Domingo, 21 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Alberto Dines

Por lgarcia em 11/11/2003 na edição 250

A DITADURA DERROTADA

“Delfim, enfim”, copyright Jornal do Brasil, 8/11/03

“Rebu, agito, confusão em Pindorama: um capítulo da nossa história recente reescrito com toda a sua brutalidade, sem as atenuações das lengalengas acadêmicas. A terceira parte do painel de Elio Gaspari sobre o regime militar (O sacerdote e o feiticeiro – A Ditadura Derrotada, Companhia das Letras) foi lançada espetacularmente na quarta-feira e, pelos extratos reproduzidos em alguns jornais, consagra-se como peça-chave para reavaliar o período GG (Geisel-Golbery). Mais do que isso: é um acabrunhante retrato do Brasil.

O diálogo de um presidente-quase-empossado (Geisel) com o seu futuro ministro do Exército (Dale Coutinho) sobre a eliminação dos dissidentes é arrepiante. Mesmo considerando que vivíamos numa ditadura no auge da Guerra Fria. Descrito por um ficcionista seria inacreditável, transcrito das gravações ipsis verbis é arrasador: derruba o mito do brasileiro cordial, flagra a violência embutida nas vísceras da nossa sociedade, escancara a insensibilidade que engrossa a alma daqueles que se abancam no poder.

?Esse troço de matar é uma barbaridade, mas tem que ser?. Declaração de Elias Maluco, Fernando Beira-Mar ou bilhete do PCC? Declaração de Ernesto Geisel, militar austero, superior, inatacável, que em outra conversa, desta vez com o chefe de sua segurança, completou o raciocínio: ?…É o que tem de fazer. Sem deixar vestígios…?

No entanto, a dupla Geisel-Golbery enfrentou a paranóia da linha dura e levou a cabo o projeto da distensão ?lenta, gradual e segura? que, 10 anos depois, materializou-se na eleição indireta de Tancredo Neves. Contraste ainda mais perturbador porque esse ?troço de matar? acabou servindo tanto para escorraçar alguns matadores como para entronizar um vale-tudo que só será exorcizado e execrado quando devidamente esmiuçado e esquadrinhado.

Se trágica é a referência aos mortos, surpreendente é a menção a alguns vivos. Vivos e vivaldinos. No extrato publicado pelo Globo (quarta, 5/11, pp. 9-13), surge com o merecido destaque e finalmente sem retoques o ex-czar da economia do regime militar.

Pela primeira vez, em 40 anos de vida pública, Antônio Delfim Netto aparece fotografado, radiografado e tomografado de corpo inteiro. O resultado é deplorável. O sangue corria nos porões e o homem da grana a embolsava. O inventor do trambique estatístico intitulado ?Milagre Brasileiro? armou uma das maiores e mais funestas operações de relações públicas de que se tem notícia.

A imprensa não a contestou porque a imprensa estava confortavelmente amordaçada pela autocensura e, sobretudo, porque a imprensa estava a seu serviço. Delfim jantava com a mídia todas as semanas e jantava a mídia. Uma das maiores fraudes da nossa história econômica foi convertida a peso de ouro num best-seller que, além de outros engodos, fabricou um ?imortal? na Academia de Letras.

Delfim já saiu ironizando as ?intrigas palacianas? mas os podres expostos na quarta-feira pelo Globo são graves. Foram verbalizados pelo seu comparsa Mario David Andreazza, pelo próprio Geisel e traduzidos na lacônica anotação do secretário da Presidência, Heitor Ferreira de Aquino: ?Ver declaração de rendimentos de Delfim Netto?.

Se examinaram a declaração de rendimentos do poderoso ministro da Fazenda não se sabe. Mas está evidente agora que alguém precisa contar a história da verdadeira ?herança maldita? que tira o sono de todos os ministros da Fazenda há mais de 30 anos.

E por que Delfim Netto continua incólume, destilando seus venenos nas colunas políticas, bajulado pela mídia (escreve em dois jornais diários e num semanário)? Simplesmente porque Delfim Netto empurrou a mídia para o buraco onde se encontra: estimulou-a a acreditar no milagre que ela própria veiculou, animou-a a endividar-se em dólar, convidou-a a diversificar de forma estapafúrdia (sempre em benefício dos empresários e nunca das empresas) e incitou-a a encalacrar-se em projetos faraônicos. O resultado ai está: jornais quebrados, glórias esmaecidas, pires na mão na porta do BNDES. E bico calado.

