Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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Por lgarcia em 23/10/2002 na edição 195

ELEIÇÕES 2002

“Análise do Dia”, copyright Epcom (www.acessocom.com.br), 22/10/02

“Reportagem da ?Folha de São Paulo? denuncia que o apresentador do SBT, Gugu Liberato, obteve uma concessão de emissora de TV durante a campanha para o primeiro turno da eleição presidencial, na qual atuou como âncora do programa do candidato da ?Grande Aliança? (PSDB/PMDB), José Serra. Trata-se de uma TV na cidade de Cuiabá (MT) que havia sido colocada à venda pelo governo em licitação pública, em 1997. A licitação foi concluída em 2001 e Gugu comprou a empresa vencedora, a Pantanal Som e Imagem. Advogados ouvidos pelo jornal afirmam que o processo foi irregular, pois a compra do controle da empresa foi feita antes do prazo permitido. O governo, afirma a autora da reportagem, a jornalista Elvira Lobato, ?teria feito vistas grossas para a infração cometida pelo apresentador e assinado o contrato de concessão, apesar da irregularidade?. O principal indício de que o PSDB se mobilizou para que o apresentador do SBT conseguisse a concessão está no fato do presidente do diretório do PSDB de São Paulo, deputado estadual Edson Aparecido, ter acompanhado Gugu em uma audiência com o ministro das Comunicações em julho, quando o processo para a concessão da TV ainda estava em tramitação. O ministro das Comunicações, Juarez Quadros, disse à ?Folha? que já havia recebido denúncia sobre a transferência do controle da empresa para Gugu e que aguarda uma manifestação da consultoria jurídica do Minicom sobre o assunto para tomar uma decisão. Quadros disse que desconhecia que Gugu era o proprietário da TV quando assinou o contrato de concessão. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o apresentador negou que o PSDB tenha interferido em favor da aprovação de seu processo. A ?Folha? registra que o apresentador vinha dando espaço a Serra em seu programa no SBT, o ?Domingo Legal? desde o final de 2001.

Com a saída do grupo Abril da sociedade, o conglomerado português Impresa, avaliado em US$ 100 milhões, está à procura de novos investidores. A ?Gazeta Mercantil? lembra que a ?joint venture? entre as duas empresas ocorreu em 1989 quando lançaram em Portugal a revista ?Exame?, primeira publicação especializada em negócios do país. ?O império de comunicação de Francisco Pinto Balsemão?, registra o jornal, iniciou em 1972 com a criação do Sojornal/Expresso. Depois da abertura do capital do grupo para investidores estrangeiros, em 1991, Balsemão criou a holding Impresa. Hoje o grupo controla diversos jornais (Expresso) e revistas, emissoras de TV (SIC), canais de TV a cabo e portais na internet, administrados por cinco empresas. A Impresa é responsável pela edição de todos os títulos da Abril em Portugal, entre eles as revistas ?Super Interessante?, ?Exame Informática?, ?Carícia? e ?Casa Cláudia?.”

“Dias De Decisão”, Editorial, copyright Folha de S. Paulo, 21/10/02

“A uma semana do pleito que vai eleger o sucessor de Fernando Henrique Cardoso -e após uma semana de campanha nas ruas, no rádio e na TV-, o quadro eleitoral permanece francamente favorável a Luiz Inácio Lula da Silva. A pesquisa Datafolha que este jornal publica hoje indica que a vantagem do petista sobre José Serra, que era de 26 pontos percentuais na semana passada, aumentou mais três pontos. Se a chance de Serra reverter o favoritismo de seu adversário já era pequena há sete dias, agora é remota.

A propaganda da chapa governista se pautou, nos últimos dias de campanha, pelos ataques sistemáticos e cada vez mais fortes a Lula e ao PT. Os serristas, de modo geral, procuraram despertar o temor na população a respeito de uma futura administração petista, atribuindo despreparo a Lula e a seu partido, sugerindo comparação entre o que ocorre na Venezuela de Hugo Chávez e o que poderia ocorrer no Brasil de Lula e criticando o petista por furtar-se aos debates diretos entre presidenciáveis.

