Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº963

PRIMEIRAS EDIçõES > CHINA

A próxima vítima

Por lgarcia em 20/06/2001 na edição 126

CHINA

Dias depois da execução de Zhang Jun, um dos maiores assassinos da China dos últimos tempos, o jornal mais progressista do país, Southern Weekend, publicou artigo audaciosamente elogioso a Jun. Ele representa "a fraqueza da China", dizia o jornal, e mostrou mais "coração" que funcionários públicos corruptos que "se fingem de civilizados enquanto roubam". Agora, disse Matthew Forney [TIMEasia.com, 13/6/01], pode ser a vez do próprio Southern Weekend.

Pressionado por funcionários do Departamento de Propaganda do Estado, o jornal demitiu este mês três editores e perdeu toda a ousadia. É a mais recente vítima da luta do Partido Comunista ? que pretende celebrar seu 80? aniversário em 1? de junho sem descontentamento da população ? contra a crescente mídia independente.

A batalha do governo começou em janeiro, quando os propagandistas do presidente Jiang Zemin instauraram o "sistema do cartão amarelo". As publicações passaram a precisar da permissão dos departamentos de propaganda locais para cobrir sete tópicos proibidos, incluindo área militar, religiosa e vida privada de líderes chineses. Uma violação representa um cartão amarelo; duas, demissão de editores; três, fechamento da publicação.

O Southern Weekend, famoso por suas reportagens investigativas, tentou sempre se proteger noticiando os vizinhos, não a província em que está localizado ? Guangdong, uma das mais corruptas da China. Agora, o futuro do jornal está nas mãos de Li Changchun, chefe do partido em Guangdong. Ele é aparentemente a primeira escolha de Zemin para primeiro-ministro no ano que vem. E não aceitará oposição na luta pelo cargo.

Um novo canal de notícias pode ser o primeiro de origem chinesa a ser licenciado em Taiwan desde 1949, quando as tropas nacionalistas de Chiang Kai-shek fugiram da China de Mao. Se for aprovado pelo governo, o Phoenix Satellite Television começa as transmissões de notícias já em julho, disse Mark Lendler [The New York Times, 11/6/01]. Sediado em Hong Kong mas controlado por chineses do continente, a tentativa é uma parceria entre um antigo soldado e a Star TV, de Rupert Murdoch.

Devido a restrições históricas e legais, raras as vezes companhias midiáticas chinesas e taiwanesas tentaram vender seus produtos uma à outra, o que ajudou a sedimentar gostos diferentes. Recentemente, Phoenix ultrapassou esses obstáculos legais e recebeu aprovação preliminar do governo de Taiwan para distribuir seu canal nos sistemas a cabo da ilha. Agora terão de conquistar o gosto dos taiwaneses, que têm demonstrado grande interesse por notícias do continente. Jimmi Lai, editora de Hong Kong, lançou uma versão em Taiwan da revista de fofoca Next, e a edição de estréia vendeu 275 mil cópias.

Diferentemente da estatal Central Chinesa de Televisão (CCTV), que tem servido por muitos anos de instrumento de propaganda do Partido Comunista, a Phoenix faz mais o estilo de uma CNN de língua chinesa. O canal promete cobrir notícias da China de forma agressiva.

A China está também afrouxando suas restrições sobre a distribuição de filmes, o que representa, segundo Don Groves [Variety, 14/6/01], um primeiro passo para o desenvolvimento de seu gigantesco mercado, ainda muito fechado. A China Film Corp. perderá o monopólio sobre a distribuição de filmes importados e serão abertas as oportunidades para a concorrência, mas a estatal continuará como importadora exclusiva. As reformas são vistas como parte das concessões de Pequim para sua entrada na Organização Mundial de Comércio.

Os executivos de Hollywood ficaram otimistas com a notícia, divulgada no dia 13 no Festival Internacional de Cinema de Xangai, na presença de representantes das americanas Motion Picture, American Film Market e 20th Century Fox. Espera-se agora que o limite máximo de importação de 20 filmes aumente ? alguns meses atrás a quota anual era de 10 produções, e a mudança foi também uma estratégia para facilitar a vaga chinesa na OMC.

    
    
                     

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