Terça-feira, 23 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1047
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A TV que queremos

Por lgarcia em 05/08/1999 na edição 72


 

Prezado jornalista Alberto Dines, tive oportunidade de ver o programa [Observatório da Imprensa na TV] quando vocês debatiam a questão da baixa qualidade dos programas de TV. Foi ali que me informei sobre o número do telefone pelo qual podemos encaminhar críticas e sugestões à Comissão de Rádio e TV do Congresso Nacional, cujo relator é o senador Pedro Simon.

Enviei à comissão e-mail com minhas considerações, lembrando um tema afim, sobre o qual jamais soube de qualquer menção por parte da imprensa, pelo menos sob a ótica de minha pequena análise. Estou encaminhando a vocês cópia do material que enviei à comissão.

JHebal

 

“Prezado senador Pedro Simon,

Esta é minha colaboração para a melhoria da qualidade da programação de Rádio e TV.

A sociedade brasileira esperava, já de muito, um canal oficial que lhe possibilitasse criticar práticas, sugerir melhorias, reclamar de abusos cometidos por aqueles que atuam nos meios eletrônicos de comunicação social, especialmente em Rádio e TV.

Em boa hora aparece esse debate sobre a qualidade da programação das emissoras brasileiras, que anda a merecer reparos. Assim, vejo como auspiciosa a presença do senador Pedro Simon na posição de presidente da subcomissão de Rádio e TV, com o que podem-se prever bons resultados na empreitada de garantir o padrão de qualidade de programas que estejam conformes com as finalidades dos serviços de rádiodifusão, em acordo com os termos das concessões desses serviços: entreter, educar, informar e comunicar.

Gostaria de lembrar que existem outros temas importantes, que devem merecer a atenção da Comissão e do senador Pedro Simon, seu ilustre relator, além dos que já têm sido abordados pelas críticas e comentários mais freqüentes: sexo, mediocridade, aberração, violência.

Quero falar da influência altamente negativa, fanatizadora, até mesmo predatória, senão criminosa, exercida por uma selvagem pregação religiosa, disfarçada de missão evangelizadora, estranha e ingenuamente acobertada, protegida até, pelo princípio constitucional do livre exercício de culto religioso. Não é difícil perceber quão prejudicial pode ser para a saúde mental dos fiéis ou não, adeptos ou não, de tais e quais seitas, igrejas, templos, de todas as idades, as prédicas diárias, transmitidas em rede nacional, ameaçadoras, atemorizantes, falando-lhes sobre forças malignas, espíritos demoníacos, prestes a atacarem e submeterem as almas dos que não “aceitam a palavra” impondo-lhes a eterna danação.

Programas há que encorajam os ouvintes a entrarem em contato com os apresentadores: pastores e bispos atendendo via telefone a partir de estúdios de TV. Em tais programas, ouvintes tornam-se consulentes e expõem seus problemas financeiros, sociais, sentimentais, emocionais, espirituais, físicos, aos apresentadores, deles esperando ajuda, auxílio, e orações. Invariavelmente, a resposta que obtêm é de que o mal é espiritual, que o ouvinte está tomado por força maligna e que o problema só pode ser solucionado por um “tratamento” de “libertação” que lhe será proporcionado numa igreja, a que ele deve comparecer imediatamente. As clínicas psiquiátricas se atulham com as vítimas dessa espécie de charlatanismo, ou seja: atividade ilegal da medicina.

Há ainda a questão do esbulho, da espoliação, a que essas igrejas submetem milhões de pessoas, especialmente as pertencentes às classes mais empobrecidas, vítimas fáceis, de uma atividade claramente estelionatária, desenvolvida aos olhos da imota sociedade brasileira, via televisão, dia após dia, ano após ano. E imensos, incalculáveis recursos financeiros são sugados da poupança popular. E o país assiste impávido a tudo isso, apática, acaciana, apalermadamente.

Estaria essa atividade enquadrada nos objetivos precípuos, definidos pela lei, para as concessões de exploração dos serviços de rádio difusão em nosso país: entreter, educar, informar, utilidade pública?

Jhebal”

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