Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Bernardo de la Peña

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

DOSSIÊ CREDIBILIDADE

"Impulsionadas pela estabilidade econômica e pelo aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas, as vendas de jornais no Brasil cresceram 5% ao ano de 1996 a 2000. A informação faz parte do estudo da consultoria McKinsey & Co. apresentado ontem no 3 Congresso da Associação Nacional de Jornais (ANJ), no Rio. De acordo com o levantamento, a circulação dos jornais no Brasil aumentou depois do Plano Real graças ao crescimento dos jornais populares.

De 1996 a 2000, as vendas de jornais passaram de 6,4 milhões para 7,8 milhões de exemplares por dia. Enquanto a participação dos líderes caiu de 25% para 20% do mercado, a participação dos jornais populares passou de 11%, em 1996, para 17% do mercado no ano 2000.

Para o presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto, os números são animadores:

? Esse é um sinal extremamente positivo. É o que mais me anima. As classes A e B têm um nível de leitura de jornal de primeiro mundo. O que conseguimos fazer é atrair leitores que não tinham interesse por esse tipo de informação.

Ele disse que o crescimento dos jornais populares mostra uma tendência:

? Quando se cria o hábito de leitura, com os veículos populares, as pessoas acabam comprando outros tipos de jornais.

Adriano de Araújo, diretor do jornal ?Agora São Paulo?, o popular do Grupo Folha, concorda com a tese:

? Os jornais populares vão ser os grandes conquistadores de leitores ? disse Araújo, que é a favor das promoções para se aumentar as vendas de jornal. O diretor do ?Agora São Paulo? disse que os populares devem se preocupar em publicar um volume maior de notícias por páginas.

O congresso da ANJ, encerrado ontem, foi o maior da história da associação e teve aproximadamente 400 participantes. Ao apresentar o estudo da McKinsey, Jorge Fergie, sócio da consultoria, disse que os jornais precisam estar atentos para conquistar novos leitores, mas também para a fidelidade dos atuais. No mesmo painel, o diretor de mercado da Infoglobo, José Padilha, defendeu a importância de se atender aos anseios dos clientes com projetos especiais.

? Temos que colocar nosso cliente, leitor ou anunciante, na cadeira condutora ? disse Padilha.

No congresso, foi debatida também a integração entre a redação e os departamentos comerciais dos jornais."

"O Plano Real incorporou, de 1996 a 2000, mais 5% de brasileiros ao ano ao hábito da leitura de jornais, com a circulação passando de 6,472 milhões de exemplares diários em 1996 para uma média de 7,883 milhões de exemplares em 2000. Essa é uma das conclusões de pesquisa realizada pela consultoria McKinsey & Co., apresentada ontem no 3.? Congresso Brasileiro de Jornais e 1.? Fórum de Editores, promovidos pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), no Rio. De acordo com os dados analisados pelo sócio-diretor da McKinsey, Jorge Fergie, o acréscimo de leitores ocorreu nas camadas mais pobres da população, tanto que o maior crescimento de tiragem foi o dos chamados jornais populares, que saíram de uma participação de mercado de 11% em 1996 para 14% em 1998, 16% em 1999 e 17% no ano passado.

Na direção oposta, os jornais líderes ? O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, Zero Hora, Estado de Minas e Correio Braziliense ? saíram de uma participação de mercado de 25% em 1996 para 24% em 1997, 22% em 1998, 21% em 1999 e 20% no ano passado, com uma queda de 1% ao ano na tiragem, enquanto os populares lideraram o crescimento.

Como o preço, mais do que promoções como sorteios e brindes, foi fator determinante nesse cenário de incorporação de novos leitores, num ritmo superior ao da retração de tiragem dos líderes, os jornais devem se preparar, segundo Fergie, para reduzir margens. O que será possível, na sua avaliação, por meio de parcerias estratégicas.

Para o presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto, pesquisas como a de credibilidade, que a instituição encomendou ao DataFolha ? revelando que depois da Igreja Católica é nos jornais que o brasileiro confia mais ? e a da McKinsey serão objeto de análise mais aprofundada.

?Este foi o maior congresso realizado pela entidade que congrega os jornais brasileiros, com quase 400 participantes, dando início a um importante debate sobre o segmento?. Um debate que, promete Francisco Mesquita Neto, terá continuidade. A vitalidade do meio jornal e sua capacidade de responder rapidamente às transformações tecnológicas, mesmo jornais de pequenas cidades do interior do País, é, segundo Francisco Mesquita Neto, uma arma importante num ambiente de forte concorrência na transmissão da informação ao público."

***

"A credibilidade é o principal ativo de um jornal. Ninguém discorda. Mas a integração dos diferentes setores desse segmento da indústria da informação, especialmente a do seu coração pulsante que são as redações responsáveis pela geração de conteúdo e, este, pelo ativo chamado credibilidade, com as áreas comercial, de circulação e tecnologia continua a ser um desafio. O fio de uma navalha que pode ferir essa credibilidade e os profissionais envolvidos no fazer jornal. No entanto, essa integração precisa ser perseguida para o fortalecimento do negócio, mesmo que isso implique, a princípio, numa delicada agenda de conflitos. Essa foi a principal conclusão do 3.? Congresso Brasileiro de Jornais e 1.? Fórum de Editores, promovidos pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), no Rio.

Para o diretor de Redação do diário gaúcho Zero Hora, Marcelo Rech, algumas experiências são bem-sucedidas quando não há interferência da área comercial ou de circulação no conteúdo do jornal. Ele exemplicou: hoje, o diretor de circulação do Zero Hora participa das discussões da capa do tablóide, o que lhe permite identificar os locais onde uma ou outra edição terá maior repercussão. Também citou uma série de reportagens sob o título Gaúchém paros de Bombacha, financiada pela New Holland.

Para o professor do Master de Jornalismo para Editores e colaborador do Estado, Carlos Alberto Di Franco, esses são exemplos de como a integração pode irrigar a área de redação com novos investimentos, por meio do diálogo entre as partes. ?Durante décadas essas áreas ficaram estanques, o que é ruim para o jornal?, disse Di Franco, que acredita ser fruto de preconceito essa falta de integração, que pode ocorrer sem que seja considerada pecaminosa.

O ex-diretor da Monsanto nos Estados Unidos e vice-presidente de O Dia, Fernando Portella, reforçou a idéia de que a integração é importante para o fluxo de caixa e os novos investimentos em tecnologia, mas concorda ser ainda um desafio.

O vice-presidente de Assuntos Corporativos do Banco Santander, Miguel Jorge, disse que a discussão é antiga, mas não perde a atualidade justamente pelo conflito que envoca, por serem os jornais dependentes da sua credibilidade para a própria comercializaçção e circulação. Um debate que ainda está longe do fim."

    
    
                     

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