Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > JADER vs. ACM

C.H.C.

Por lgarcia em 21/02/2001 na edição 109

JADER vs. ACM

"Prêmio de jornalismo", copyright Folha de S. Paulo, 14/02/01

"Assim como Deus poupou o sentimento do medo a todos os políticos em exercício neste país, posso dizer que Deus poupou-me o sentimento da inveja. Mesmo assim, volta e meia me surpreendo invejando com todo o fel acumulado, sei lá se no fígado ou na vesícula, como disse o Sarney. Invejo colegas que optaram por um jornalismo mais útil do que o meu.

Cito Gilberto Dimenstein e Márcio Moreira Alves. Ambos militaram no jornalismo político e com sucesso, sendo que Marcito chegou a deputado e foi pretexto para o golpe de 68. Ao contrário aqui do escriba, eles acreditam no homem, no Brasil e na luta por um mundo melhor.

Além deles, há movimentos particulares, sem vinculação com o governo ou com credos religiosos, que também acreditam na capacidade de tornar a humanidade mais solidária.

Convidado por Viviane Senna, fiz parte do corpo de jurados que este ano julgou os prêmios de comunicação criados por ela em nome do Instituto que tem o nome de seu famoso irmão.

Impressionante o número e a qualidade dos textos e imagens que circulam pelo Brasil afora, em veículos na maioria modestos, uma vez que as boas causas parece que não vendem e são amaldiçoadas pela mídia.

Gastou-se tempo, espaço e paciência com o baixíssimo nível da sucessão na presidência do Senado e da Câmara. Na opinião dos editores, o assunto era quentíssimo, saber quem vai dar carro com motoristas para os deputados ou pode impedir uma CPI no Senado.

Vá lá que isso seja importante. Mas, como profissional antigo no ofício, fico envergonhado quando me sinto na obrigação de criticar uma autoridade. E deixo de registrar o bem que diversas formiguinhas fazem pelo ser humano em sua fragilidade, em sua carência."

"É crise ou é fita?", copyright Correio da Cidadania, edição 232

"Reis mortos, reis postos. Aécio Neves da Cunha e Jader Barbalho levaram a melhor na última quarta-feira e passaram a ser os personagens mais importantes do Congresso Nacional. A disputa foi acirrada nas duas Casas – menos na Câmara, mais no Senado. Ao contrário do que alguns analistas previam, os dois candidatos conseguiram a maioria absoluta dos votos.

Muitos dos que acompanham de perto o cotidiano do Congresso Nacional garantem que a eleição deste ano deixou a base aliada com feridas que levarão tempo para cicatrizar. Na verdade, a disputa da semana passada apenas confirma a crise na aliança que elegeu, reelegeu e até hoje dá sustentação ao presidente Fernando Henrique Cardoso.

Situações de crise na elite brasileira são muito comuns. Geralmente não dão em nada, ou melhor, acabam em um novo pacto entre os contendores para manter o status quo e evitar o avanço popular. É bem verdade que algumas vezes os desentendimentos foram de tal ordem que a classe dominante quase colocou tudo a perder. 1989 está aí que não me deixa mentir.

Um bom termômetro da situação política naturalmente são os meios de comunicação. Espelho da elite que é, a imprensa reflete os humores dos poderosos.

Nas últimas semanas, a temperatura subiu em Brasília. Não foi difícil detectar que as coisas não iam bem para o lado da base aliada. Atualmente, sempre que o caldo engrossa naquelas bandas, surge uma fita. Ou várias delas. Guerra é guerra.

Com os avanços da tecnologia e a institucionalização do grampo telefônico, a vida dos modernos jornalistas de mercado ficou mais fácil. Quando a situação aperta, não é mais preciso investigar o ?inimigo?. Basta apertar a tecla play e transcrever, se é que a fita já não é entregue com o seu conteúdo anexado.

Desta vez, saiu no semanário da editora Abril, mas poderia ter aparecido nos dois concorrentes ou nos jornais de grande circulação nacional. Não teria feito a menor diferença. A regra é algum dos órgãos ?furados? responder em seguida com ?revelações inéditas?, quase sempre assopradas pelo lado ofendido. Desta vez não deu tempo.

A fita em questão prejudicava o PMDB, que no fim da festa ?superou? o episódio e conquistou o que pretendia – a presidência do Senado. Interessante notar que a reportagem saiu na semana decisiva, de maneira a impedir que os ?adversários? mobilizassem alguma gravação para a edição seguinte. Na hora certa, portanto.

Jogo sujo à parte, vale a pena anotar que a maior parte dos valentes órgãos de comunicação do país entenderam o recado do presidente da República e já no ?day after? começaram a publicar ?análises? sobre a recomposição da base governista.

Tudo somado, a reconciliação é a pauta da hora. Só para lembrar, Lula continua em primeiro, Ciro é o segundo e, dependendo do levantamento, Itamar é o terceiro nas pesquisas de opinião sobre as eleições de 2002. Não dá para brincar. Não mais."

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