Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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Bytes vs. papel

Por lgarcia em 25/07/2001 na edição 131

MÍDIA ELETRÔNICA

Afinal, para que serve o jornal online? Deve ser abrangente o bastante para que as pessoas vivam sem o jornal impresso? Ou deixar apenas um gostinho do que há no papel? Ou, ainda, fornecer mais conteúdo, expandindo o que há no jornal do dia? Na opinião de Roy Greensdale [The Guardian, 16/7/01], ninguém acredita que a versão online deva suplantar o papel porque isso seria contraproducente. Hoje, jornais britânicos vendidos em bancas ou entregues em casa são a única fonte de faturamento.

Aceita-se que o jornal online venha a elevar a categoria de seu pai impresso. A principal tarefa, de acordo com Brigid Callaghan, editora do London Times online, é "distribuir o jornal de diferentes formas". Mas a quem? Ao leitor regular? O leitor em potencial? O leitor do concorrente? O leitor que está em outro país? A resposta, para Greensdale, abrange todas essas opções. Estima-se que metade dos usuários do sítio do Guardian não lê o jornal impresso. Alguns nem chegam a comprar qualquer jornal.

Pete Picton, editor online do britânico Sun, afirma que uma das vantagens de seu jornal é que o sítio o apresenta a pessoas que não são leitores tradicionais do Sun. "Somos uma ferramenta de marketing para o jornal", disse, "então esperamos que pessoas que nos acessam pela internet comprem o Sun." Simon Waldman, diretor de publicação digital do Guardian, também acredita que atrair pessoas ao jornal impresso é uma das principais funções do sítio, embora veja as duas edições como inteiramente complementares, cada uma provendo um serviço diferente.

Sem dúvida, a mentalidade de pessoas dedicadas a conteúdo online mudou, tornando-se mais realista. Realismo, no entanto, não resolveu o maior quebra-cabeça de todos: qual o futuro dos jornais online? Kim Fletcher, diretor editorial de nova mídia do Hollinger Telegraph, admite: "Ainda não temos a menor idéia."

Há poucos dias, a Times Co. anunciou a compra de ações minoritárias da NewsStand Inc., empresa do Texas, EUA, que digitaliza jornais e os distribui pela internet em arquivos de tamanho reduzido para download. A NewsStand foi a responsável pelo lançamento da versão eletrônica do jornal International Herald Tribune três semanas atrás.

A entrega digital a domicílio deve funcionar da seguinte maneira, explica Wayne Robins [Editor & Publisher, 16/7/01]: todos os dias, o leitor fará download do jornal e usará o software da própria empresa, o NewsStand Reader, para abrir o arquivo comprimido. A primeira página aparecerá na tela, e o leitor poderá escolher entre aumentar o tamanho dos textos, clicar para virar a página ou pular para sua seção favorita. A NewsStand também oferece interatividade com anúncios ? basta clicá-los para entrar no sítio do anunciante, ver um vídeo do produto ou mesmo fazer transações online.

Para os jornais, diz Stuart Garner, presidente da NewsStand, há vantagens imediatas em economia de custos, serviço ao cliente e crescimento do faturamento. "A impressão do jornal é o segundo item mais dispendioso (depois do gasto com funcionários)", observa Garner. Os problemas de perda ou dano de exemplares são resolvidos e, principalmente, o de circulação restrita: o custo da entrega muitas vezes não justifica o esforço para distribuir o jornal em regiões mais remotas. "Não podemos atender entre 20 mil e 30 mil pedidos de assinatura devido a limitações geográficas", diz o chefe de circulação do New York Times, Heekin-Canedy.

Se a entrega digital funcionar, será difícil imaginar que os jornais continuem a oferecer conteúdo de graça em seus sítios. De fato, como mostra matéria de David Teather [The Guardian, 18/7/01], a News International, presidida por Rupert Murdoch, começará a cobrar pelo acesso a determinadas seções da versão online do Times e do Sunday Times.

A decisão se deve à queda de faturamento publicitário, o que pressionou a empresa a arranjar novas fontes de rendimento. A News International, que já cobra por serviços dos sítios The-sun.co.uk e Newsoftheworld.co.uk, pretende recolher uma taxa anual de 10 libras dos usuários de palavras cruzadas online. Outras editoras estão seguindo o mesmo caminho. O Financial Times cobra o acesso a seu banco de dados.

EDITOR & PUBLISHER

De acordo com o Editor & Publisher International Year Book de 2001, a indústria americana de jornais atingiu vários marcos neste ano. Os números dizem respeito aos 12 meses que se completaram no primeiro dia de fevereiro. Segundo a Editor & Publisher (17/7/01), o anuário mostra que o número de jornais diurnos aumentou de 737 para 766, enquanto os vespertinos diminuíram de 760 para 727. É a primeira vez, desde que a revista começou a reunir dados em 1919, que os matutinos superam os vespertinos.

O número de diários caiu de 1.483 para 1.480 neste ano. Apenas um jornal, o State Gazette, de Dyesburg, Tennessee, trocou a manhã pela noite, enquanto 28 verpertinos viraram matutinos. Entre os novos jornais da manhã está o Seattle Times, que viu sua circulação crescer após a mudança ? de 218.032 exemplares diários passou a vender 225.222.

"Existe uma tendência à leitura dos matutinos", diz o publisher do Seattle Times, Frank A. Blethen. "As pessoas estão lendo poucos jornais, e escolhem aquele que podem receber primeiro, pela manhã." O anuário também registrou que 14 diários lançaram edições de domingo no ano anterior, aumentando o número de jornais dominicais para 917, o maior já registrado pela E&P. No entanto, a circulação de domingo sofreu queda no mesmo período: de 59.894.381 cópias vendidas para 59.420.999 ? uma diferença de mais de 470 mil.

Dos 10 diários mais vendidos, o Wall Street Journal ocupa o primeiro lugar, com 1.762.751 exemplares, seguido de perto pelo USA Today (1.692.666 cópias). Já a edição dominical de maior circulação é a do New York Times ? 1.682.208 unidades vendidas.

    
    
                     

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