Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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PRIMEIRAS EDIçõES > EUA EM GUERRA

Agência Estado

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

EUA EM GUERRA

"O dia seguinte nas câmeras da Al-Jazeera", copyright Agência Estado, 8/10/01

"O canal de televisão a cabo árabe Al-Jazeera, do Catar, é hoje o grande protagonista da informação internacional, com ampla vantagem sobre o resto das emissoras por sua cobertura exclusiva e direta do Afeganistão no dia seguinte aos ataques anglo-americanos contra o regime do Taleban e às bases de Osama bin Laden.

Há dez anos, todo o mundo – incluindo os árabes – estava pregado na rede norte-americana CNN, que transmitia ao vivo a ofensiva militar aliada, encabeçada pelos Estados Unidos, contra o Iraque (janeiro e fevereiro de 1991).

Agora é a CNN, como todos os principais canais ocidentais, que sintoniza na Al-Jazeera, única emissora que transmite de Cabul imagens ao vivo e entrevistas com os líderes talebans.

O rosto sereno de Taisir Allouni, o enviado a Cabul do canal do Catar, com sua bem cuidada barba, converteu-se no equivalente de Peter Arnett, que com mais fogosidade descrevia os bombardeios sobre Bagdá em 1991. Além de Allouni, a Al-Jazeera tem outros dois enviados, um em Kandahar (Afeganistão) e outro no Paquistão.

Hoje, antes de transmitir entrevistas com Fadl al-Rahman, um líder paquistanês pró-Taleban sob prisão domiciliar, com o ex-porta-voz do Departamento de Estado norte-americano James Rubin e com analistas britânicos e russos, a Al-Jazeera emitiu imagens dos protestos pró-Taleban no Paquistão.

No domingo, o canal do Catar foi o primeiro a dar a notícia do começo das operações militares. Hoje, suas câmeras foram as únicas a passearem pela ruas de Cabul, mostrando cenas de destruição e os residentes que tentavam retomar uma vida normal, levantando as portas de suas lojas e instalando suas bancas nas ruas.

Al-Jazeera mostrou também as imagens exclusivas de um radar em cima de uma colina, destruído pelas bombas aliadas, assim como as de pessoas que tentavam recuperar algum objeto entre os escombros de suas casas.

Allouni informou aos telespectadores que o aeroporto e o bairro militar dos talebans em Cabul foram atingidos pelos mísseis, assim como o aeroporto de Herat, onde foram destruídos um avião e tanques de combustível.

Segundo a emissora, durante as incursões aliadas de ontem, foram afetados campos de treinamento do Al-Qaeda em Jalalaba e a casa do líder supremo do Taleban, o mulá Mohammad Omar, em Kandahar.

Associados: a bola da vez para Tanure

São 22 os condôminos dos Diários Associados e pelo menos quatro deles estão achando ?muito interessante? a proposta do empresário Nelson Tanure para assumir o controle dos Diários Associados. Essa informação foi dada a Comunique-se por uma fonte que acompanha de perto o esforço de Tanure para acrescentar os Associados ao Jornal do Brasil e à Gazeta Mercantil, já sob seu controle.

O condomínio dos Associados é uma extraordinária e única arquitetura de propriedade, produzida pelo gênio de Assis Chateaubriand, que não queria ver seu império retalhado pelos herdeiros. Cada empresa associada tem sua composição acionária, mas o conjunto subordina-se ao condomínio, em que os participantes originais eram todos antigos companheiros de Chatô. Ninguém pode vender seu pedaço nem tampouco pode deixá-lo de herança. Quando um dos condôminos morre, a assembléia escolhe o sucessor entre os funcionários dos Associados.

Mas outros herdeiros, como Gilberto Chateaubriand (filho de Chatô), são sócios minoritários. Ou seja, recebem dividendos, mas não dão palpite. Gilberto tem cerca de 19% das ações do condomínio.

A relação entre esses herdeiros e o condomínio sempre foi tumultuada. E o tumulto aumentou consideravelmente quando o Supremo Tribunal Federal condenou o Governo a pagar mais de R$ 220 milhões como indenização pela cassação da concessão da TV Rádio Clube de Pernambuco. E há várias outras ações na fila que têm agora o benefício da jurisprudência.

Gilberto estaria examinando proposta de Tanure para comprar suas ações e os eventuais direitos nas ações em curso. Mas, para ter suas idéias aprovadas pelo condomínio, Tanure, empenhado em ser o Chatô do século XXI estaria também conversando com vários deles.

?A negociação será necessariamente complicada?, disse uma fonte dos Associados. ?Mas a maioria dos condôminos é formada por veteranos dos Associados com mais de 75 anos de idade. Estão com seus bens bloqueados por uma medida judicial obtida por Gilberto e não podem deixar para qualquer herdeiro as ações do condomínio. Tanure tem os recursos para expandir os Associados e garantir um bom fim de carreira para todos.?"

 

"Paulistano acompanha guerra pela TV", copyright O Estado de S. Paulo, 8/10/01

"O bombardeio de Cabul, apesar de amplamente anunciado, pegou muitos brasileiros de surpresa. As primeiras imagens do bombardeio foram acompanhadas por meio de aparelhos de televisão de bares e restaurantes por gente que almoçava no centro.

O promotor de vendas Luiz Carlos Assunção Ribeiro, de 35 anos, estava com a família no restaurante Sapori de Rosi, na Avenida Ipiranga, quando viu as imagens. Assustado, Ribeiro disse que teme pela segurança do Brasil.

?Imagino que essa batalha não termine tão logo.? Ele não acredita numa guerra mundial, mas acha que esse ?duelo? vai afetar ainda mais a economia dos países que já sofrem as conseqüências do atentado de 11 de setembro.

Menos preocupado, o mâitre do Café Ballon, Mário de Almeida, disse acreditar que o bombardeio seja um fato isolado. Ele também viu as imagens pela televisão, como os clientes, pois o restaurante estava cheio. ?Algumas pessoas olhavam assustadas, outras nem ligavam.?

Para o bancário Carlos Eduardo Caldas, de 28 anos, a situação é muito delicada. Ele não acreditava num confronto. Caldas estava no carro, quando ouviu a notícia do bombardeio pelo rádio. ?Dei uma balançada.?

Apesar de apreensivo, Caldas não acredita no envolvimento do Brasil. Para ele, o confronto deve permanecer entre os Estados Unidos e o Afeganistão, até porque os EUA são mais fortes e não precisarão de apoio.

Mas as imagens de Cabul não conseguiram superar, a partir das 16 horas, o interesse pelo jogo da seleção brasileira. Algumas pessoas que também estavam em restaurantes e bares preferiram ignorar o bombardeio. Estavam mais preocupadas com o confronto com o Chile.

Com os olhos grudados na tela, o estudante Ricardo Lima de Araújo, de 24 anos, disse que está cansado de ouvir falar em Bin Laden. ?Não podemos compartilhar do ódio dos Estados Unidos.? Sua maior preocupação era quanto ao Brasil ficar fora da Copa.

A estudante Kelly Barbosa, de 17 anos, também não se importou com o bombardeio. Ela estava assistindo ao jogo com um grupo de amigas – enquanto aguardavam a abertura de uma danceteria."

    
    
                     
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