Domingo, 20 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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Alcino Leite Neto

Por lgarcia em 16/01/2002 na edição 155

LE MONDE

"Le Monde faz reforma gráfica para atrair leitores", copyright Folha de S.Paulo, 13/1/02

"O jornal Le Monde reage à crise que está atingindo a imprensa francesa e mundial e passa a circular a partir de amanhã com um novo projeto gráfico.

A mudança visa a ampliar a circulação do jornal e significa uma sutil popularização do diário, o mais respeitado e sofisticado da França, com uma circulação média de 395 mil exemplares diários, a maior do país.

O presidente do jornal Le Monde, Jean-Marie Colombani, disse que espera conquistar, logo na primeira semana da reforma, de 10 mil a 20 mil novos leitores. O custo total das mudanças chega a 7 milhões de euros (cerca de US$ 6,24 milhões). Segundo Colombani, a reforma irá deixar o jornal ?mais completo, claro e acessível?, adaptando-o às demandas da época. O resultado não será ?aristocrático nem vulgar?.

Vespertino fundado em 1944, o diário tem excelente qualidade jornalística, mas aspecto sisudo e enfoques muitas vezes complexos para o leitor mediano.

Na edição da última sexta-feira, das 32 páginas do jornal, 24 delas não tinham fotos jornalísticas, embora contassem com ilustrações e imagens publicitárias.

A partir de amanhã, o jornal passará a usar mais fotos. A primeira página, que privilegia a charge, poderá publicar fotografias em formato destacado.

As fotos, nas palavras do diretor de redação, Edwy Plenel, ?em nenhum caso serão editadas como meras ilustrações, mas apenas quando contiverem uma informação, como é próprio de um diário de qualidade?.

As seções de esporte e cultura serão ampliadas, visando o leitor jovem. Será dada maior ênfase à ciência e às novas tecnologias.

As seções de economia e investimentos serão modernizadas a fim de enfrentar a concorrência da imprensa anglo-sax&atildatilde; no setor. O diário Le Monde, que tem 50 correspondentes ao redor do mundo, criará também uma página diária sobre a União Européia.

Novas normas de redação serão adotadas, como a retificação de erros cometidos no jornal e a publicação ?imperativa? da notícia da absolvição de uma pessoa, em tamanho proporcional à notícia dada quando ela foi objeto de processo judicial. As normas estão fixadas no novo manual de redação do jornal, que chegou às bancas na sexta-feira, com o título de ?O Estilo do Monde?.

A tiragem do jornal subiu depois dos atentados de 11 de setembro (cerca de 10 mil exemplares a mais), enquanto a receita publicitária, como em toda a mídia mundial, caía abruptamente, com a crise econômica.

Antecipando-se ao resultado financeiro negativo de 2001, o jornal suprimiu no final do ano um suplemento de informática e fechou a revista Le Monde des Débats. Ao mesmo tempo, adquiriu o bem-sucedido semanário Courrier International. Para 2002, Colombani prevê uma queda maior ainda da publicidade, mesmo com as eleições presidenciais na França.

Em outubro, os 405 membros da Sociedade dos Redatores do Monde, que detêm 28% de ações do grupo e poder de veto, aprovaram a reorganização jurídica da empresa, de modo a permitir a sua entrada na Bolsa.

Como a lei francesa impede que jornais negociem ações na Bolsa, será criada uma holding, que garantirá para si mesma 20% dos papéis e venderá os demais ao mercado -por um preço total previsto de 100 milhões de euros (US$ 89,25 milhões). A dívida do diário Le Monde, atualmente, é de 50 milhões de euros (US$ 44,62 milhões)."

 

"Le Monde, um jornal que se renova para sobreviver", copyright The New York Times / O Estado de S.Paulo, 12/1/02

"Se os jornais refletem o pensamento das pessoas que os lêem , as mudanças no formato e no conteúdo, anunciadas na quinta-feira pelo diário Le Monde, podem mostrar como está evoluindo a nação francesa, onde este jornal já se estabeleceu como um órgão tradicional.

Há sete anos, quando estava à beira da insolvência, Le Monde renovou-se inteiramente, de forma sutil, mas sólida, separando com mais clareza o conteúdo editorial do noticiário geral e dando maior ênfase à economia.

