Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Agência Estado

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

COBERTURA DA GUERRA

"Controle de imagens pelos EUA irrita governo do Catar", copyright Agência Estado, 11/10/01

"A tentativa dos Estados Unidos de controlar a transmissão de imagens da guerra e de Osama bin Laden pelas redes de televisão está deixado o governo do Catar irritado. O governo norte-americano pediu que as emissoras de televisão do país limitassem as transmissões das declarações do terrorista e chegou a enviar um recado a Doha para que o governo local solicitasse à rede de televisão Al-Jazeera uma redução nas transmissões de declarações do grupo terrorista.

Washington argumenta que as declarações poderiam conter mensagens secretas para outros grupos extremistas espalhados pelo mundo. Mas para os diplomatas do Catar, se o motivo da censura é não permitir que pronunciamentos de terroristas sejam veiculados, seria necessário primeiro determinar quem são os terroristas para cada um dos governos.

?Nesse caso, teríamos que pedir que as emissoras árabes deixassem de veicular as declarações de Ariel Sharon (primeiro-ministro de Israel)?, afirmou um dos principais diplomatas do Catar na Organização das Nações Unidas (ONU).

Para muitos intelectuais no mundo árabe, a identificação de Bin Laden como o único terrorista a ser condenado é um erro. Na avaliação de um dos principais escritores egípcios, Gamil Ibrahim, ?os países árabes não aceitam o terrorismo, mas Bin Laden e seu grupo são terroristas individuais, enquanto Israel é um Estado terrorista?.

A rede Al-Jazeera é a única que pode, segundo um acordo com o Taleban, transmitir imagens a partir do território do Afeganistão. A emissora foi a responsável por veicular o vídeo com as declarações de Bin Laden no mesmo dia em que os Estados Unidos iniciaram os ataques ao Afeganistão.

Na ocasião, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, havia se queixado do espaço que a emissora destinava ao Taleban. A resposta do governo de Doha foi que sua política era de ?liberdade total de imprensa?.

A gota d?água foi a transmissão do pronunciamento do porta-voz da Al-Qaeda, Suleiman Abou-Gheit, no início da semana, alertando que uma ?tempestade de aviões? ocorreria nos Estados Unidos."

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"TVs aceitam restringir informações do Al-Qaeda", copyright Agência Estado, 10/10/01

"A pedido da Casa Branca e do secretário de Estado, Colin Powell, a CNN e outras redes de televisão americanas aceitaram não transmitir, na versão integral, o vídeo de Osama bin Laden e as declarações da organização Al-Qaeda.

O motivo é que a administração Bush teme que este material possa incluir mensagens em código para os terroristas dispostos a lançar um novo ataque contra os Estados Unidos.

?É um pedido razoável o que fez a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice. Este é um momento em que todos devemos demonstrar responsabilidade nacional?, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer.

Fleischer indicou a possibilidade de que, depois do pedido às emissoras de TV, os jornais também recebam requisições semelhantes. ?Não excluímos a possibilidade de pedir que os textos integrais das declarações do Al-Qaeda não sejam incluídos nos jornais?, afirmou Fleischer.

Segundo a conselheira de segurança dos EUA, Condoleezza Rice, as fitas gravadas por Osama bin Laden podem conter ordens a seus seguidores para conduzir ataques. ?No mínimo, as mensagens de Osama bin Laden são propaganda, convocando as pessoas para matar os americanos. No pior dos casos, ele pode estar instruindo seus seguidores para iniciar ataques?, afirmou ela."

"Emissoras de TV vão continuar a passar discurso de Bin Laden", copyright Folah Online, 11/10/01

"As maiores emissoras de televisão do mundo decidiram não parar de transmitir declarações do terrorista Osama Bin Laden, apesar dos apelos da Casa Branca, que receia que as gravações contenham mensagens cifradas para seus seguidores.

A maioria das empresas de comunicação disse que usariam seu julgamento editorial se outros vídeos do saudita aparecessem.

