Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > DVR

A reinvenção do videocassete

Por lgarcia em 05/06/2002 na edição 175

DVR

O DVR, equipamento digital de gravação de vídeo, está causando polêmica entre emissoras e anunciantes americanos, que temem que a propaganda perca visibilidade na TV. O aparelho, conectado à linha telefônica, à internet banda larga ou a cabo com sinal de televisão, grava programas em disco rígido, recebendo informação sobre o horário da programação de uma central, sem necessidade de fita ou qualquer tipo de mídia. Um modelo simples, como o ReplayTV 4000, que custa US$ 699, tem 40 horas de capacidade de armazenamento. Sua versão mais avançada, que sai por US$ 1.999, captura até 320 horas.

Por enquanto, como informa Amy Harmon [The New York Times, 23/05/2002], há pouco mais de um milhão de usuários nos EUA, mas os fabricantes calculam que em cinco anos serão 50 milhões. O que mais atrai os telespectadores no DVR é, para pânico de emissoras e anunciantes, a facilidade com que se ganha tempo pulando os comerciais. A versão mais moderna, que permite selecionar opção "sem comercial", gera preocupação ainda maior.

Um grupo de grandes empresas de mídia, como NBC, Viacom, Disney, AOL Time Warner e Twentieth Century Fox , está processando a Sonicblue, fabricante do ReplayTV, sob a alegação de que o aparelho favorece a infração aos direitos autorais. Contudo, estas empresas precisam provar que o DVR é fundamentalmente diferente do videocassete, que já passou por disputa judicial semelhante em 1984. Na época, a Suprema Corte americana decidiu que os consumidores tinham direito a assistir aos programas na hora em que quisessem. Isso agora é questionado, e está sendo cogitada a criação de novas maneiras de aferir audiência. "Se um anunciante compra espaço no NYPD Blue [Nova York contra o crime, da Fox] na terça-feira à noite e 10% do público assistem ao programa na sexta-feira depois da meia-noite, esta audiência tem o mesmo valor da ?ao vivo? do horário nobre?", questiona Steve Sternberg, diretor de análise de audiência da Magna Global USA, em comunicado da empresa.

Claro que, assim como há pessoas que vêem o DVR com maus olhos, há também os que vislumbram nele novas oportunidades de negócio. Como está conectado a uma central ? ou seja, estabelece comunicação bidirecional ?, o equipamento possibilitaria a transmissão de anúncios direcionados de acordo com dados pessoais do usuário. Um anúncio da Coca-Cola é outro exemplo de adaptação à tecnologia: a marca aparecia na tela do espectador que pausasse seu ReplayTV por alguns minutos.

"Há várias coisas que começarão a mudar. Teremos que pensar mais na importância da colocação dos produtos nos programas, fazendo mensagens direcionadas mais relevantes", prevê Ira Sussman, diretora de pesquisa da Initiative North America.

Às vezes, o DVR também traz boas surpresas aos patrocinadores. A Pepsi, por exemplo, descobriu que muitos telespectadores que deram "forward" nos anúncios da final do futebol americano, que haviam gravado, assistiram repetidas vezes ao comercial do refrigerante, inserido no intervalo da partida, com a cantora Britney Spears.

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