Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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al-Jazira barrada em Meca

Por lgarcia em 26/02/2003 na edição 213

MUNDO ÁRABE

Em recente carta dos Repórteres Sem Fronteiras (13/2/03) ao conselheiro saudita Majlis Al-Shoura, a organização lamenta que a al-Jazira, emissora via satélite sediada em Qatar tenha sido barrada na cobertura dos rituais muçulmanos de peregrinação à Meca.

"Solicitamos vistos para nossa equipe de nove pessoas há três meses porque sabíamos que haveria grandes chances de não conseguirmos o aval", afirmou Ibrahim Hilal, editor-chefe da al-Jazira. Um oficial saudita que não quis se identificar confirmou que o pedido de vistos foi recebido e negado.

As relações entre Arábia Saudita e Qatar têm sido tempestuosas desde que a al-Jazira transmitiu em junho de 2002 um programa no qual o rei saudita supostamente insultava a família real. O conflito entre a emissora e autoridades sauditas acarretou uma crise diplomática em setembro do ano passado.

Apesar de a al-Jazira nunca ter tido uma sucursal ou um correspondente permanente na Arábia Saudita, a emissora árabe sempre pôde cobrir a peregrinação, até hoje. Muitos canais locais e até a americana CNN receberam permissão para noticiar ao vivo da Meca este ano.

Chegou ao Oriente Médio a nova concorrente da al-Jazira. O novo canal de notícias, al Arabiya ? O Árabe, em português ? é transmitido via satélite e foi inaugurado com 12 horas de notícias e programas informativos diariamente, até 3 de março, quando passa a funcionar 24 horas por dia.

A nova emissora faz parte de uma companhia chamada Notícias do Oriente Médio, sediada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A al Arabiya reunirá notícias produzidas pelas equipes da companhia em todo o mundo. O orçamento de US$ 300 milhões virá de investidores privados na Arábia Saudita, Kuwait, Líbano e Emirados Árabes Unidos.

A novidade não deve agradar à al-Jazira, emissora sediada em Qatar e mundialmente conhecida por transmitir vídeos do terrorista Osama bin Laden após o 11 de setembro. O estilo cândido das reportagens e o caráter combativo dos debates atraíram o público sedento de notícias que não as produzidas ? e censuradas ? por emissoras estatais que dominam o mundo árabe. Segundo Nadia Abou El-Magd [The Associated Press, 18/2/03], apesar de financiada pelo governo de Qatar, a al-Jazira insiste em afirmar sua independência.

No entanto, Saleh Qalab, diretor da al Arabiya, afirmou que sua emissora terá ainda maior independência que a al-Jazira, sem o estilo ocasionalmente provocativo da pioneira. "Não incitaremos instintos políticos", disse. "Vamos estimular o cérebro do público, porque acreditamos que o cidadão árabe, após diversas experiências com canais via satélite, precisa de palavras apaziguadoras."

Em busca de leitores árabes jovens

As bancas de países árabes do Oriente Médio receberão uma novidade a partir da metade deste ano: uma revista em árabe voltada aos jovens que abordará tópicos como educação, família, carreira, tecnologia, música e saúde.

Até aí, nada de excepcional. A história só complica quando a equipe responsável pela publicação é apresentada. Trata-se de editores do Departamento de Estado dos EUA, que trabalham sob a tutela de Charlotte Beers, atual secretária de diplomacia pública.

A publicação, de acordo com Amy Cortese [The New York Times, 17/2/03], ainda não tem nome. Apesar de ser patrocinada pelo Departamento de Estado, a revista evitará tratar de política.

Charlotte é responsável pela promoção de valores americanos além-mar desde os ataques de 11 de setembro. Desde então, produziu anúncios impressos e para TV, criou uma emissora de TV de língua árabe e inaugurou a rádio Sawa, estação de música pop, também em idioma árabe, que possui noticiário com perspectiva americana. O Departamento de Estado escolheu o público jovem porque, além de compor a maior parte da população árabe, é o mais receptivo à cultura ocidental.

O Departamento de Estado pagará US$ 755 mil à Magazine Group, editora da revista, para publicar os primeiros quatro exemplares. Se a parceria der certo, podem estender o contrato por 5 anos, com publicação mensal.

Esta é a segunda tentativa do Departamento de Estado dos EUA de conquistar o público árabe. Nos anos 90, a revista al Majal ? "Domínio" em português ? foi descontinuada devido à retração de gastos no setor diplomático americano.

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