Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > 23/12/2002

Bernardo Ajzenberg

Por lgarcia em 01/01/2003 na edição 205

“Crítica Interna”, copyright Folha Online (www.folha.com.br/ombudsman)

“27/12/2002

De uma forma ou de outra, a inflação ocupa todas as manchetes dos jornais hoje, com exceção do ?Estado? (?Lula diz que falta de dinheiro assusta, mas vai investir no social?). A Folha destaca o maior IGP-M desde 94. O ?JB?, com base em ata do Copom, enfatiza os aumentos nas tarifas em 2003. O ?Globo? (?Preço do remédio ficará congelado por três meses?) traz a manchete que seria, se confirmada, a mais quente do dia (manchete também do ?Agora?, com base em texto da agência Globo) – a verificar.

Primeira Página

Creio que merecia chamada na capa o abre ?Jornal relata tortura da CIA no Afeganistão? (Mundo, pág. A9). É um material pesado e de fôlego do ?Washington Post?.

Pastel

O texto ?Não haverá recursos para investir em 2003, diz Lula? (Brasil, pág. A4) atribui ao presidente eleito a seguinte frase: ?Em vez de ficar chorando o leite derramando (sic) e reclamando do que não foi feito, vamos tratar de fazer a nossa parte?. Suponho que o uso do gerúndio no verbo derramar tenha ocorrido por erro de digitação.

Novo governo

1) A Folha recupera hoje, na página A5, o furo levado ontem sobre a indicação dos novos comandantes das três Forças. Não traz, porém, informação a respeito da idade deles nem de seu passado, digamos, mais distante (onde estavam ou que atuação tiveram, por exemplo, durante o regime militar?);

2) A rigor, a equipe que se reúne com Lula hoje –o futuro ministério– não é formada por pessoas ?nomeadas?, como diz o lide do abre da pág. A5 (?Porta-voz do ?aperto?, Palocci quer ministros ?obedientes?). Lula ainda nem tomou posse, portanto não pode nomear ministros, mas apenas anunciar seus nomes;

3) Registro para a informação de que o Tesouro (subordinado à Fazenda, leia-se Palocci) deverá ser chefiado por Joaquim Levy, atual economista-chefe da Assessoria Econômica do Planejamento. Está no ?Valor? e no ?Estado?.

Puro-sangue

O quadro com os secretários da governadora Rosinha Matheus, na pág. A7, mostra a filiação partidária (ou não) de cada um deles. Pode-se ver que, do total de 27, 15 são do PSB. Por curiosidade, fiz as contas e constatei que o partido (PSB) tem ali o mesmíssimo percentual (55,5%) de participação que o PT terá no futuro primeiro escalão do governo Lula (20 contra 36, conforme retranca na pág. A5).

O quadro com a nova equipe de Alckmin, na mesma página, não registra esse dado (mesmo para os nomes já definidos), a não ser em um caso. Não dá para saber, a partir daí, o quão é, ou não, ?puro-sangue? o novo secretariado paulista. Quando o quadro estiver completo, seria importante, como no caso de Rosinha e de Lula, registrar a informação.

Venezuela

1) Mesmo que seja, eventualmente, sob uma suposta pressão petista, quem está enviando gasolina a Caracas é o atual governo (FHC). Não entendo por que o jornal não publica uma única linha deste governo sobre a polêmica decisão. O ?Estado? traz algo do Itamaraty;

2) Padronização: o abre da página A8 (?Lula rebate crítica da oposição venezuelana?) trata como ?Marco Aurélio?, em três oportunidades, o assessor de Lula (para a área internacional) Marco Aurélio Garcia. Não seria mais apropriado chamá-lo de Garcia?

O pulso

Ao justificar que, para a Anatel, as cobranças ao consumidor deveriam passar a ter como base o minuto de conversação e não o pulso telefônico, a reportagem ?Reajuste de tele pode ter teto maior? (Dinheiro, pág. B2) afirma, corretamente, que ?poucos consumidores sabem a duração de um pulso?. Acrescento: idem para os leitores. O texto, porém, tampouco informa qual é, afinal, a duração de um pulso.

