Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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‘FuroÂ’ a qualquer preço

Por lgarcia em 20/04/1998 na edição 43

Isak Bejzman (*), de Porto Alegre

 

A

conteceu no mês de março.

Se trata do drama de mais uma Maria brasileira. Pobre Maria.

Por se achar superlotado o hospital Femina de Porto Alegre, sua direção houve por bem recusar novas internações considerando o fator de risco que isso iria representar para parturientes e crianças internadas assim como para as novas.

Resolveram montar um teatro.

Alguém telefonou para o jornal Zero Hora que reportou em letras e fotos o parto de Maria num banco do saguão de um grande hospital de mulheres.

A dramatização poderia ter terminado em tragédia. Na hora do parto alguém resolveu por debaixo da Maria a bandeira do Brasil e do Rio Grande do Sul. É óbvio que as bandeiras não estavam esterilizadas e poderiam ter causado aquela infecção puerperal e conseqüente morte dessa infeliz brasileira.

Ela é quem teve o grande bom senso de retirar as bandeiras de cima do banco onde estava tendo seu filho.

Ao mesmo tempo que isso acontecia no saguão de entrada do hospital, num dos andares de cima três médicos plantonistas estavam sem fazer nada.

Ninguém, seja qualquer funcionário do hospital ou um jornalista da equipe que lá estava a documentar tudo foi capaz de avisar e solicitar que um dos três obstetras comparecesse ao saguão para fazer o parto. Foi o grande furo do ano.

Indiscutivelmente a reportagem valeu pelo que ela denunciou o que de terrível está se fazendo em todo Brasil com a Mulher brasileira.

O debate que proponho é qual seria o prejuízo do furo jornalístico se um da equipe de jornalistas, usando da autoridade que possui como profissional tomasse o elevador e fosse avisar a equipe médica de plantão que estava acontecendo um parto no saguão; e em segundo lugar, discutir qual é a leitura ética que se pode fazer nesse caso.

Depois que a reportagem foi publicada uma onda de indignação invadiu a cidade.

O jornal ZH numa série de fotos mostrou o parto sendo feito por pessoa que não sei se era ou não qualificada; ao menos uma curiosa.

O diretor do Grupo Hospitalar Conceição; ao qual pertence o Femina, fez uma sindicância à velocidade da luz e puniu os três médicos; médicos com mais de 10 anos de trabalho na casa; só para dar uma satisfação pública.

Esperei que a grande imprensa debatesse o assunto. Mas como só resta o silêncio, resolvi propor o debate.

(*) Médico psiquiatra e jornalista.

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