Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Alcoolismo e esporte; Pelé e Ronaldinho

Por Victor Gentilli em 20/07/1997 na edição 26

Pelé, no decorrer de sua atividade como atleta, já insinuava algumas iniciativas que iriam se consagrar anos depois como “marketing”. O dinheiro que o atual ministro dos esportes conseguiu arrecadar com atividades de garoto-propaganda, no auge de seu “reinado” é incomparavelmente mais reduzido do que muitos outros atletas menores recebem hoje. Pilhas, aparelhos televisores, vitaminas, quantos produtos tiveram suas vendas estimuladas pela imagem agregada do grande futebolista.

Mesmo assim, poucos se recordam, mas o cidadão Edson Arantes do Nascimento se recusava, terminantemente, a fazer propaganda de cigarros e bebidas alcoólicas. Alguns achavam que era apenas para preservar sua imagem de bom-moço; outros, por convicção pessoal mesmo.

Muitos achavam Pelé alienado: ele não falava em política, não se engajava, não se inseria no contexto, não militava politicamente. Nem fazia campanha de cigarros e bebidas.

Um jovem de hoje, ao saber que Pelé dedicara seu milésimo gol às criancinhas pobres e afirmara que o povo não estava preparado para votar poderia achar que não era bem assim.

Contextualizar é fundamental: lembrar das criancinhas pobres era fazer caridade quando os engajados faziam revolução. Dizer que o povo não estava preparado para votar não tinha o significado literal que um jovem de hoje pode até concordar. Justificava a ausência de eleições da ditadura na época. (Embora ontem e hoje jogue água no moinho dos não-democratas)

Gérson, o genial canhotinha de ouro, contemporâneo de Pelé, não teve sua imagem abalada por propagar o uso do cigarro. Mas, apenas alguns anos depois, equivocadamente, pela mensagem a ela agregada: “é preciso levar vantagem em tudo, certo?” ( Aliás, a imprensa até hoje não se lembrou de reabilitar Gérson. Nem ele, nem aos publicitários que criaram a campanha. A vinculação da frase a um suposto mau-caratismo do brasileiro jamais foi intenção da campanha, que pretendia apenas vender cigarros.)

Os tempos mudaram

Registre-se: o anti-tabagismo da época era bem menor do que hoje. Os problemas de alcoolismo na adolescência, também.

Ronaldinho, hoje é garoto-propaganda da Brahma. Há, no próprio Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), um processo contra a veiculação da campanha, entendendo que a imagem de Ronaldinho é fortemente associada à juventude.

Eis aí uma bela pauta, completamente ignorada pela imprensa.

Aliás, quando a imprensa vai contar aos seus leitores e telespectadores que cerveja cujo rótulo exibe a expressão “sem álcool” tem álcool?

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