Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > ESTADOS UNIDOS

Blair, jeitinho americano

Por lgarcia em 03/07/2002 na edição 179

GRÃ-BRETANHA

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, lançou uma nova estratégia para tentar amenizar a guerra com a imprensa: a partir de agora, vai dar coletivas mensais no conhecido estilo americano. Tradicionalmente, explica T.R. Reid [The Washington Post, 21/6/02], os premiês britânicos concedem entrevistas a portas fechadas a um grupo seleto de repórteres. Mas a relação entre Blair e a mídia está tão delicada ? os jornais o acusam de estar mais interessado em manipular do que em governar ? que ele resolveu mudar, e começou organizando entrevista ao vivo na sede do governo, em Downing Street.

Os 80 repórteres presentes pareceram não gostar da novidade. "Por que você está fazendo isso?", perguntou o correspondente da ITV. "Está tentando seduzir-nos, não está?" Blair zombou: "Não estou tentando seduzi-los. Eu já tenho todos vocês aqui."

Os constantes ataques da imprensa tiveram impacto sobre o eleitorado: em pesquisa recente, apenas 28% dos entrevistados descreveram o governo trabalhista como "honesto e confiável"; no ano anterior, 47% deram a mesma resposta. Para o analista político da BBC, Nick Robertson, o governo vê as entrevistas de imprensa da Casa Branca "e elas parecem bem mais agradáveis do que nossas reuniões a portas fechadas. Os primeiros-ministros sempre tiveram medo de fazer isso porque temem ser acusados de ?presidenciáveis?". Na política britânica, explica Reid, o termo tem sentido de arrogante.

 

ESTADOS UNIDOS

O meio ambiente é, dos assuntos domésticos dos EUA, o que provavelmente causa maior controvérsia em torno do governo de George W. Bush. Como o presidente anuncia geralmente medidas que desagradam aos ambientalistas, a Casa Branca usa uma técnica para despistar os jornais e fazer com que publiquem matérias a seu favor.

O porta-voz de Bush, Ari Fleischer, admitiu que, em determinadas ocasiões, adianta, no fim do dia, o que o presidente dirá no dia seguinte, fazendo com que a imprensa publique o anúncio do governo, mas não tenha tempo de buscar opinião contrária. Foi o que fez a Agência de Proteção Ambiental no dia 3/5, sexta-feira, ao anunciar, às 17h, que permitiria que as mineradoras de carvão jogassem sujeira e restos de rocha nos rios. O Los Angeles Times, The Washington Post e Chicago Tribune fizeram somente pequenas notas. Apenas The New York Times conseguiu produzir um texto de sete parágrafos. Na segunda-feira, o USA Today e os telejornais noturnos ainda não haviam conseguido produzir nada. Em fevereiro, Fleischer passou para a imprensa trechos do discurso que Bush faria sobre aquecimento global. The New York Times, The Washington Post e Chicago Tribune deram em primeira página o que o presidente iria dizer.

Para Fleischer, esse tipo de procedimento evita que as matérias sempre tenham o enfoque “Bush contra os ambientalistas”. Do contrário, “haveria mais chances de as reportagens serem sobre a reação ao anúncio de Bush que sobre os motivos que levaram o presidente a fazê-lo”.

Os defensores do meio ambiente, como reporta Howard Kurtz [The Washington Post, 24/6/02], criticam o método. “Eles sabem muito bem que os ambientalistas estão preparados para reagir ao governo”, disse Robert Perks, porta-voz do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

Não é sempre que o governo americano se sai bem soltando notícias tarde. Em 13/6, Fleischer adiantou que o governo anunciaria no dia seguinte a mudança de regras no controle da poluição de fábricas em expansão. Diversos veículos deram a notícia classificando a medida de “atraso” ou “relaxamento”.

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