Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > BUSH, 100 DIAS

A lua-de-mel acabou

Por lgarcia em 28/02/2001 na edição 110

MONITOR DA IMPRENSA

BUSH, 100 DIAS

Ficou para trás o tempo em que George W. Bush ia para a parte de trás do avião conversar com os jornalistas e falar de "baseball, seus gatos, baseball, seu cachorro e baseball", conta a repórter da Neewsweek Martha Brant [21/2/01]. Ele continua simpático com os correspondentes da Casa Branca, mas no fundo acha que a mídia é uma turma elitizada e cínica.

Na terça-feira, a caminho de St. Louis, o presidente reuniu o pool da imprensa (o pequeno grupo de repórteres escolhido a cada dia para representar o exército de jornalistas que cobre a Casa Branca) na frente do Air Force One, para ler uma declaração sobre o agente do FBI suspeito de espionar para os russos. Quando acabou, os repórteres tentaram fazer perguntas, mas veio o aviso de que o avião logo pousaria. "Foi de propósito", brincou Bush.

A mídia não está achando graça. Bush vem brincando com a imprensa em vários sentidos: ainda não deu sua primeira coletiva (a de Clinton foi no final de janeiro), apenas aceita uma ou duas perguntas durante as sessões de foto. Suas únicas exclusivas foram dadas à Univisión, emissora de TV de língua espanhola, e a um punhado de repórteres estrangeiros, em mesa-redonda.

Os funcionários da Casa Branca, que falavam on the record à época de Clinton, agora insistem no off. Segundo Martha Brant, a vida está difícil para os repórteres cujas organizações não publicam comentários de personagens não-identificáveis.

O pior conflito surgiu no sábado, 17/2, quando o acesso da imprensa foi negado durante a visita de Bush ao Centro Comunitário Crawford, até mesmo ao repórter destacado pelo pool da imprensa escrita – pela primeira vez em 30 anos a imprensa não pôde participar de um evento aberto ao público.

"A imprensa deve ser os olhos e os ouvidos do povo, e a equipe de Bush não deveria pinçar quando e onde o pool da imprensa está autorizado a ir", diz Martha Brant.

A saída da mídia tem sido reclamar, e alto. Na semana passada, quando a chefe do Conselho de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, se recusou a falar em on sobre a visita de Bush ao México, a Associação dos Correspondentes da Casa Branca enviou carta ao governo. Afinal, seu antecessor Sandy Berger, conselheiro de Clinton, gostava de ser citado.

"O intrépido Ron Fournier, da AP, sentado na primeira fila da sala de briefing, levantou-se cinco vezes e perguntou de cinco maneiras diferentes por que Condoleezza Rice não podia falar em on", conta Martha. A AP fez matéria a respeito. No fim da semana, continua Martha, quando os EUA bombardearam o Iraque e todos os repórteres buscavam qualquer informação na Casa Branca, mesmo em off, um assessor disse: "Não creio que a AP goste de informação de bastidores".

A tensão melhorou um pouco. O secretário de imprensa de Bush, Ari Fleischer, e Arlene Dillon, da CBS, presidente da associação dos correspondentes, tiveram uma "conversa produtiva". O acesso ao pool não mais será negado, prometeu, e os offs diminuiriam. Fleischer brincou: "Alguns repórteres não ficarão satisfeitos enquanto não houver uma president cam", referindo-se às câmeras 24 horas que existem hoje em toda parte.

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