Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > IRAQUE

A situação da imprensa pós-guerra

Por lgarcia em 20/05/2003 na edição 225

IRAQUE

O fechamento das publicações e emissoras controladas pelo regime de Saddam Hussein e a inexistência de leis rígidas de imprensa, ao menos por enquanto (já que o governo ainda não se constituiu), fazem do Iraque uma exceção no Oriente Médio: é um dos poucos países abertos a investimentos nessa área. Segundo Neela Banerjee [New York Times, 12/5/03], os jornalistas iraquianos estão se beneficiando da liberdade do pós-guerra e do surgimento de projetos financiados por diferentes grupos políticos e religiosos, inclusive dos EUA.

No entanto, os velhos hábitos persistem, observa Banerjee, ao contar o exemplo de Al Azzaman, um dos 15 semanários a circular atualmente no país. As matérias deixaram de enaltecer a família Hussein, mas não poupam elogios a Saad Bazzaz, editor e publisher do jornal. "Gastar todo esse dinheiro, fazer tal investimento e assumir todos os riscos, [explicam] porque sou um político", disse Bazzaz, "e para ser um político, tem que se usar a mídia como canal".

Acostumados à época em que Uday Hussein, primogênito de Saddam, controlava o sindicato dos jornalistas, os repórteres do Al Azzaman ainda hesitam e chegam a consultar o editor para saber se podem criticar figuras públicas, por exemplo. Exilado durante a ditadura, Bazzaz fundou o veículo há seis anos em Londres; com o fim da invasão americana, lançou edição em Basra e em Bagdá. Al Azzaman tem páginas coloridas e cobertura política e cultural; quase 80% do conteúdo editorial é produzido na Inglaterra. No Iraque, o jornal conta com 60 funcionários e tem tiragem de 30 mil cópias (segundo o dono, totalmente vendida). Embora se declare independente, Bazzaz é ligado ao grupo de Ahmad Chalabi.

Equipe de TV pode ter escapado de fogo amigo

A equipe que acompanhava Terry Lloyd, jornalista da ITN morto por fogo amigo no Iraque, em março, pode ter escapado. Uma investigação da rede de TV sugere que o câmera Fred Nerac e o tradutor Hussein Osman foram seqüestrados pela milícia iraquiana pouco antes do confronto começar, já que soldados britânicos encontraram o carro e os cartões de imprensa dos dois homens em Zubayr, num edifício que teria sido usado como escritório pelo partido de Saddam Hussein.

A ITN criticou o Ministério da Defesa por não investigar o paradeiro dos dois e pediu que organizasse o retorno das amostras de DNA dos 18 corpos não-identificados ? mortos no incidente ? atualmente num hospital em Basra. Conta Ian Burrell [Independent, 13/5] que o corpo de Lloyd foi encontrado no mesmo hospital depois que um colega o identificou nas imagens da al-Jazira.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem