Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > SALA DE AULA

Biografia de Rui Facó

Por lgarcia em 20/05/2003 na edição 225

SALA DE AULA

Luis Sergio Santos

Sou professor do Curso de Comunicação da Universidade Federal do Ceará, e estou escrevendo a biografia do escritor cearense Rui Facó, com o título provisório de Rui Facó, o homem e sua missão.

O objetivo é resgatar a história do autor de Cangaceiros e fanáticos, sua formação, os laços de família, o engajamento político, a militância, o compromisso social, a obra, a morte. O livro deverá ser publicado em janeiro de 2004: a pesquisa está em pleno andamento, ao mesmo tempo em que escrevo a obra.

O trabalho tem a seguinte estrutura: Introdução, Ensaio biográfico (com vários capítulos), Memória iconográfica, Fac-símiles e Anexos (textos dispersos de Rui Facó publicados em jornais e revistas, depoimentos, textos de terceiros sobre a obra de Rui, incluindo uma resenha de Astrojildo Pereira quando do lançamento de Cangaceiros e fanáticos).

O volume deverá ter em torno de 350 páginas, e a pesquisa de campo, com entrevistas e recolhimento de material e coleta de dados em Beberibe (CE), Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

O jornalista e escritor Rui Facó nasceu em 4 de outubro de 1913, na cidade de Beberibe, no Ceará. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro, além de artigos e reportagens sempre tendo o povo como tema, Cangaceiros e fanáticos é obra póstuma, lançada em 1963, um clássico no assunto. Mas foi em fins de 1958 que escreveu seu primeiro artigo sobre Canudos: "A guerra camponesa de Canudos". Morreu no dia 15 de março de 1963, aos 50 anos, num desastre de avião no Rio de Janeiro. Era viúvo e deixou apenas um filho, Paulo, então estudante de Direito.

Em 1902, em Os sertões, Euclides da Cunha, neto empobrecido de um comerciante de escravos, aprofundaria as teses racistas sobre os fatos de Canudos, enriquecendo-os com critérios deterministas geográficos e climáticos. Por décadas, esses delírios racistas e elitistas foram moeda corrente no Brasil. A seguir, sobretudo com estudos como o de Rui Facó, passaram a ser tidos apenas como registro dos preconceitos da época. Enquanto Euclides da Cunha apresentava os aspectos geográficos e raciais de Canudos, Rui Facó examinou aspectos sociais, sob uma interpretação viva de "esquerda".

Rui Facó é digno representante e defensor do povo brasileiro. Para ele, a mistura das raças constitui um fio único na formação do povo brasileiro, na sua maneira de ser e na perspectiva do futuro.

Informações para Omni Editora Associados Ltda. <df@fortalnet.com.br>

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