Delfim é intocável, um dos maiores mistérios de nossa cena política. A esquerda o adora porque, ao contrário de José Serra, que não podia botar a boca no trombone, dispunha de todos os holofotes e microfones para apontar os erros cometidos nos mandatos de FHC. Deitou e rolou. A direita delira com ele, é o deputado mais votado do PP, ex-cérebro de Maluf, agora seu sucessor — em todas as disciplinas.

Faltam dois volumes para que o jornalista complete esse roman-fleuve sem romance. Cruel reencontro com a guerra suja, retrato de um país que se iludiu e se perdeu.”

“O ditador sem ditadura”, copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 5/11/03

“Este texto foi escrito por Marcos Sá Corrêa, por encomenda da editora Companhia das Letras, para o material de divulgação de ?A ditadura derrotada?:

No dia 16 de fevereiro de 1974, numa conversa de três horas, o general Ernesto Geisel acertou os ponteiros com seu futuro ministro do Exército. Dali a semanas, tomaria posse como quarto presidente do regime militar. Vinha de uma campanha sucessória tão silenciosa que, por quase dois anos, uma das principais tarefas da censura à imprensa fora esconder da opinião pública o nome do candidato escolhido. Elegera-se por um voto – o do general Emilio Medici.

?Imagina, para que é que eu havia de querer um escritório eleitoral quando o Grande Eleitor está aqui?, disse Geisel, no conchavo palaciano que acabara de ungi-lo. Politicamente, tinha no bolso o AI-5. Economicamente, recebia nas mãos um país que nunca mais voltaria aos índices da era Medici, quando o crescimento anual bateu no patamar de 11,9%. Popularmente, estavam fora de seu alcance os 82% de aprovação dados pelo Ibope a seu antecessor.

Geisel era um interlocutor espinhoso, que discutia em voz alta e divergia aos berros. Mas naquele dia, entregando ao general Dale Coutinho o posto número dois da ditadura, estava cordato. Ouviu seu futuro ministro explicar que as coisas em seu comando estavam melhores desde que a repressão passara a matar os inimigos do regime. Coutinho era um general mirrado e cardíaco. Morreria em três meses. Mas, na conversa com o chefe, foi ele o durão.

Naquele momento, 120 mortes e 2.500 denúncias de tortura inchavam as estatísticas da repressão. O governo tinha vencido a luta armada. Mas estava acuado pelos aparelhos clandestinos que infestavam seus porões. Geisel ponderou que ?esse troço de matar? era ?uma barbaridade?, mas que não havia outro remédio. Recomendou a Coutinho que unificasse a política de repressão. E ao se despedir do novo ministro do Exército, o quarto presidente da República, no décimo ano da ditadura, concluiu que eles haviam concordado ?100% em tudo?.

É por causa de diálogos como esse – transcritos com um rigor que na última hora, com os originais a caminho do prelo, incluiu uma corrida ao laboratório para esclarecer problemas de dicção – que os melhores livros brasileiros de 2002 acabam de virar o melhor livro brasileiro de 2003. No ano passado, com ?A ditadura envergonhada? e ?A ditadura escancarada?, os dois volumes d?As Ilusões Armadas? que venderam 175 mil exemplares, Elio Gaspari deixou uma arapuca para quem se metesse, depois dele, a escrever novidades sobre a dinastia dos generais que mandaram no Brasil de 1964 a 1985. Ou seja, armou uma arapuca para si mesmo. Parecia ter arrasado em 924 páginas até as curiosidades que os brasileiros não chegaram a ter sobre o regime. E ainda tinha pela frente mais três livros do mesmo porte.

