Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Aberta a temporada de caça

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

DOSSIÊ PÓS-GRADUAÇÃO

Arlindo Machado (*)

Sou inteiramente solidário com seu desabafo público diante da inesperada e assustadora abertura da temporada de caça não às bruxas, mas aos programas históricos, que construíram a área de Comunicação no Brasil. É inacreditável o que está acontecendo. Programas pequeníssimos, quase sem nenhuma produção intelectual, quase sem nenhuma tese defendida, sem nenhuma inserção internacional, sem nenhuma liderança na área, alguns inclusive sem sequer ter doutorado, para não dizer pós-doutorado, foram contemplados com a nota máxima, enquanto aqueles que arcam com a dura tarefa de formar a parcela mais significativa (em termos qualitativos e quantitativos) dos pesquisadores em Comunicação no Brasil foram duramente castigados e humilhados, em nome de um conceito de Comunicação raquítico e provinciano, que está longe de ser consenso na área, além de já superado no resto do mundo há mais de uma década. Vale acrescentar também o imenso rol de amarras burocráticas interposto contra o livre funcionamento dos Programas, que só serve para promover a improdutividade e o desperdício de dinheiro público.

Nós, da Comunicação e Semiótica da PUC-SP, tivemos a maior parte de nossa produção intelectual (pesquisas, teses e dissertações, projetos de pós-doutorado, artigos em livros e revistas especializadas, conferências e comunicações em congressos) recusada porque os avaliadores consideraram que Semiótica não pertence ao universo (melhor seria dizer ao feudo) da Comunicação! Parece que está havendo um expurgo na área. Estão querendo nos botar para fora. Da mesma forma como os palestinos, estamos sendo segregados numa Faixa de Gaza epistemológica.

O pior de tudo é que o veredicto é pronunciado à vista apenas dos títulos dos trabalhos (no caso de artigos e livros), ou quando muito dos resumos (no caso de pesquisas e teses). Nem sequer foram considerados os pareceres bastante favoráveis dos consultores da CAPES, que fizeram a visita “in loco” e tiveram acesso aos textos completos das pesquisas, teses e dissertações.

Ao contrário de vocês da ECO, nós da PUC-SP não vamos abrir mão do nosso direito ao recurso formal, mesmo sabendo que isso não vai dar em nada, pois serão os mesmos que irão julgá-lo. Mas vamos, pelo menos, tornar público o nosso recurso, para buscar desencadear um debate em torno dessa avaliação discutível, para dizer o mínimo.

Um abraço solidário.

(*) Coordenador do Doutorado do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica ? PUC-SP

    
    
                     

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