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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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A vez da carta falsificada

Por lgarcia em 22/07/2003 na edição 234

THE WASHINGTON TIMES

A infeliz moda de fabricar textos chegou na seção de cartas do leitor. Uma carta publicada no jornal, dirigida a Wesley Pruden, editor do Washington Times, cujo suposto remetente era Stephan M. Minikes, embaixador da Organização de Segurança e Cooperação na Europa, criticava o Serviço do Exterior pela falta de lealdade ao governo Bush.

Pruden disse que o jornal soube "pelo nível mais alto do Departamento do Estado" que se tratou de um trote e o jornal aceitou prontamente "como verdade que o embaixador não é autor dessa carta". Minikes, de sua parte, escreveu uma carta ao Washington Times publicada na íntegra no dia 16/7, explicando que a falsificação foi totalmente fabricada. "Não foi escrita por mim e expressa pontos de vista diametralmente opostos aos que sustento", disse. "Nunca, em minha longa carreira, trabalhei com um grupo tão dedicado de profissionais quanto o do Departamento do Estado dirigido por [Colin] Powell."

A reportagem de Nicholas Kralev [The Washington Times, 167/03] conta que Pruden ordenou a retirada da carta do website do jornal assim que soube que era forjada. A carta foi enviada por e-mail no dia 13/7, "sob endereço que parecia ser o do embaixador", disse Pruden. "O procedimento padrão no Times é verificar todas as cartas enviadas ao editor; esse procedimento não foi seguido neste caso. Descobriremos por quê e faremos as mudanças necessárias. O Times lamenta o constrangimento ? do qual partilhamos completamente ? ao embaixador Minikes, ao secretário Powell e ao Departamento do Estado."

NY TIMES vs. NY POST

Um editorial do New York Post [18/7/03] criticou o New York Times por não expor os interesses envolvidos nas críticas que faz a Larry Silverstein, responsável pelo projeto de recuperação do Ground Zero, área onde ficava o World Trade Center, em Nova York.

O diário, que está envolvido num projeto imobiliário com a construtora Forest City Ratner, estaria contra Silverstein porque ele quer reconstruir a mesma área de escritórios que havia antes dos atentados de 11 de setembro. O Times quer construir, até 2006, sua nova sede ? um edifício de 52 andares ? numa valorizada área de Manhattan. No entanto, o jornal só ocupará a metade inferior do prédio. Os andares superiores ficariam para exploração pela Forest City Ratner, que está tendo dificuldades para encontrar inquilinos. Caso Silverstein construísse menos escritórios, seria mais fácil conseguir os vizinhos de cima para o Times.

A coluna do Post chama atenção para um fato ainda mais alarmante: para realizar o empreendimento, a Forest City Ratner pediu à prefeitura nova-iorquina financiamento de US$ 400 milhões em bônus lançados especialmente para a reconstrução do Ground Zero e áreas circunvizinhas. Como o edifício fica fora dessa região, não haveria motivo para que a empreiteira se beneficiasse desses bônus.

De sua parte, o Times defende que sua parceira precisa do dinheiro porque não consegue um financiamento convencional. O Post considera legítimo que seu concorrente tome posição editorial de acordo com seus interesses financeiros, mas aponta que ele deveria explicitá-los para o público, principalmente numa questão na qual tem tanto poder de influência.

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