Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > THE NEW YORK TIMES

BBC e NYT, farinha do mesmo saco

Por lgarcia em 05/08/2003 na edição 236

THE NEW YORK TIMES

Publicado alguns dias antes do prestigioso Times tentar se reerguer com a série de mudanças anunciadas, um artigo de Robert L. Bartley [The Wall Street Journal, 28/7] soaria injusto se fosse às ruas hoje. “Com o New York Times e a British Broadcasting Corp. na sopa, algo grandioso deve estar acontecendo no jornalismo”, afirmou, nas primeiras linhas.

Do alto dos 30 anos de carreira como editor-sênior, Bartley acha que estamos chegando ao fim da era da “objetividade” que dominou o jornalismo até agora. “Temos que definir uma nova ética que dá legitimidade à opinião, honestamente revelada e disciplinada por algum senso de dignidade”, afirmou.

“Apesar de ser jornalista de opinião, certamente não sou contra tentativas de objetividade. Aliás, acredito que a ética é uma influência mais poderosa do que alguns leitores e espectadores possam imaginar. Não é verdade que ao alegar ?objetividade?, a imprensa sempre se vê como árbitro perfeito da verdade elementar. Essa é uma pretensão além da capacidade humana.”

O articulista disse que, com avanços tecnológicos, os jornais têm de se impor não apenas noticiando eventos, mas explicando seus significados. E essa, segundo Bartley, é uma forma de emitir opinião.

Bartley também diz que as opiniões dos jornalistas tendem a uma uniformidade surpreendente ? não porque haja alguma conspiração, mas porque jornalistas espontaneamente pensam parecido. “O problema é que a forma de pensar dessa ?tribo? está, no momento, divorciada de pensamentos e atitudes dos leitores.”

“Assim, um editor que tenta imprimir objetividade precisa lidar com uma redação dominada por um único ponto de vista”, escreveu. “Alguns editores são melhores que outros em impor disciplina, e algumas organizações são melhores que outras em construir e sustentar uma cultura que apóia esforços de objetividade.”

O problema da BBC, para Bartley, parece clássico. A corporação admite que David Kelly, o cientista da biodefesa britânica que se suicidou, foi de fato a fonte principal da reportagem de rádio de Andrew Gilligan. A matéria dizia que o governo havia adulterado trechos de um dossiê sobre armas de destruição em massa no Iraque. Em seguida, Gilligan frisou isso no papel, em artigo ao Mail, no qual dizia que sua fonte culpava Alastair Campbell, diretor de comunicações do premiê Tony Blair.

Kelly, segundo o colunista do Journal, não era ? como muitos pensavam ? um funcionário sênior da inteligência, de liderança política. Além disso, o próprio Kelly disse depois não saber como Gilligan havia tirado conclusões tão arbitrárias a partir de suas declarações.

A BBC continua se defendendo, inferindo indiretamente que não é responsável pelo que seu repórter escreveu no Mail. Mas investigações indicaram que anteriormente Gilligan tinha noticiado, de Bagdá, que as tropas americanas não haviam tomado o aeroporto local, quando na verdade haviam. “O rapaz precisava claramente de atenção, e a cultura da BBC, antiguerra e anti-Blair, não soube perceber.”

Na opinião de Bartley, o caso do NY Times “é complicado pela questão da política de cotas para minorias”. “Como admitiu o editor-executivo Howell Raines antes de pedir demissão, Jayson Blair não era monitorado de perto em parte por ser negro.”

Encerrando o texto, Bartley disse que “a partir do momento em que os jornalistas lidam de maneira crescente com opiniões subjetivas, deveriam parar de vestir a máscara da ?objetividade?.”

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