Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > DIPLOMA DE JORNALISMO

A novela continua

Por lgarcia em 05/08/2003 na edição 236

DIPLOMA DE JORNALISMO

Victor Ribeiro (*)

Semana passada a novela do diploma de jornalismo teve mais um capítulo. A juíza federal Alda Bastos suspendeu a sentença da juíza Carla Rister, que, por sua vez, suspendia a exigência de diploma em Jornalismo para o exercício da profissão. A nova sentença invalida os “registros precários”, concedidos a quem não tem curso superior de Jornalismo.

Como o recurso que cabe deve ser apresentado ao Supremo Tribunal Federl, deverá, em breve, sair uma decisão final.

Com diploma ou sem diploma? Há exemplos de péssimos profissionais diplomados e de ótimos profissionais sem diploma. Contudo, numa época em que muitos se iludem pensando que jornalismo é igual a glamour, um curso superior torna-se indispensável. É preciso, no entanto, que este curso tenha qualidade e não sirva apenas para embolsar dinheiro dos alunos.

Na cidade do Rio de Janeiro há 19 faculdades de Jornalismo. Isso é mais do que em toda a Europa. O curso de Comunicação Social tem sido cada vez mais procurado, talvez porque poucos se lembrem de que jornalistas cobrem tiroteios nos morros, invasões de sem-teto, longas reuniões de governo, e pensem que ficarão num estúdio com ar condicionado, apresentando um programinha qualquer que leve “entretenimento” ao público, ou que freqüentarão festas maravilhosas em bairros de onde muitos destes “futuros jornalistas” nunca saíram.

Questão secundária

É necessário ter o diploma, mas também é necessário que este diploma tenha qualidade. O MEC aplicou este ano, pela última vez, o equivocado modelo de avaliação do curso superior. Vamos ver como será ano que vem. Pode soar reacionário o discurso contra o Provão do MEC, mas não é. As questões certamente não levam em conta o que foi aprendido pelo aluno na universidade. Em 2000, por exemplo, pediu-se que, a partir de uma música de um famoso cantor e de um poema de outro, o estudante fizesse uma “entrevista”, com fotos e legenda. Numa outra questão, no mesmo ano, o estudante deveria transformar uma matéria de jornal impresso em matéria de telejornal.

Por causa disso, há cada vez mais profissionais formados, iludidos e anti-éticos. Num ponto até é bom: este Observatório estará sempre bem servido de pautas baseadas nas falhas destes colegas mal preparados.

Apesar de não fazer parte de nenhum movimento estudantil, apóio a atitude da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos), que não apenas condenou e protestou contra o Provão, mas sugeriu um novo sistema, o “Avaliação pra Valer”. Alternativa mais dispendiosa do que a avaliação do MEC, avaliaria entretanto não apenas os alunos, como também os professores, a pesquisa, os equipamentos etc.

Enquanto o governo não cumprir seu papel de fiscalizar os cursos de maneira correta, a questão do diploma continua secundária, e péssimos profissionais continuam obtendo registro profissional e ocupando cargos para os quais não estão preparados.

(*) Estudante de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense

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