Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > ANO NOVO, VIDA NOVA

As estrelas de Sarney

Por lgarcia em 08/01/2003 na edição 206

ANO NOVO, VIDA NOVA

A primeira semana do ano foi auspiciosa para o senador. Junto com o início do mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, o imortal articulista da Folha de S. Paulo teve renovado o seu mandato como privilegiado membro do cenáculo da Página Dois.

É o que se depreende do último parágrafo do seu último artigo (FSP, 3/01):

"Com saúde e a vontade Deus, continuarei a escrever na Folha, às sextas feiras, com a tolerância de Octavio Frias de Oliveira."

A frase sugere instigantes indagações :

** Foi-lhe concedido um mandato que garanta a sua presença no jornal?

** Em algum momento cogitou-se de interromper a colaboração?

** Se continua no jornal graças à tolerância do Publisher, significa que não conseguiu a mesma tolerância de outros membros da direção?

** E se Sarney candidata-se à presidência do Senado, o mandato continua valendo?

Sarney não tem apenas um boa estrela. Agora, tem quatro e quem o presenteou foi o amigo e colega de governo, Ronaldo Costa Couto (ministro várias vezes quando Sarney ocupou a Presidência), ex-jornalista, economista e historiador conceituado.

Na resenha publicada na Ilustrada (FSP, 4/1, página E-6) de um livro com artigos já publicados na Folha, Costa Couto deixa de lado a moderação mineira para garantir que a nova obra da lavra de Sarney é dessas que "ficam em pé na estante". Com apenas 240 páginas ? um prodígio de equilíbrio! E, não contente, sapeca quatro estrelas para qualificar a obra do ex-chefe.

Gosto não se discute, mas na última página do mesmo caderno cultural a primorosa reedição (oitava) de um clássico do biografismo brasileiro, "A Vida de Lima Barreto" de Francisco de Assis Barbosa, também recebeu quatro estrelas. O resenhista Nicolau Sevcenko fez um excelente trabalho, tanto sobre o biógrafo como sobre o biografado, e não precisou recorrer à metáfora barata de que um alentado livro de 458 páginas fica em pé na estante.

A Folha é, decididamente, um jornal sério. Em algumas páginas e para alguns eleitos, é uma graça.

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