Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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Batalha acirrada

Por lgarcia em 16/01/2002 na edição 155

CNN E FOX

O canal de notícias Fox News, que perdeu a apresentadora Paula Zahn para a CNN em setembro, deu o troco tirando a estrela Greta Van Susteren de sua arqui-rival. A ex-advogada era o ponto forte do horário nobre da CNN e vai ocupar o buraco que Zahn deixou na programação às 10 da noite. Van Susteren começou como comentarista jurídica e se destacou na época do caso O.J. Simpson, permanecendo em evidência graças aos sucessivos casos de tribunal que surgiram depois, como o processo de impeachment de Bill Clinton e a recontagem de votos da eleição presidencial na Flórida.

De propriedade de Rupert Murdoch, a Fox explodiu na TV a cabo há cerca de seis anos como uma alternativa conservadora à CNN, da corporação AOL Time Warner, logrando firmar-se também como diferente de sua outra concorrente, a MSNBC, cujas proprietárias são a General Electric e a Microsoft. Segundo Sally Beatty [The Wall Street Journal, 3/1/02], apesar de a rede de Murdoch atingir um número menor de lares, tem conseguido vencer a CNN em audiência seguidas vezes no horário nobre.

Depois da contratação de Geraldo Rivera, a opção por Greta Van Susteren indica que a Fox está querendo disputar diretamente com a CNN um público mais amplo. Contudo, a direção da empresa nega que esteja em busca de apresentadores de apelo menos conservador, afirmando que, na verdade, nunca teve essa posição política. Roger Ailes, presidente da Fox News, diz: "A audiência vem aumentando porque o público percebe que nós nos esforçamos em conseguir a informação”.

Matt Kempner [Atlanta Journal-Constitution, 3/1/02] informa que em 2001 a Fox News teve diariamente 463 mil espectadores, enquanto a CNN liderou, com média de 577 mil. Desde os ataques terroristas de 11 de setembro, a audiência dos canais de notícia tem crescido muito. Resta saber se os níveis se manterão altos quando este assunto morrer.

Sexy, oh yeah

A CNN, além de ter a concorrência da Fox pisando em seus calcanhares, tem enfrentado recentes problemas. O canal CNN Sports Illustrated deve fechar as portas ainda em 2002, deixando 200 funcionários na rua. Será a maior demissão na rede de TV depois dos 400 que despediu há um ano. Em seus cinco anos de existência, o Sports Illustrated nunca deu lucro, e os executivos da AOL Time Warner agora querem substituí-lo por um novo canal produzido em parceria com a NBA, a associação americana de basquete.

Outra confusão foi gerada pelo comercial que a CNN colocou no ar nos dias 5 e 6, em que Paula Zahn é chamada de sexy. “Foi uma grande asneira de nosso departamento de promoção”, admitiu Walter Isaacson, presidente da TV. Com duração de 15 segundos, o anúncio pergunta, enquanto os adjetivos piscam na tela: “Onde você pode encontrar uma âncora de jornal da manhã que seja provocativa, super-esperta e, oh yeah, um pouco sexy?” Logo em seguida, a resposta: “Na CNN, yeah, na CNN.” Para piorar, quando o locutor profere a palavra sexy, ouve-se o som de um zíper se abrindo. “A direção da CNN me pediu desculpas, e garantiu que um erro como este não voltará a acontecer”, comentou a apresentadora com David Bauder [AP, 7/1/02].

MTV + SHOWTIME

A MTV e o canal Showtime deverão lançar, dentro de um ano, um canal por assinatura com programação voltada ao público gay. Embora a informação ainda não seja oficial, Max Robins [TV Guide, 12/1/02] informa que fontes ligadas ao meio confirmam que as duas TVs, ambas do grupo Viacom, qquerem atrair os 6% da população americana adulta que se diz gay ou lésbica.

Ainda não está definido se será um canal com publicidade ou sustentado por assinaturas. Há um mercado publicitário forte para este segmento, que poderia manter a programação. Grandes empresas, como a automobilística GM e a cervejaria Miller, já fizeram publicidade específica para o público homossexual. No entanto, a opção por um canal assinado separadamente parece a melhor solução, pois evitaria a mobilização de grupos antigays. Estima-se que o mercado GLS tenha poder de consumo de até 350 bilhões por ano.

Na TV americana não são novidade os programas voltados aos gays. O Showtime inaugurou esta modalidade em 1984 com a série Brothers. Hoje, faz sucesso com o seriado Queer as Folk, que no Brasil passa no canal a cabo Cinemax, com o título de Os assumidos. Desde 1992 a MTV inclui personagens gays no reality-show Real World, que ganhou versão brasileira chamada Na real, com personagens homossexuais. Outra inspiração para o projeto é o sucesso do canal gay Pridevision no Canadá.

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