Surpresa: ?A ditadura derrotada?, que está chegando agora às livrarias, como terceiro livro da coleção e primeiro de um tríptico intitulado ?O Sacerdote e o Feiticeiro?, conseguiu melhorar o que era irretocável. Trata-se, mais uma vez, de cerca de quinhentas páginas de texto, encorpado por mais de 1.500 notas de pé de página e uma vasta bibliografia. Tão vasta que ela mesma teve que se dividir em capítulos – 66 livros estrangeiros, 91 brasileiros, 58 obras de memorialistas, 53 entrevistas, 16 dossiês, 6 arquivos. Etc. Fechado, é um tijolaço. Aberto, é levíssimo.

Seu foco é o labirinto de passos que levaram dois generais a demolir a ditadura que tinham engendrado. A rigor, o livro tem essa dupla de protagonistas. Fora de Geisel e de Golbery do Couto e Silva, só há vaga em seus parágrafos para papéis de figurantes. O deputado Ulysses Guimarães, por exemplo, que visto de fora para dentro parecia maior que os dois juntos, visto de dentro para fora cabe com folga em quatro páginas. Em compensação, o economista Delfim Netto, que naquele momento resvalava para o exílio na embaixada de Paris depois de orquestrar os seis anos de crescimento em que a renda per capita do brasileira subira 62%, ocupa mais lugar que todo o panteão dos presidenciáveis.

Encher quinhentas páginas com metade da história de Geisel e Golbery é uma temeridade. O livro trata dos três anos e cinco meses que transcorrem do bilhete cifrado avisando, em junho de 1971, que o próximo presidente seria ?o Alemão? ao momento em que o Alemão engole a derrota do regime para uma leva de oposicionistas quase anônimos, nas eleições parlamentares de 1974. Os dois volumes anteriores trabalharam com elenco de superprodução. ?A ditadura envergonhada? contou o começo e o fim da ditadura, mostrando que ambos estavam mal contados por seus acólitos. ?A ditadura escancarada? abriu as tripas da ?guerra suja?, revelando por que os dois lados dessa luta não eram capazes de dizer como ela foi.

Contra esses trunfos arrasadores, ?A ditadura derrotada? só tem uma carta. Mas que carta. É a mais surpreendente coleção de documentos já publicada sobre os bastidores da política brasileira. E talvez das outras. Extraída de arquivos pessoais, diários secretos e gravações de diálogos, ela consegue da noite para o dia transformar um dos regimes mais fechados que o país já desconheceu no período histórico mais devassado que ele daqui para a frente vai conhecer. Desde novembro de 1973, Heitor Ferreira, secretário particular de Geisel, discípulo de Golbery, confidente de ambos, leitor voraz e insaciável colecionador de segredos, gravava num aparelho Philips 85 as conversas do presidente. No palácio do Planalto, o hábito se manteve por quatro meses. Não era escuta clandestina. Geisel sabia que falava para o Philips 85. Mas poucas pessoas de confiança tomaram conhecimento dessas gravações, que se encontram em sessenta rolos de quatro faixas e somam 222 horas. E seu conteúdo nunca tinha vazado.

A mistura de pesquisa exaustiva com inconfidências quase inverossímeis dá às páginas d?A ditadura derrotada? o atestado definitivo de que a história supera, sim, a ficção. A ficção precisa de verossimilhança. A história, não. Em vez de personagens reais dizendo coisas imaginárias, as páginas de Gaspari têm personagens reais dizendo coisas inimagináveis.

Geisel se deixou gravar por um auxiliar de confiança num governo que censurou o presente e o passado mas deixou ao futuro o legado de suas próprias entranhas abertas à exposição pública. Enquanto esses diálogos eram imortalizados pelo Philips 85, fora do gabinete soprava nos ouvidos dos jornalistas o primeiro vento do que seria a ?lenta, gradativa e segura distensão?. Era o hálito de Golbery, o ?Feiticeiro? de Geisel. Eles formavam uma dupla. Mas não como na época se pensava. Golbery era um general retraído, que gostava de textos rebuscados e de cristais venezianos com formas de passarinhos.

