Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > CASO EJ

A pauta é destruir imagens

Por lgarcia em 24/07/2002 na edição 182

CASO EJ

Nilson da Silva Rebello (*)

Felizmente, ainda que tardiamente, abre-se um espaço na mídia para que "o outro lado da moeda" possa ser mostrado.

O grande Rui Barbosa, em 1914, já dizia que "de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".

É desta forma que a imprensa vem agindo ultimamente na sede desenfreada de criar noticias, na conivência inoportuna e antiética com o Ministério Publico, no desserviço a que alguns se prestam, empossados em cargos públicos com garantia de estabilidade, em servir a determinada ideologia ou grupo político.

O Caso EJ é emblemático, pois trata de uma pessoa pública, de inegável prestígio, obtido ao longo de anos de trabalho honesto e honrado, que vê seu chefe imediato ser eleito presidente da República e com ele seu trabalho aparecer e crescer seu poder. As pessoas e a imprensa colaboram com isso, não se conformam que um profissional bem-sucedido o seja por méritos próprios. Têm que plantar noticias e criar fatos para macular o trabalho, por que é difícil creditar a uma pessoa poder sem que tenha origem em fatos ou atos espúrios e desonestos.

A imprensa parece não se conformar que pessoas bem-sucedidas, principalmente no setor público, sejam honestas! Já é hora da ter mais responsabilidade com o trato da honra de homens de bem, cujo único "defeito" evidente são o desvelo e a dedicação no trato da coisa pública. Já é hora de se imaginar que pessoas que legitimamente estão no poder são pessoas honestas, com bons propósitos, com procedimentos corretos e com dedicação a um projeto político.

A imprensa rotula as propostas de legitimar e reduzir poderes em mãos de quem não tem competência para agir como "mordaça", quando deveria ser a primeira a entender que seu papel na sociedade é informar corretamente, e não produzir escândalos e noticias fantasiosas. Quanto custou aos contribuintes os recursos gastos a partir de fantasias e delírios de um Ministério Público a serviço de um partido político? Quanto custou o devaneio de um procurador filiado a um partido político, e a seu serviço, quando divulga atos sem comprovação ou baseados em noticias que ele "vazou" para a imprensa e sobre ela inicia uma investigação inócua e desnecessária?

Agenda positiva

É uma conquista da sociedade contemporânea a liberdade de imprensa, mas ela deve ser devidamente auto-regulada, para que depois não sejamos obrigados a viver o que vivemos em passado remoto, de tão trágica memória. A prática de acusar sem base e sem revelar a fonte tem que ser repensada pela imprensa sob risco de perdermos nossa fonte diária de informação e de desenvolvimento social. A prática de no final de uma resposta o jornalista frisar que a fonte está preservada, ou que entende a posição do acusado, mas mantém tudo o que foi dito, deixando ao leitor ou ouvinte uma impressão de que nada esta esclarecido, tem que ser eliminada.

Acho muito estranho que, depois de ser crucificado por dois anos com todos os impactos em sua vida profissional, empresarial e familiar, agora que aparece uma maracutaia envolvendo o PT o Caso EJ esteja sendo tratado pela mídia com ênfase e os jornalistas passem a fazer uma espécie de mea-culpa de tudo o que foi dito.

Fui vitima da publicação, na revista Istoé, de declaração do procurador Luiz Francisco, onde dizia que estava envolvido em fraude no Serpro, empresa vinculada ao Ministério da Fazenda, como integrante do Conselho Fiscal. Depois, em depoimento ao Conselho de Ética do Senado Federal, o irresponsável procurador ratificou a informação e, na TV Senado, declarou que não tinha condições morais de ser nomeado para ocupar qualquer cargo publico neste país.

Passados mais de 18 meses nada foi provado, e continuo no purgatório por conta da publicação. Onde fica a minha honra? Quando este incauto Luiz Francisco vai ser responsabilizado por tais declarações? Quando a imprensa vai se retratar de tamanha infâmia lançada sobre a honra de um profissional que dedica mais de 25 anos de sua vida em servir o público, em carreira digna, integra e pontuada por nomeações e distinções em varias esferas de poder?

Fico feliz em ver abrir-se um fórum para se debater, mesmo que timidamente, como foi a postura do senhor Alberto Dines, estes assuntos. Gostaria de ver um aprofundamento do debate e que casos com o meu sejam trazidos à opinião pública e seja mostrado à sociedade que pessoas de bem trabalham muito e honestamente para engrandecer este país.

A imprensa deve agir sob agenda positiva e divulgar tais fatos, e não viver pautada por escândalos, fofocas e destruição da imagem de pessoas de bem.

(*) Funcionário público

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