Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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PRIMEIRAS EDIçõES > REUTERS

Armas químicas e biológicas

Por lgarcia em 03/10/2001 na edição 141

MÍDIA ESPECULATIVA

"Você precisa comprar uma máscara de gás?" A pergunta, proferida por Diane Sawyer, apresentadora do Good Morning América, na ABC, soou como um soco no estômago de telespectadores americanos já apavorados com a perspectiva de uma guerra. "Deve vacinar seus filhos?"

A TV está inundada de divagações assustadoras sobre armas químicas e biológicas. De acordo com Jim Rutenberg [The New York Times, 27/9/01], quase todos os programas noticiosos exploraram o assunto a fundo, sem esconder seus mais horripilantes aspectos. A NBC News, por exemplo, fez do terrorismo biológico tema do dia 25 de setembro, com reportagens nos programas Today, Nightly news with Tom Brokaw, Dateline NBC e nos canais a cabo MSNBC e CNBC.

A possibilidade de um ataque biológico ou químico foi cogitada na TV quase imediatamente após a segunda colisão no WTC, mas o assunto cresceu nos últimos dias devido a informações de que pessoas envolvidas com os seqüestradores tinham contato com negócios envolvendo materiais perigosos. Revistas e jornais também exploraram o potencial de ataques químicos e biológicos, mas a TV, com discurso inflamado e dramático, dá intensidade exagerada à discussão. Tão exagerada que alguns já questionam a contribuição da televisão caso ocorra uma espécie de histeria nacional. Outros, no entanto, acham que o tema deve ser discutido para que a nação esteja preparada para enfrentar ataques dessa natureza.

Executivos e produtores afirmam sentir a obrigação de debater um assunto que já estava em discussão entre políticos e militares. "Isso é para valer ? não se trata mais de Tom Clancy", disse John J. Stack, da Fox News Channel [referindo-se ao escritor americano especializado em romances e roteiros de TV sobre terrorismo]. "É um assunto que nosso país precisa encarar." Os executivos dizem que tentam abordar a questão de forma responsável, enfatizando opiniões de especialistas que dizem que tais agentes dificilmente se espalham entre populações numerosas.

REUTERS

Para a Reuters, não há terroristas. Os ataques de 11 de setembro não são nem mesmo descritos como atos de terror. Stephen Jukes, chefe global de notícias da agência, explicou a posição da empresa em memorando interno. "Todos sabemos que o terrorista de uns é o combatente da liberdade de outros", disse. "A Reuters sustenta o princípio de não usar o termo ?terrorista?", diz o texto. "Para ser franco, não se ganha muito chamando os ataques ao WTC de ataque terrorista."

"Exceto pelo pequeno detalhe de que um ato terrorista de fato ocorreu", afirma Howard Kurtz [The Washington Post, 24/9/01]. Então, pergunta o veterano jornalista, hoje crítico de mídia, por que empregarr a abordagem moral neutra? "Estamos tentando tratar todo mundo no mesmo nível, independentemente de quão trágico foi o ocorrido para os EUA e o resto do mundo", disse Jukes em entrevista. Ele afirmou que não quer pôr em risco a segurança da equipe. "Nossos correspondentes estão em Gaza, na Cisjordânia e no Afeganistão. A partir do minuto em que aparentarmos estar pendendo para um dos lados, essa equipe estará em perigo."

Nem todos da agência estão contentes com a política interna. Jukes reconhece que houve "um debate emocional" com editores de notícias da Reuters do mundo todo. Mais tarde, com pensamento lógico mais apurado, decidiram que referências ao terrorismo são permitidas apenas quando citadas por alguém. "Estamos lá para contar a história, não para avaliar a causa moral."

    
    
                     

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