Dá para medir a distância entre os dois pelas palavras que Golbery enfiava nos rascunhos dos discursos e Geisel extraía das versões finais. Para a oficialização da candidatura, o ex-presidente da Dow Química no Brasil recitou uma frase sobre ?as grandes empresas multinacionais, cujo potencial, para o bem, ou talvez para o mal é, e sê-lo-á, em escala maior talvez, condição essencial ao próprio desenvolvimento da Nação?. Geisel virou-a pelo avesso, falando de empresas ?cujo potencial para o bem, ou talvez para o mal, ainda não nos é dado avaliar?. Ao Colégio Eleitoral, Golbery tentou anunciar a ?coibição enérgica de toda violência ilegal, partida de onde ou de quem partir?. Geisel rebarbou: ?Isso é verdade, e vamos ver se fazemos, mas você não pode dizer?. Havia menção ao ?cidadão ferido em seus direitos ou clamando por justiça?. O presidente traduziu a indireta: ?Há uma referência velada às torturas. Eu não posso dizer isso, não é??. Entre eles, o jogo não era para empate. Na dúvida, vencia Geisel. E Golbery não falava mais no assunto.

Com Heitor Ferreira, formavam uma trinca. Mas só Geisel mandava. No governo, o secretário despachava em pé com o presidente, e as conversas a sós com Golbery não passavam de três por ano. Gaspari diz que Geisel, o ?Sacerdote?, parecia excêntrico, ?porém era apenas simples?. Participou de quase todos os golpes que tiraram do eixo os militares de sua geração, sem virar um golpista genuíno, porque ?se regia pelo manual?. Tinha ?opiniões políticas tão claras quanto operacionalmente irrelevantes?. Achava que ?todo político é falso e todo milionário é ladrão?. Nos fins de semana, despachava processos à beira da piscina. Fazia a ceia de Natal com os guardas do Riacho Fundo, porque a festa familiar recordava a morte de seu filho, Orlando, atropelado aos dezesseis anos por um trem em Quitaúna. Se o presidente Lula encontrasse intacta no palácio da Alvorada a rotina que Geisel instalou, talvez achasse que tinha voltado por engano à cadeia.

Geisel e Golbery, juntos, somavam menos afinidades do que idiossincrasias e até implicâncias. Conheciam o avesso de todos os conspiradores, porque se meteram em quase todas as conspirações. Em geral, era das mesmas pessoas que não gostavam. Acabaram com as biografias trançadas pelas voltas que a desordem política deu em suas carreiras profissionais. Ambos só atiraram em combate ao participar de golpes e contragolpes.

Se era assim, por que a ditadura haveria de acabar logo em suas mãos? A resposta completa estará certamente nos próximos livros de Gaspari. Mas as pistas deste terceiro volume apontam para a provável conclusão. Cinco dias antes daquela conversa com o general Dale Coutinho, Geisel descartara sem meias palavras um ministro do Exército. Era Orlando Geisel, o mais próximo de seus irmãos. Três anos e oito meses depois do diálogo absurdo com Coutinho, descartaria outro ministro do Exército, o general Sylvio Frota, que estava em campanha aberta para sucedê-lo, com o apoio dos oficiais que traficavam violência nos porões do regime. Nenhuma ditadura militar resiste a um presidente que dispensa dois ministros do Exército.

Antes de assumir, Geisel temia fracassar por não se considerar ?flexível o suficiente? para a função. No fim do mandato, essa se transformaria em sua maior virtude política. Graças a uma retidão movida a idéias fixas, Ernesto Geisel assumiria uma ?ditadura sem ditador? e viraria ?um ditador sem ditadura?. Mas isso também é descoberta de Elio Gaspari.”

“As mãos limpas do general sujo”, copyright Jornal do Brasil, 9/11/03

“Há muito tempo não tinha uma sensação como a que experimentei ao ler os jornais de quarta-feira com a transcrição das fitas das conversas entre Geisel e Golbery e os diálogos gravados entre o ?Pastor Alemão? e o general, linha dura, Dale Coutinho. Elio Gaspari no terceiro livro de sua extraordinária obra sobre o regime militar, A ditadura derrotada, conseguiu o que há muito tempo eu não experimentava ao ler jornais: tive uma baita surpresa, uma impressão pura.

Peguei-me (perdão, leitores) exclamando: ?Porra, então ele aprovava??. E, em minha cabeça, Geisel foi escorregando, lentamente, do purgatório (onde convivia com Figueiredo, o Esquecível), para o inferno, indo fazer companhia a outras figuras carimbadas do regime, como Médici, o brigadeiro Burnier (pra mim, verdadeiro rei do pedaço), Milton Caveirinha e muitos outros, incluindo vários paisanos, a começar pelo delegado Fleury.