Inversão

O texto ?Pedidos de seguro-desemprego diminuem nos Estados Unidos? (Dinheiro, pág. B8) abre com essa informação, baseada em números de pesquisa semanal. No terceiro parágrafo, porém, depois de haver registrado (no 2o) que aquela pesquisa é ?volátil? (por causa das sazonalidades), o texto informa que a pesquisa mais ?est&aacaacute;vel? é a quadrissemanal, que aponta, ao contrário, um leve crescimento nos pedidos de seguro-desemprego. Ora, se essa Segunda pesquisa é mais estável do que a outra, por que não abrir o texto (e seu título) com ela? Não deu para entender.

Saúde em SP

A reportagem de capa de Cotidiano revela uma situação crítica na administração da Saúde paulistana. Corretamente, ouve-se, também, o atual secretário, Paulo Carrara.

Estranhei, no entanto, a ausência de pelo menos alguma declaração de Eduardo Jorge, o secretário anterior, que acaba de deixar a função (supostamente para retornar em 2003) a fim de reassumir mandato parlamentar e que era, até, cotado para o ministério de Lula. O que aconteceu com ele?

Privacidade

O jornal registra em side ao pé da página C6 (edição SP) a entrada em vigor do sistema de vigilância com 333 câmeras das ruas da Praia Grande. OK. Mas esse sistema, até onde sei, pode ser visto por alguns especialistas como ?atentado? à privacidade, mesmo sendo instalado em local público. Pergunto: não seria o caso de a Folha ?problematizar? o assunto, estimular uma discussão mais ampla a partir desse caso particular, em vez de apenas tratá-lo como normal, mero registro?

Básico

1) Em nenhum momento a capa da Ilustrada sobre a filmagem de ?Diários de Motocicleta? informa quem foi Che Guevara, figura da qual o filme trata, e seu lugar histórico. A palavra Cuba simplesmente não aparece;

2) A legenda, o filme e a reportagem falam em moto ou em motocicleta. A foto (reprodução) de Guevara, porém, mostra o ?herói? numa bicicleta (motorizada). Mas foi nesse veículo (então não é uma moto…) que ele fez a viagem pela América Latina? Faltou explicação;

3) A contracapa da Ilustrada traz material sobre o filme ?Frida? (a respeito da pintora mexicana Frida Khalo) e a polêmica criada em torno dele nos EUA e no México. Não informa nada, porém, sobre quando a película deve passar (ou não) aqui no Brasil.

26/12/2002

O único assunto realmente quente, nesses dias, tem sido a montagem do novo governo e as expectativas em torno dela. Nesse sentido, chama a atenção hoje, em termos comparativos, a ausência na Folha da revelação, feita pelos concorrentes, dos nomes dos três novos comandantes das Forças Armadas escolhidos por Lula. Em contrapartida, acerta o jornal, sem dúvida, ao dar a manchete para a Venezuela (?Oposição a Chávez acusa o Brasil de intromissão?), país candidato a constituir uma das primeiras pedras no sapato do governo do PT.

Edição de quinta-feira, 26 de dezembro

Sem erros?

A de hoje é a segunda edição seguida sem a publicação de ?Erramos?. Posso estar equivocado, mas essa ausência parece se dever mais a certo ?relaxamento? natalino do jornal do que a um acerto 100% do jornal -situação que, como sabemos todos, é, por uma série de motivos, virtualmente impossível.

Dois pesos…

A reportagem ?União corta verbas de projeto habitacional? (Brasil, pág. A6), ao dar exemplos de situações problemáticas na implementação do programa federal Habitar, menciona o partido responsável pela administração de Santo André (PT), mas não o faz no caso de Vila Velha, no Espírito Santo.

Metodologia

Ao expor a dimensão do levantamento feito pelo Datafolha, o texto ?Maioria espera boa atuação de eleitos? (Brasil, pág. A6) afirma que ele foi realizado ?em todas as unidades da Federação?.

