Segunda-feira, 28 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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PRIMEIRAS EDIçõES > CÂMARA MUNICIPAL DE SP

As denúncias da Vejinha

Por lgarcia em 08/07/2003 na edição 232

CÂMARA MUNICIPAL DE SP

Deonísio da Silva

A revista Veja São Paulo é conhecida por Vejinha e seu endereço na internet é <www.vejinha.com.br>. Vem encartada na Veja, mas apenas para quem compra a revista nas bancas da capital de São Paulo. É uma discriminação que algum dia terá de ser corrigida. Com efeito, quem a adquire na capital, paga uma revista e leva duas. Os outros leitores não dispõem de tal regalia. É uma pena, pois lhes é negado uma fonte adicional de informações pertinentes, principalmente para quem vai ao cinema, ao teatro, às livrarias e para quem freqüenta restaurantes.

Pois a Vejinha que está nas bancas está de parabéns. Sua matéria de capa trata dos supersalários da Câmara Municipal da maior megalópole da América Latina e uma das maiores do mundo. Aliás, a expressão "América Latina" remonta aos tempos napoleônicos. Napoleão quis dar à França o que da França era, ainda que usos e costumes muito peculiares não considerem, por exemplo, o Canadá como integrante da América Latina. É certo, porém, que o francês, o português e o espanhol são neolatinos. O inglês, não.

A Câmara Municipal de São Paulo é apresentada como uma Ilha da Fantasia. Os números falam mais do que as palavras. Seu orçamento é de R$ 213 milhões, 70% dos quais destinam-se à folha de pagamento. O que fazem alguns deles para merecem tanto?

Vejinha dá os nomes de dez funcionários que estão na ativa. Seus salários variam de um piso de R$ 26.478,36 a um teto de R$ 48.565,77. E entre os aposentados, os dez maiores salários começam num piso de R$ 31.255,01 e chegam a um teto de R$ 39.262,02.

Entre salários menores, aparecem o de um engraxate que recebe R$ 2.562 e um lavador de carros que ganha R$ 3.084,00.

Outros profissionais que são contratados para atender aos vereadores apresentam um quadro incompatível com os que recebem trabalhadores qualificados que não trabalham na Câmara. Um tapeceiro ganha R$ 4.738,00. Um garçom, R$ 2.684,00.

A proposta de reforma da Previdência está no Congresso. Matérias como esta da Vejinha haverão de ajudar muito nas reflexões. Tais questões são relevantes para deputados, senadores e sobretudo para os eleitores, ainda que aparentemente digam respeito apenas a vereadores paulistas.

Tais rendimentos não são apenas uma distorção salarial. Eles revelam uma ponta do gigantesco iceberg que navega por águas brasileiras. O custo Brasil passa por tais temas.

Entre outros desdobramentos, a matéria leva aos eufemismos da Casa. A maioria dos supersalários está concentrada sob a rubrica "assessoramento legislativo". A rubrica chega a ser responsável por um acréscimo de R$ 3.000,00 mensais no holerite.

Que vergonha! E como ficam o cidadão, o eleitorado e, principalmente, no caso, o leitorado? A ver navios, bem longe do porto, impotentes diante de tanto descalabro! A imprensa, entretanto, está de parabéns. E mais do que nunca está mostrando como pode prestar um serviço indispensável: informar. O que fazer com as denúncias é problema de todos nós.

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