Tinha Geisel na conta de um autocrata autoritário que não admitia a menor contestação à sua autoridade, como Silvio Frota e o general Ednardo Ávila Melo sentiram – duramente – na própria pele. Foi o último presidente que tinha um projeto para o Brasil, o Brasil potência, um modelo que não podia funcionar por estar desligado da democracia e das reais necessidades do país, como a educação. Foi Geisel que começou a construir a imensa dívida que até hoje nos paralisa. Recebeu um país devendo US$ 8 bilhões (uma ninharia) e o entregou devendo cinco vezes mais, na véspera da escalada da crise que a projetaria para a casa da centena de bilhão, disputando com o México um triste campeonato. O México quebrou primeiro (foi em 1982).

Era época de Brasil Grande. Comprávamos usinas nucleares por atacado (até hoje temos usinas encaixotadas). Fazíamos Itaipu, criamos projetos megalomaníacos que nos levariam à bomba atômica e ao submarino nuclear. Assistíamos à distensão ?lenta, gradual e segura?. Geisel desmanchava o porão porque não conseguia controlá-lo. Conheci vários torturadores quando, com Heraldo Dias, andei atrás do desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva e no caso Riocentro. Eram corrompidos, acostumaram-se a viver sem estarem submetidos às regras, disciplina e hierarquia militares; tinham autonomia para pilhar casas de suspeitos de subversão, torturar e até matar, sem temer qualquer conseqüência.

Muitos se tornaram marginais, envolveram-se com contrabando, contravenção ou grupos de extermínio. Alguns prosperaram, como o Capitão Guimarães, mas a maioria caiu na marginalidade. Vários foram expulsos das Forças Armadas e, ainda hoje, é possível encontrar alguns, amargurados e empobrecidos que se consideram injustiçados por, segundo dizem, terem feito o serviço sujo ?para os graúdos poderem dormir com a consciência e as mãos limpas?. As fitas reveladas por Elio Gaspari dão razão a esse argumento do porão. Geisel, como os dignitários alemães do III Reich, sabia o que estava acontecendo na Barão de Mesquita ou na Rua Tutóia. Não gostava, mas sabia, considerava a ação necessária e justificada e isso é imperdoável.

De outro lado, mais uma vez como no III Reich, estavam alguns psicopatas. Para não falar de Burnier, basta pegar o próprio Dale Coutinho como exemplo. Foi o próprio Elio que me chamou atenção para o teor do diálogo desse militar ao referir-se ao extermínio dos inimigos do regime, como neste trecho em que Coutinho (ainda não nomeado para o Ministério do Exército) diz a Geisel (ainda não empossado na Presidência): ?O neg&oacuteoacute;cio melhorou muito. Agora, melhorou, aqui entre nós, foi quando nós começamos a matar. Começamos a matar?. A frase tem um eco psicótico. ?Começamos a matar? é repetido e repetido em várias ocasiões, como se fossem várias personalidades tendo que se assegurar do acerto de suas opções.

Foi, aliás, no governo Geisel que a cúpula do ?partidão? foi simplesmente exterminada, crime hediondo e covarde, já que o PC, ao contrário da turma radical, havia optado claramente pela luta política e condenado a luta armada. Nunca pertenci ao partidão, mas votava, invariavelmente, nos candidatos que recomendava e nunca me arrependi de um só voto. Havia uma visão à esquerda aliada a um compromisso genuíno com o restabelecimento das liberdades democráticas. Não dá pra esquecer crimes como esse.

PS – Agiu certo o ministro da Previdência ao restabelecer o pagamento das pensões dos velhos com mais de 90 anos, suspenso de modo cruel e insensível, devido à suspeita de fraudes. Num país civilizado não se deve punir o cidadão honesto (e ainda mais com essa idade) por suspeitar de alguns espertalhões. Velhos com mais de 90 anos, mesmo sendo 130 mil em todo o Brasil, deveriam ser visitados em casa por cadastradores habilitados. Onde for constatada fraude, prendam-se os criminosos, mas é indispensável respeitar o cidadão e contribuinte. Isso é civilização.”

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