Mas essa estratégia radical de Serra parece não ter comovido o eleitor a mudar a decisão de voto. É possível, inclusive, aventar a hipótese de que a ?campanha negativa? se tenha voltado contra o próprio Serra, impedindo que o candidato governista subisse na preferência do eleitorado e, até, fazendo com que a diferença em favor de Lula aumentasse. Vale lembrar que a campanha de Lula, afora um ou outro episódio isolado, manteve-se na linha ?festiva?, repleta de cantigas e de imagens de confraternização e avessa a confrontos.

Parece pouco, no entanto, associar unicamente a aspectos de estratégia de campanha uma diferença em favor do petista que, se fosse traduzida em votos, estaria em torno de 27 milhões. Além disso, é bastante homogênea a liderança do petista seja em termos regionais, seja em termos socioeconômicos.

A favor de Lula, parece prevalecer um sentimento plebiscitário neste segundo turno sobre os oito anos de governo FHC -por mais que a campanha de Serra tenha lutado para evitar que o confronto ganhasse essa conotação. Como demonstram alguns resultados de uma outra pesquisa feita pelo Datafolha perscrutando a razão de voto dos eleitores no primeiro turno, é bastante provável que o público esteja enxergando o confronto entre Lula e Serra como o da mudança contra a continuidade. E a continuidade -em meio a uma drástica crise financeira- pode estar sendo duramente punida.

A popularidade de FHC continua com um desempenho relativamente bom depois de oito anos e diversas crises. Vinte e seis em cada cem eleitores consideram seu governo ótimo ou bom. Serra captura a maioria desse eleitorado satisfeito com o presidente, mas seu poder de atração cai bastante entre os 70% que consideram o governo regular, ruim ou péssimo. Há, portanto, um comportamento mais homogêneo nessa última e amplamente majoritária faixa em favor de Lula, o candidato que mais transmite a idéia de mudança.

Registre-se que essa aparente onda oposicionista, por enquanto, traduz-se apenas numa grande probabilidade de que, em janeiro, a faixa presidencial de FHC seja recebida por Lula. É preciso aguardar o veredicto das urnas depois de uma semana que contará com um debate na TV e que ainda pode reservar surpresas.”

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“Marta diz que Folha faz campanha anti-PT ao citar aumento da dengue”, copyright Folha de S. Paulo, 19/10/02

“A prefeita Marta Suplicy acusou ontem a Folha -durante a inauguração de uma Unidade Básica de Saúde- de fazer campanha contra o seu partido, o PT.

Marta interrompeu uma entrevista do secretário Eduardo Jorge (Saúde) para dizer que seu governo foi ?vitorioso? no combate à dengue e afirmar que o jornal faz campanha contra ela e contra o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.

Reportagem da Folha publicada ontem -com dados da própria Secretaria Municipal da Saúde- mostrou que o número de casos autóctones (contraídos na cidade) de janeiro a agosto deste ano já supera o total de 2001.

?Olha, Eduardo [Jorge], não se preocupe porque quem não está sendo justa é a Folha de S. Paulo, que está em uma campanha contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva e coloca, agora, a questão da epidemia de dengue em São Paulo, como se nós não estivéssemos controlando. Isso tem a ver com o medo que a gente bata no ministro Serra [candidato do PSDB à Presidência] e o combate à dengue péssimo que ele fez. Então, está agora muito esclarecido que isso é uma campanha da Folha contra a Prefeitura de São Paulo e espero que vocês [jornalistas] tenham entendido.?

Em 2001, foram 308 casos autóctones. Mas, de janeiro a agosto deste ano, já foram registrados 429 casos -o que, para especialistas, é o mais preocupante, pois mostra que o mosquito Aedes aegypti se dispersa pela cidade.

Para o secretário, o aumento nos números da dengue em São Paulo, se comparado ao que ocorreu em outras cidades, ?é praticamente zero?. O que não significa, diz, que a prefeitura vá ?relaxar? no combate ao mosquito.”

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