Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > THE WASHINGTON POST

A propósito de Katharine Graham

Por lgarcia em 01/08/2001 na edição 132

THE WASHINGTON POST

Na coluna do dia 22 de julho, o ombudsman do Washington Post Michael Getler dedicou-se à memória de Katharine Graham. A presidente do conselho executivo da Washington Post Co., que morreu no último dia 17, dirigiu o jornal por três décadas. E sua contribuição ao jornalismo foi lembrada por pessoas que sequer a conheciam, "porque sua presença, e o que ela representava, podia ser percebida à distância".

Katharine e Ben Bradlee, o editor que trouxe da Newsweek em 1965, motivaram e fizeram brilhar uma geração de jornalistas, diz Getler. Após a publicação dos Documentos do Pentágono, em 1971, e durante o escândalo Watergate, entre 1972 e 1974, a equipe do Post compreendeu que tinham uma proprietária corajosa e um editor inesquecível.

Katharine foi a responsável pela expansão do jornal, investindo no que hoje são 21 escritórios internacionais, tornando o Post mais do que um simples diário metropolitano. Seu alcance e o que ele representou no exterior se revelaram a Getler quando este, trabalhando como correspondente no Leste Europeu, nos anos 70, entrevistou dissidentes políticos. O jornalista surpreendeu-se ao ver a fascinação exercida pelo Post ? muitos diziam que seu papel no caso Watergate tinha restaurado a crença na democracia americana e em uma imprensa livre.

Por isso Getler pergunta-se qual seria a estatura do jornal atualmente se seus proprietários e editores tivessem decidido não resistir à pressão e deixar de publicar os Documentos do Pentágono, por exemplo. E questiona quantas empresas tomariam estas decisões hoje.

Ironicamente, nota o ombudsman, o falecimento de Katharine Graham rendeu, em boa hora, a lembrança da conexão entre grandes publishers e grande jornalismo. A lição vem ao tempo "em que muitas empresas jornalísticas estão sob pressão para manter altas margens de lucro, mesmo em um clima duro para negócios, enquanto outras estão sendo absorvidas por conglomerados cujo principal negócio não é jornalismo".

    
    
                     

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