Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > VACA LOUCA

A mídia alarmista

Por lgarcia em 06/01/2004 na edição 258

VACA LOUCA

A cobertura da recente suspeita de carne infectada pelo mal da vaca louca nos Estados Unidos revelou um outro problema além da doença: a falta de equilíbrio jornalístico. É o que afirma o jornalista David Ropeik em artigo no Washington Post [31/12/03].

Ropeik chama a atenção para o alarmismo encontrado nas reportagens sobre o assunto. Segundo ele, há uma tendência crescente para que repórteres e editores tornem os fatos dramáticos, assustadores e polêmicos, e omitam informações que os coloquem sob diferentes perspectivas.

A maior parte da cobertura têm abusado de citações de críticos do assunto, que opinam muito mais do que informam. Muitos têm ido aos jornais para dizer que a recente crise é “apenas a ponta do iceberg”, que “todos os animais devem ser testados antes que sua carne vá para o mercado”, e que “a atual regulamentação [norte-americana] não protege os consumidores”. São importantes vozes a serem ouvidas, mas é preciso controlar seu tom exagerado.

Mas Ropeik discorda dos críticos que dizem que a imprensa é alarmista simplesmente para vender mais jornais. Para ele, isso é apenas parte do problema. Os repórteres buscam algo a mais: querem ver sua reportagem na primeira página, querem ser responsáveis pela manchete do dia.

Seja por ego ou pelo aumento dos lucros, é fato que polêmica e drama dão ibope. Mas, além de chamar a atenção do público, esta imprensa exagerada também o amedronta. Ropeik conclui que o mal da vaca louca serva de advertência para os Estados Unidos: “Em nome da saúde da população, precisamos de uma cobertura jornalística mais balanceada”.

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