Os dirigentes das emissoras norte-americanas ABC, CBS, CNN, Fox e NBC prometeram checar as novas gravações, e não transmiti-las ao vivo.

O magnata da mídia Rupert Murdoch, que controla os canais Fox News e Fox Television, além da produtora e distribuidora Twentieth Century Fox, estações de televisão e jornais, disse que suas emissoras não vão passar imagens de Bin Laden que contenham indícios de mensagens em código.

?Faremos qualquer esforço patriótico?, disse Murdoch, um australiano naturalizado norte-americano.

Julgamento editorial

A agência de notícias Reuters, que fornece material para mais de 300 emissoras de todo mundo, disse que vai continuar a distribuir o material.

?Achamos que este é um material que merece ser divulgado. Mas claro que a decisão final, de colocar o vídeo no ar ou não, é de nossos clientes?, disse o editor Rodney Pinder.

Na emissora japonesa NHK, um porta-voz informou que o material só será usado em fragmentos, ?para que não se transforme em propagada? terrorista.

A mesma decisão foi tomada pela holandesa NOS, de acordo com o editor-chefe Hans Laroes. ?Não estamos convencidos que há mensagens secretas nos discursos, mas estamos analisando o material com cuidado?, disse. Ele afirmou que a imparcialidade deve continuar a vigorar, apesar do pedido de Washington. ?Não podemos dar apenas um lado da história, o lado dos norte-americanos. Notícias do inimigo também são notícias.?

Na Itália, as emissoras estão dividida. Enquanto a TG4 disse que não vai mais colocar no ar material de Bin Laden, o diretor da TG1, Albino Longhi, disse que ?as notícias não podem ser censuradas ou escondidas?.

Já a televisão estatal russa, a RTR, explicou que não houve um pedido oficial para que a transmissão do vídeo de Bin Laden seja interrompida, e que enquanto for interessante para o público, ela continuará a ser veiculada."

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"CNN inicia ?censura? e não mostrará mais mensagens de Bin Laden", copyright
Folha Online,
10/10/01

"A cadeia de rádio e TV CNN anunciou hoje que não difundirá mensagens e vídeos de Osama bin Laden ou de seus porta-vozes sem anteriormente informar as autoridades norte-americanas.

?A CNN não difundirá ao vivo declarações da Al Qaeda e examinará previamente antes de decidir o que deve ser feito?, afirmou a rede em um comunicado.

?A política da CNN consiste em evitar difundir todas as mensagens que possam, de alguma forma, facilitar um novo ato terrorista?, afirma outro trecho do texto da emissora. ?Para decidir o que será difundido, a CNN procurará o conselho das autoridades competentes?, conclui a nota.

Duas vezes, em 48 horas, entre o domingo e terça-feira, as cadeias de informação dos EUA (CNN, MNSBC e Fox News), que lutam na guerra pela audiência, transmitiram imagens da cadeia de TV Al Jazeera, do Qatar, que difundiu mensagens de Bin Laden ou de comandantes da Al Qaeda.

A Casa Branca pediu hoje que a imprensa reavalie a divulgação de pronunciamentos da organização terrorista, Al Qaeda, liderada por Osama bin Laden, antes de colocá-los no ar.

?Na melhor das hipóteses, as mensagens de Osama bin Laden são propaganda para pedir que as pessoas matem americanos?, disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, em uma entrevista coletiva concedida nesta tarde. ?Na pior, ele pode dar ordens para que seus seguidores iniciem essas operações.?

Informações militares

Ontem, o presidente Bush enviou um memorando ao seu gabinete em que mostrava preocupação com o vazamento de informações militares secretas para a imprensa sobre os ataques norte-americanos ao Afeganistão.

Segundo o jornal paquistanês Dawn, o memorando ordenava aos membros do gabinete que os relatórios ao Congresso sejam limitados apenas aos líderes da Casa.

?É um comportamento inaceitável fornecer informações sigilosas quando tropas estão em risco?, disse Bush ontem em entrevista coletiva. Segundo ele, a questão já foi discutida com líderes do Congresso. ?Se você recebe um relatório com informações secretas, você tem uma responsabilidade.?