OK, é um pouco mais preciso do que dizer que foi ?em todo o país?, como afirmou o jornal num texto recente. Mesmo assim, a dúvida persiste: foi apenas nas capitais? Ouviram-se pessoas de cidades menores ou em áreas rurais? Não existe essa informação -relevante, no entanto, para quem procurar ir um pouco ?mais fundo? na tentativa de interpretar politicamente os dados apresentados.

Crianças

À pergunta ?Quantas crianças deveriam receber o Bolsa-Escola??, o quadro ?Gasto social aumenta? (Brasil, pág. A7) responde em número absoluto de crianças, mas o ?bigode? fala em ?milhões de R$?.

Legenda para cegos

É o caso da que está sob a foto do papa no side ?Espírito natalino?, em Mundo, página A8: ?O papa põe a mão no rosto durante o discurso anual de natal, ?Urbi et Orbi?, no Vaticano?.

Tenho dúvida, ainda, se o pontífice não está, na verdade, ajustando o seu ?chapéu?.

Diploma

Um leitor chama a atenção para afirmação da coluna Brasília de hoje, ?Os ?sem-diploma? (pág. A2), segundo a qual o diploma de presidente da República é o segundo recebido por Lula. Seria, a rigor, o terceiro, afirma o leitor, já que ele também recebeu o de deputado federal na década de 80.

A verificar.

Nomes

O nome que aparece na camisa do jogador da seleção da Palestina na foto da Panorâmica da pág. D1 (Esporte) é Bishara. O texto, porém, fala em Bishira.

Caso Pedrinho

Para quem acompanha o Caso Pedrinho, é relevante a informação de que o garoto passou o Natal (dia 25) ao lado dos chamados país biológicos, conforme registro do ?Globo? e do ?DSP?. Não vi a informação na Folha.

Edição de terça-feira, 24 de dezembro

Ministro

É Roberto Amaral, e não Ricardo Amaral, o nome do dirigente do PSB anunciado por Lula para ministro de Ciência e Tecnologia. O erro está no abre da página A4 (Brasil), ?Lula expande ministério e nomeia maioria do PT?.

23/12/2002

Ainda bem que o presidente eleito descumpriu sua promessa de anunciar em bloco o novo ministério. Como se viu no fim de semana, as indicações feitas a conta-gotas, seus bastidores e as especulações em torno dos nomes pendentes tornaram menos frias as páginas dos jornais, que, nesta época do ano, salvo acidentes de percurso (como as chuvas em Teresópolis), tendem naturalmente a carecer de assuntos realmente quentes. O Natal, assim, foi ?salvo?, enquanto a posse de Lula deve ?salvar? o Réveillon.

Edição de segunda-feira, 23 de dezembro

Descuido

É difícil pensar em outra coisa que não seja em certo descuido editorial no caso da entrevista com o deputado federal petista João Paulo Cunha (?PT pode fazer bloco com PMDB, afirma João Paulo?, Brasil, pág. A4). O tom do pingue-pongue vai na direção de expor uma espécie de plataforma da ?campanha? do parlamentar pela presidência da Câmara. O jornal não traz, porém, nenhuma informação sobre o seu perfil, idade, formação, histórico político, a que ala do partido pertence etc. Esse tratamento não apenas desrespeita o formato da ?Entrevista da 2a? como também, o que é pior, ignora a necessidade do leitor de ter informações básicas sobre o entrevistado.

Campanhas

O texto da reportagem ?Doação para campanha do PT cresce 673%? Brasil, pág. A6), manchete do jornal, afirma que os aumentos nela revelados ?…desconsideram a inflação de 76% (IGP-M de novembro de 1998 a novembro deste ano)?. Se entendi bem, significa que esses aumentos são nominais (não se desconta a inflação do período), e não reais. Tudo bem. Mas, se é assim, pergunto: por que não fazer o cálculo pensando também nos aumentos reais? O caso do PSDB, por exemplo, perderia força e até se inverteria: o aumento das verbas de campanha do partido, na reportagem, foi de 40%, mas, se se considerasse a inflação (76%), teria havido uma redução real. A verificar.

