Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > PROVÃO

Boicote deve ser para valer

Por lgarcia em 12/06/2002 na edição 176

PROVÃO

Antônio Brasil

Participei de uma reunião na Uerj na quinta-feira [6/6] com os alunos que fariam o Provão e os representantes da Enecos, em sua maioria, vindos da politizada ECO da UFRJ. Fiquei com pena dos meninos. Todos têm as melhores das intenções, mas como estava inspirado e fiz o meu dever de casa, foi um verdadeiro massacre.

Movimento estudantil é coisa séria. Não consigo entender ser contra o Provão, ir ao local da prova e ficar bem comportado durante 90 minutos. Se é para boicotar, boicote e entre na Justiça contra a MEC. Eles ganhariam o diploma facilmente e criariam um impasse. Não consigo ser contra somente o Provão e não ser contra as fábricas de diploma. A Universidade Tabajara é ainda pior do que qualquer avaliação. A maioria das escolas de comunicação do Brasil é caso de polícia. Também não consigo entender que aceitem uma avaliação tão mais injusta como o vestibular e sejam somente contra o Provão.

O vestibular deveria ser único para todo o país e a pontuação deveria indicar a instituição adequada. A nota mínima para entrar numa universidade deveria ser similar à nota mínima para a habilitação para motorista. Não interessa se você está em Manaus ou no Rio de Janeiro, o exame e as condições mínimas têm que ser as mesmas para todo o país. Estudante de jornalismo deveria perceber que a luta é muito maior. Tem que ser contra tudo e mudar a estrutura do poder. Estão empunhando uma bandeira pequena e errada.

Mobilização política não é brincadeira. A Uerj participa do Provão depois de dois anos de boicote. Continuo considerando o Provão muito ruim, principalmente, em relação ao telejornalismo que não deveria sequer ser citado na avaliação (sem computador e sem imagem não existe TJ).

As novas tecnologias e os velhos ideais poderiam beneficiar, e muito, um Provão menos eleitoreiro, apressado e mais eficiente. Mas, por enquanto, é o que temos. Precisamos de um sistema de avaliação que reflita todas as nossas qualidades e defeitos, e não um exame do tipo loteria: se tiver sorte, o aluno passa com A e ganha um carro zero km da sua universidade ? se ela for particular, é claro.

Concordo com alguns pontos apresentados pelos meninos da Enecos: muitas das críticas em relação ao Provão têm fundamento. Infelizmente, estamos num impasse de negociações porque eles não participam dos seminários (ou não são convidados) promovidos pelo Inep. Deveríamos investigar realmente o porquê dessa intransigência que prejudica a todos. Temos também que reconhecer que a turma da Enecos está mobilizada, o que é bom, mas ainda está muito despreparada. Pena! Teriam muito o que aprender com os velhos militantes do movimento estudantil. Mas um dia eles vão perceber que nem todo o professor é inimigo na luta por uma educação pública de qualidade em nosso país. Estão empunhando a bandeira errada mas já conhecem a sua força. Agora é só esperar o momento certo e a bandeira mais adequada.

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