Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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PRIMEIRAS EDIçõES > CIRCULAÇÃO

Acabou-se o que era grátis

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

SALON

Em carta do editor, publicada em 1/10/01, a revista virtual Salon apresentou aos leitores seu novo serviço pago:


Cobertura noticiosa que vale o preço

A partir de hoje, Salon passa a publicar praticamente todos os seus artigos de Notícias e Política em sua edição Premium. Isto significa que, se você ainda não assinou Salon Premium, você precisará fazer isso para continuar a ler a cobertura da Salon do governo Bush e da atual crise global.

Alguns leitores imploraram à Salon que reconsiderasse sua decisão, apontando a urgência destes tempos e a importância da cobertura da Salon dos eventos mundiais. Mas isto é precisamente o porquê de precisarmos do apoio dos nossos leitores agora. Nos últimos dias, a Salon gastou recursos importantes para cobrir a guerra da América contra o terrorismo islâmico. Enviamos um correspondente experiente, Asra Nomani, para cobrir os conflitos entre Paquistão e Afeganistão. E montamos uma rede de repórteres competentes no Oriente Médio e na Europa para complementar a cobertura de nossa arrojada equipe nos EUA.

Tudo isto, obviamente, custa dinheiro. Acredito que nenhuma outra publicação da web esteja em condições de competir com a série de notícias e opinião que a Salon vem oferecendo aos leitores. Enquanto veículos como CNN, Fox e MSNBC distribuem a previsível mistura de imagens kitsch de bandeiras ao vento e da Casa Branca, a Salon oferece histórias persuasivas e publica uma série completa de comentários ? da direita à esquerda ? de que o público americano precisa desesperadamente enquanto nos instruímos a respeito do esperado conflito.

A Salon não embala sua cobertura noticiosa com pegajosas músicas patrióticas. Não acreditamos que esta seja a função de uma imprensa vigorosa numa democracia vibrante. Nós escavamos a verdade e a damos aos nossos leitores de forma honesta. Estou convencido de que este seja o maior serviço que jornalistas podem prestar ao nosso país nestes tempos perigosos.

Se o jornalismo direto da Salon e o comentário sem medo de perspectivas múltiplas são importantes para você, eu o encorajo a assinar hoje o Salon Premium para que não perca nenhum artigo. Como escrevi antes, não podemos funcionar somente com faturamento publicitário que, durante a atual redução de anúncios, paga menos da metade do nosso orçamento. O resto deve vir de vocês, nossos leitores. Apenas leitores podem manter a imprensa independente viva.

David Talbot, editor da Salon


Segundo Felicity Barringer [The New York Times, 2/10/01], o objetivo é depender deste novo serviço para arcar com a metade de seu orçamento anual, de US$ 7,5 milhões. A divisão de conteúdo Premium começou a ser desenvolvida em abril; desde então, atraiu 15.500 assinantes. Agora, a intenção de Talbot é atrair de 250 a 300 assinantes por dia até o fim do ano. A Salon cobra US$ 30 pela assinatura anual e US$ 50 por dois anos.

O objetivo, ambicioso para os padrões de qualquer revista, online ou impressa, é uma indicação do clima de recessão no mercado publicitário. "Estamos lidando com um ambiente difícil, não apenas para publicidade. Conseguir faturamento apoiado em assinaturas será uma tentativa penosa", disse Michael A. Kupinski, analista de mídia da A.G. Edwards.

CIRCULAÇÃO

Se havia uma coisa que os passageiros "encalhados" no hotel do aeroporto de Vancouver (Canadá) queriam mais do que o café da manhã do dia 12 de setembro era ler os jornais. Sem aviões no ar após os ataques do dia anterior, nenhum exemplar foi entregue, mas os 10 mil viajantes que tiveram seus vôos desviados dos EUA puderam ler as notícias da mesma maneira.

Jornais como Le Monde e New York Post foram baixados dos computadores e impressos no hotel. No mesmo dia, funcionários da embaixada dos EUA na Arábia Saudita receberam jornais pelo mesmo método, impressos em folhas de tamanho tablóide. A tecnologia, que permite que qualquer um com uma conexão à internet e uma impressora receba os jornais por todo o mundo foi desenvolvida pela companhia russa IBS. Com outros investidores, ela formou a NewspaperDirect, sediada em Nova York, para vender o serviço.

A editora manda um arquivo do jornal em formato PDF, via internet, para o centro de operações da NewspaperDirect, e esta para as distribuidoras locais, os clientes da companhia. Só então, na última etapa, os jornais são impressos a laser. O serviço permite que leitores de Moscou ou Sidney tenham acesso a 83 jornais, incluindo The Wall Street Journal, El País, The Boston Globe e publicações de Coréia, Índia, Filipinas e Japão.

Segundo Sabrina Tavernise [The New York Times, 1/10/01], a NewspaperDirect ainda está longe de ser lucrativa ? as vendas mensais até agora só cobrem 20% dos custos. Mas o progresso é significativo: em janeiro, o primeiro mês do serviço, foram vendidas mil cópias dos jornais. Em setembro, impulsionadas pelos ataques, as vendas aumentaram 25% em relação a agosto, quando a companhia vendeu 13 mil cópias.

    
    
                     

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