Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > AFEGANISTÃO

A volta do riso

Por lgarcia em 22/01/2003 na edição 208

AFEGANISTÃO

Recentemente, o semanário Farda, do Afeganistão, publicou charge em que o presidente do país, Hamid Karzai, aparecia cantando e dançando. Pelo fato de o desenho ser supostamente “ofensivo”, o editor Abdul Ghaafoor Iteqad passou duas noites na cadeia. A ordem de prisão veio do ministro da defesa e vice-presidente Mohamed Fahim, então encarregado das atribuições presidenciais, uma vez que Karzai estava viajando. Quando o presidente retornou, riu do desenho e disse: “Soltem-no, isto é liberdade de imprensa”.

Como reporta Carlotta Gall, do New York Times [12/1/03], o fim do regime Talibã e a instalação de um governo mais aberto está permitindo a volta das charges na imprensa afegã. Contudo, incidentes como o ocorrido com Iteqad são um lembrete de que nem todas as autoridades têm o bom humor do presidente Karzai. Mas, embora os editores admitam que usam de muita cautela e até auto-censura, eles afirmam que não se deixam intimidar. Iteqad defende que as charges são fundamentais para atrair leitores num país em que o grau de alfabetização é baixo e onde não há o hábito da leitura.

Usman Akram, editor da revista Zanbel-e-Ghan (que significa algo como “cesto das desgraças”) acrescenta: “Na nossa literatura antiga somos muito familiarizados com a sátira”. Sua publicação é provavelmente a mais humorística do Afeganistão. Escrita à mão e fotocopiada, circulava às escondidas na época do Talibã. Hoje corre abertamente. Quando era clandestina, chegou a representar o líder talibã, mulá Mohamed Omar, dentro do “cesto de desgraças” emblemático da publicação. Exemplos de suas charges atuais são as imagens de um afegão montado num burro e falando ao celular, e de uma mulher andando de bicicleta vestindo uma burca. Akram conta que já gastou muito tempo tentando convencer autoridades de que elas não são o alvo dos desenhos que publica. “Felizmente, ainda não fui levado ao tribunal”, ri.

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