Ampliando um pouco mais estas mudanças, os editores disseram quinta-feira que pretendem modificar o aspecto sério do jornal, enriquecendo-o com mais fotografias, para torná-lo mais alegre. E – o que é ainda mais importante – como o euro substituiu agora o franco, os editores afirmaram que irão intensificar a cobertura das finanças e das Bolsas de Valores européias. De acordo com Edwy Plenel, editor do Le Monde, essa cobertura financeira maior será ?à imagem do que existe no mundo anglo-saxônico?. E acrescentou: ?E o que existe é uma competição?.

Jean-Marie Colombani, diretor do Le Monde, disse que as mudanças fazem parte de uma estratégia destinada a adaptar-se permanentemente à mudança. Depois dos atentados de 11 de setembro nos EUA, ?nosso planeta está em movimento e é mais difícil descrever e interpretar?.

Plenel afirmou que, quando o mercado de anúncios se reativar, o jornal pretende também aumentar a cobertura de esportes e cultural e lançar uma nova revista de fim de semana. Colombani disse que as mudanças não envolveram ?nenhum investimento monstruoso?, mas custarão de US$ 5 milhões a US$7 milhões.

O anúncio foi feito alguns meses depois que Colombani revelou planos para outra mudança radical no Le Monde: o registro na Bolsa de Valores. O jornal é agora controlado pelos próprios jornalistas, por um complexo sistema de propriedade. Pela legislação francesa, os jornais não podem registrar-se diretamente na Bolsa de Valores, por isso, Le Monde irá criar uma ?holding? e depois fazer uma emissão de títulos equivalente a 20% de seu capital, esperando captar cerca de US$ 89 milhões no mercado.

Le Monde não está enfrentando agora uma crise como a dos anos noventa, quando sua circulação, que chegou a ser de 450.000 exemplares em 1980, caiu para 330.000. A redução do espaço destinado à publicidade em decorrência de uma desaceleração da economia francesa vem acarretando prejuizos há anos.

Até 2000, porém, a circulação diária paga tornou a subir para 395.000 exemplares, disse Colombani, e o grande aumento do interesse pelo noticiário depois dos atentados terroristas resultou num aumento de mais 10.000 exemplares. Colombani quer conseguir mais 10.000.

As finanças do jornal melhoraram também. Em 2.000 – último ano com estatísticas disponíveis – Le Monde teve um lucro de US$ 23 milhões sobre um faturamento de US$ 338 milhões. Mas a atual desaceleração da economia francesa está afetando negativamente a receita proveniente da publicidade, especialmente os classificados de empregos.

Colombani disse que a estratégia do Le Monde é a de resistir à tentação de reduzir agora o investimento e a qualidade. ?Estamos tentando contrariar o ciclo (econômico) para auferir melhor proveito da recuperação, quando ela chegar, o que é inevitável?.

Os jornais europeus enfrentam tempos difíceis. O conceituado jornal irlandês The Irish Times informou recentemente que os prejuízos em 2001 deverão chegar a US$ 2,3 milhões e aumentar para US$ 29 milhões neste ano. Na Alemanha, o grupo Springer, que publica os jornais Bild e Die Welt, deverá anunciar prejuízos em 2001, depois de registrar lucros nos últimos anos. Na Itália, o poderoso L’Unità, esmagado pelas dívidas, chegou a suspender a publicação em 2000, mas voltou a circular.

Parte da estratégia de Colombani consiste numa expansão: recentemente, Le Monde adquiriu a revista semanal Courier International e uma participação de 20% no diário suíço de língua francesa Le Temps, de Genebra. Sua edição on line – www.lemonde.fr – registra 200.000 a 240.000 consultas por dia; no momento está perdendo dinheiro, mas espera que uma nova política de ?zonas pagantes? mais para o final deste ano irá contribuir para equilibrar suas contas até 2004.

Le Monde, antes um jornal preferido por homens e pessoas mais idosas, afirma agora que 42% de seus leitores são mulheres e que uma terça parte de seus leitores tem menos de 35 anos.

De acordo com a estratégia de Le Monde, a formação de um público leitor depende da qualidade, mesmo em detrimento das tradicionais inclinações editoriais esquerdistas do jornal. Plenel disse que os leitores deveriam ?formar suas opiniões depois de ler nossos artigos, que podem divergir do que imprimimos em nossas páginas editoriais?."

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