Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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PRIMEIRAS EDIçõES > THE WASHINGTON POST

Bush e o "bacon-cooler"

Por lgarcia em 24/10/2001 na edição 144

THE WASHINGTON POST

Entre os jornalistas americanos, algumas reportagens são apelidadas de "bacon-cooler" (algo como "esfria-bacon"). A alcunha se baseia na imagem de um cidadão comendo seus ovos e bacons no café da manhã e, ao se deparar com um artigo de impacto, pára de comer, deixando o garfo com o bacon suspenso no ar, esfriando.

Bob Woodward, jornalista do Washington Post há cerca de 30 anos, escreveu muitos "bacon-coolers". Desta forma, não é de se estranhar que quando o presidente Bush estrebuchou no começo de outubro por causa do vazamento de informações sigilosas, Woodward estivesse envolvido.

Na opinião do ombudsman Michael Getler [The Washington Post, 14/10/01], o episódio foi mais um exemplo de como o público pode ser levado a descrer na imprensa e vê-la como vilã ou cúmplice, quando o oposto pode ser mais próximo à verdade. O caso também ilustra, segundo Getler, como um governo já enigmático ganha ainda mais espaço para conter informações internas.

Na sexta-feira anterior aos ataques aéreos dos EUA ao Afeganistão, Sue Schmidt e Woodward redigiram, juntos, a reportagem de destaque da capa do Post. Muitos bacons ficaram suspensos no ar quando o leitorado soube que oficiais da inteligência americana disseram a representantes do Congresso que havia uma "grande chance" de outro grande ataque terrorista no futuro próximo e "100% de chance" se os EUA atacassem o Afeganistão. Bush, assim que saiu a reportagem, anunciou suas novas restrições ao Congresso e condenou qualquer tipo de notícia que pudesse colocar as tropas americanas em perigo. Apesar de não fazer menção direta ao Post, estava claro que o jornal catalisou as medidas do presidente.

Para Getler, a reportagem de Sue e Woodward nada tem a ver com colocar as tropas americanas em risco. O que o artigo noticiou, segundo o ombudsman, foram informações que o público tinha o direito de saber ? e os alertas subseqüentes do FBI deixaram isso claro.

    
    
                     

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