Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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As escolhas estão feitas 

Por lgarcia em 02/10/2002 na edição 192

CORRIDA PRESIDENCIAL

Alexandre Martins (*)

O Globo foi o jornal diário mais correto na cobertura das eleições presidenciais de 2002, no que respeita à quantidade e qualidade das informações sobre os quatro principais candidatos e o cotidiano de suas campanhas. Teve o mérito de utilizar, em suas páginas nobres, a distribuição de espaço mais justa entre os diários.

O jornal do dr. Roberto Marinho está longe da perfeição, pois, assim como os outros veículos, deu mais espaço para os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e José Serra. Mas, entre os diários pesquisados pelo IBEC [O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Zero Hora, Gazeta Mercantil, Valor Econômico, Estado de Minas ] fez sua cobertura com natural competência e, acima de tudo, em silêncio.

O contrário aconteceu com a sempre pretensiosa Folha de S.Paulo. O jornal paulista, por duas vezes pelo menos, dedicou páginas inteiras para vender aos seus leitores a falsa imagem de que estaria fazendo a cobertura mais imparcial sobre as eleições presidenciais, baseado numa pesquisa de análise de conteúdos do que foi publicado pelos jornais, cujo método ? e, por conseqüência, os resultados ? são mais do que suspeitos: são completamente errados, equivocados, insignificantes, um verdadeiro passa-moleque no leitor.

Ora, se estamos falando de eleições e de política, não é permissível que entidades democráticas das mais importantes como são os jornais gastem seus preciosos espaços editoriais para fazer marketing institucional em vez de fornecer informações relevantes aos leitores.

Mas o pessoal da Barão de Limeira nunca se convence de que marketing e jornalismo devem andar separados. O leitor, acostumado com os padrões do jornal, só poderia mesmo aprovar a cobertura, o que reforça a tese de que a imprensa forma a opinião pública. E, no caso da Folha, a doutrinação de opiniões para com seus leitores é conhecida faz tempo.

Os gráficos abaixo, seguidos de tabelas, mostram que, mesmo singela, a diferença existe. Os números dizem respeito à cobertura dos dois jornais desde 1?/1/2002.

A tempo: não existe neutro no que diz respeito à percepção do leitor na leitura de uma notícia.

Mais imprevisível impossível.

*** 

A quatro dias das eleições fica impossível de fazer qualquer tipo de previsão. No que dependeu da cobertura da imprensa, Lula deveria ganhar no primeiro turno, como mostra o quadro abaixo.

Se nem os melhores especialistas em análise de pesquisas de opinião pública, às vésperas das eleições, não são capazes de arriscar um palpite, o IBEC, que trabalha com tendências, só pode afirmar que, se Lula e Serra passarem para o segundo turno ? o que ainda é possível ?, o candidato tucano tende a ocupar melhores espaços na imprensa e, por conseqüência, vencer as eleições.

Serra seria privilegiado pela mídia impressa porque conta com, por exemplo, apoios explícitos de veículos como O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil e Veja. [N. da R.: a revista CartaCapital, a exemplo do que havia feito o Estado com Serra, assumiu em editorial o apoio à candidatura Lula ? veja Entre Aspas, nesta edição.]

Entretanto, o debate de quinta-feira [3 de outubro], na Rede Globo, e sua repercussão na mídia será fato decisivo para a definição do primeiro turno.

Metodologia

O Índice IBEC é calculado segundo fórmula que considera os centímetros positivos e negativos de cada candidatura sobre o volume total das centimetragens de todas as candidaturas.

Entenda-se por centímetro o resultado de ponderações acrescidas aos centímetros quadrados medidos de cada fragmento de notícia publicada, analisados segundo a candidatura, o personagem, o assunto e a abordagem (positiva ou negativa) e considerando:

  1. audiência do veículo;
  2. credibilidade do veículo;
  3. localização no espaço editorial;
  4. estrutura de cada notícia.

Universo pesquisado: Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Valor Econômico, Correio Braziliense, Estado de Minas, Zero Hora, A Tarde, Diário de Pernambuco, Veja, IstoÉ, Época, Exame.

(*) Jornalista, diretor de pesquisas do Instituto Brasileiro de Estudos da Comunicação (IBEC); texto fechado às 14h50 de 30/9/02

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