se toca no primeiro, todos vão caindo até o último. Em suma, uns jornais copiam os outros e passam distorções em cadeia.

Quando fui entrevistado pela primeira vez, por uma repórter de O Globo, destaquei inicialmente que, ao lado do Domingos Alzugaray, da IstoÉ, Alberto Dines havia sido um dos raros jornalistas da mídia do Sul Maravilha que tinham dado cobertura ao meu livro. Citei a magnífica entrevista que Dines fez comigo para o Observatório [remissão abaixo], acompanhada do artigo em que denunciava o "complô do silêncio", tudo muito adequado. Mostrei-me surpreso com a suspensão do programa, sem falar em censura, mas ressalvei que a compreendia como uma "precaução ética" da parte de Dines em relação a um querido amigo que estava assumindo naquele dia a direção da TVE. A partir daí, num cerco ardiloso, a repórter passou a insistir na palavra "censura", voltando ao assunto várias vezes. Disse-lhe, então, que, na prática, a suspensão, se não fosse devidamente explicada, poderia de fato ser interpretada como censura. Isto é muito diferente, num diálogo ao vivo, com as inflexões naturais da voz, do que uma suposta afirmação de que eu me sentia censurado.

Também em nenhum momento fiz qualquer restrição a Fernando Barbosa Lima, lembrando em minhas entrevistas que meu livro era dedicado à grande figura do seu pai, Barbosa Lima Sobrinho. Vejo que causaram alguma intriga, pois li na Folha de S.Paulo que o Fernando estaria achando que eu usei o episódio para fazer "marketing". Quando essa tempestade em copo d’água passar, quero fazer-lhe uma visita para eliminar essa má impressão. Enfim, tudo quanto Dines tem feito para mostrar a verdadeira dimensão de Memórias das Trevas só merece o meu reconhecimento.

(*) Jornalista e escritor, autor de Memórias das Trevas – uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães


Leia também

A dissecação da tirania – Alberto Dines

O
complô do silêncio
– A.D.

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