Sísifo

1) Faltaram as idades do procurador aposentado Álvaro Ribeiro da Costa, em ?Advocacia Geral terá procurador aposentado? (Brasil, pág. A5), e do pintor goiano Siron Franco, em ?Artista pintará 2 telas para FHC? (Brasil, pág. A7);

2) Faltou um mapa da região do golfo Pérsico em ?EUA armam ataque por mar ao Iraque?, Mundo, pág. A8;

3) No texto ?Livro articula olhares sobre artista paulistano? (Ilustrada, pág. E2), a respeito de Francisco Rebolo, faltou informar ao leitor, entre parênteses, os anos de nascimento e de morte do pintor.

Concessões

Um registro para reportagem do ?Estado? segundo a qual o Senado aprovou em apenas dois meses e meio, passada a eleição, quase 300 concessões, licenças e permissões de rádio e TV.

Nomes

No abre do caderno Cotidiano (?Deslizamentos matam 13 em Teresópolis?), dois irmãos mortos se chamam Thaís Barbosa e Rian Barbosa. Na sub-retranca ?Ao menos quatro morrem em festa de aniversário?, os mesmos irmãos se chamam Thais de Jesus e Rian de Jesus. Qual é a informação correta?

Garantias

1) Contrariando orientação do ?Manual?, o quarto parágrafo do texto ?Chávez retoma petroleiro-símbolo da greve? (Mundo, pág. A9) usa o verbo garantir como sinônimo de afirmar, declarar etc;

2) A sub-retranca ?Fundo receberá dinheiro de multas? (Cotidiano, pág. C3) afirma: ?A criação do Fundo Municipal de desenvolvimento de Trânsito (FMDT), aprovada em primeira votação, garantirá que 95% dos recursos provenientes de multas sejam mantidos em uma conta única e destinados diretamente a atividades específicas do setor…?. Garantirá mesmo? Não teria sido mais prudente usar algo na linha ?deverá garantir??

Alicerces

O texto ?Comunidade tenta reconstruir favela Paraguai após incêndio? (Cotidiano, pág. C5) relata que um carroceiro ?…começou a levantar, no meio das cinzas, os alicerces de madeira de seu futuro barraco?. Até onde apurei em dicionário, alicerce é a base sobre a qual se ergue alguma coisa.

Como se pode ver inclusive na foto da reportagem, o que se ?levantam?, ali, são as paredes do barraco, suas ?colunas?, não os seus alicerces. A verificar.

Falta de assunto

Sabemos que é difícil haver nesta época do ano notícias que justifiquem os espaços a elas dedicados no jornal. Mas o caso do abre ?Rodízio está suspenso a partir de hoje? (Cotidiano, pág. C6) é um exagero. Chega a ficar engraçado. A notícia cabia em quatro ou cinco parágrafos, tranquilamente. A título de ?contextualização?, porém, outros sete são acrescentados, com todos os detalhes sobre o rodízio de veículos? (histórico, funcionamento, motivação, e até mesmo os nomes de todas as avenidas que fazem os limites do chamado centro expandido).

Edição de domingo, 22 de dezembro

Toneladas

O título ?ONG arrecada cinco toneladas de alimentos? (Brasil, pág. A5) não corresponde ao texto, que fala, na verdade, em 5.107 toneladas arrecadas. Um dos dois está errado. Qual é a informação correta?

Acabamento

Editado como se fosse uma notícia ou uma reportagem, o texto ?Dependência externa cresce nos anos FHC?, abre da contracapa de Dinheiro, sob o chapéu ?Em transe?) é, a rigor, um (bom) texto de apoio ou de análise. Requeria outro tratamento gráfico.

Esclarecimento

Na crítica interna do dia 17 passado, expus estranheza quanto ao fato de haver, dentre os que enviaram votos de boas-festas ao jornal, um certo ?Daniel (São Paulo-SP)?. O Painel do Leitor esclarece –e agradeço por isso– que se trata do cantor sertanejo. Para reflexão: em casos excepcionais como esse, que podem suscitar dúvida, talvez valesse a pena alguma explicitação.

Aviso

Devido ao Natal, amanhã e depois de amanhã (dias 24 e 25 de dezembro), não haverá crítica interna. Ela retorna na quinta, dia 26.”

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