Al Jazeera

Ontem a Casa Branca cogitou uma possível entrevista de Bush à TV árabe Al Jazeera, que ficou mundialmente conhecida por ter fornecido as imagens do depoimento gravado de Bin Laden um dia após os contra-ataques norte-americano.

A Casa Branca disse que soube por veículos de comunicação a intenção da TV árabe em entrevistar o presidente. Este pedido seria checado e estudado pelo governo."

"Dupla de jornalistas de Israel faz sucesso com furos e factóides", copyright Veja Online, 10/10/01

"Enquanto o governo americano pede às grandes empresas de comunicação de seu país que pensem duas vezes antes de reproduzir declarações de Osama bin Laden e seus comparsas, uma dupla de jornalistas sediada em Jerusalém está fazendo sucesso internacional com informações quentes direto do front. Definindo-se como o site que ?começa onde a imprensa pára?, o DebkaFile divulga diariamente notícias que nem a CNN ficou sabendo. Muitas delas se confirmam. Mas outras tantas não passam de boato.

No dia 22 de setembro, enquanto as principais agências mundiais diziam que a Arábia Saudita e a Turquia tinham concordado em colaborar com a ofensiva americana contra o Afeganistão, o DebkaFile afirmava que os Estados Unidos passavam por dificuldades diplomáticas porque a família real saudita não aceitava que tropas americanas usassem sua moderníssima base militar de Riad, atrasando a preparação dos ataques. Dois dias depois, esta informação foi capa do The New York Times.

Na sexta-feira passada, uma das informações mais quentes veiculada pelas redes CNN e NBC foi de que forças especiais americanas e inglesas já tinham entrado em território afegão para conseguir informações sobre esconderijos dos terroristas. Quem visitou o DebkaFile dois dias antes, já tinha lido esta história.

Estes furos e outras informações quentes, veiculadas num estilo rápido, direto e, não raro, sensacionalista, fizeram a audiência do site, que já era expressiva, quase dobrar após os atentados de 11 de setembro. Atualmente, cerca de 250.000 pessoas acessam o DebkaFile por semana. E mais, cerca de 60% destas pessoas são americanos em busca de notícias sobre as ações de seu país. Além das manchetes e textos curtos publicados na página de aparência bastante simples, o site oferece um serviço pago de informações por e-mail.

Dois experientes jornalistas israelenses estão por trás do site. Um deles é Giora Shamis, que afirma ter trabalhado como correspondente de assuntos militares e de inteligência para grandes veículos ocidentais, inclusive o The Economist, desde a década de 1970. O outro é Diane Shalem, nascido na Inglaterra e criado em Israel, que também trabalhou para diversas empresas jornalísticas. Eles defendem a tese de que a grande imprensa é polida demais ao tratar de assuntos internacionais e menospreza a inteligência e o grau de informação dos leitores, portanto há margem para ir muito além na cobertura de assuntos estratégicos.

De fato, o DebkaFile é um prato cheio para quem busca informações quentíssimas. O problema é saber o quanto além dos padrões jornalísticos os redatores do site foram em cada caso. Embora tenham antecipado informações importantes nos últimos dias, eles também noticiaram que iraquianos estavam ensinando seguidores de Laden a utilizar armas biológicas e que soldados muçulmanos chineses estavam perto da fronteira com o Afeganistão, prontos para ajudar os talibãs no combate aos americanos.

Nesta quarta-feira, às 18 horas (de Brasília), o DebkaFile diz que tropas do Talibã entraram no Tadjiquistão e em quatro pontos do Paquistão, que soldados russos estão misturados aos combatentes da Aliança do Norte e preparam-se para tomar Cabul e que as forças armadas americanas lançarão, a qualquer momento, ataques a instalações da Al Qaeda no Iraque ou na Somália. Alguém arrisca dizer se algo disso é verdade?"

    
    
                     
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