Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Além da comunicação

Por lgarcia em 09/10/2002 na edição 193

MÍDIA ESPORTIVA

Paulo Nassar (*)

Na busca pelo factual ? e por que não dizer do "vendável" ?, a imprensa muitas vezes equivoca-se ao dar mais importância à parte, esquecendo-se do todo. Isso ficou provado no episódio que envolveu os jogador Ricardinho e os clubes Corinthians e São Paulo. No afã de apimentar o primeiro confronto de Ricardinho com os ex-companheiros do Timão, muitos profissionais e veículos de comunicação subestimaram os atributos sempre presentes no majestoso clássico paulista, quer seja pelo talento, quer seja pela raça dos artistas envolvidos no espetáculo.

Assim, quem foi ao Morumbi no domingo, 1/9, com os olhos preparados para ver apenas "o show ou o fracasso de Ricardinho" em sua estréia ? reflexo do clima criado e realimentado pela mídia ?, teve de reorientar sua percepção para assistir a uma apresentação comum do agora meia são-paulino e apreciar um espetáculo rico com quatro gols, em que brilharam mais as estrelas de Gil e Reinaldo. Fatos como esse servem para comprovar que nem sempre a imprensa esportiva acerta na valoração do que deve ou não merecer maior destaque antes, durante e depois dos acontecimentos. Mas que também não tem pruridos em reconhecer humildemente isso. Fato positivo, porque lembra os profissionais da importância do equilíbrio e da temperança no exercício da função.

Real e verdadeiro

Crer para ver significa, muitas vezes, orientar comportamentos positivamente na direção da consecução de metas e objetivos. Em outras, todavia, pode indicar tendenciosidade, viés negativo ou manipulador. Não que tenha havido isso na semana que antecedeu o clássico paulista. Longe disso. Mas é bom que nós profissionais da pena nos lembremos sempre dos limites saudáveis que devem pautar a comunicação social. E atente que não é por acaso que me refiro à comunicação como social ? porque a literatura teima em nos lembrar os arroubos de poder e inclinações tendenciosas a que a natureza humana está sujeita, como bem exemplifica George Orwell na sentença "All animals are equal, but some animals are more equal than others".

Em determinados assuntos, vale a pena ver primeiro para crer ? ou não ? para depois valorar e informar. A comunicação nesse contexto apresenta congruência e legitimidade, além de evitar distorções. Afinal, nada melhor que os fatos e a práxis para confirmar ou não a substância e veracidade de determinadas premissas e proposições. Por mais que supervalorizem seu poder como instrumento de gestão e controle, a comunicação, por sua dialética, irá sempre sucumbir à simplicidade sagaz do que é real e verdadeiro. Por que não há manipulação que resista à leitura consciente e crítica dos fatos. Nem quando isso acontece por meio dos melhores profissionais e veículos de comunicação.

(*) Jornalista, diretor-executivo da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial)

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