Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > CHINA

Caça ao tabaco

Por lgarcia em 19/06/2002 na edição 177

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Henry Waxman e Richard Durbin, congressistas democratas envolvidos na luta contra o fumo nos EUA, lançaram ofensiva contra a indústria de rapé e tabaco mastigável ao entrarem na Comissão Federal de Comércio (FTC, sigla em inglês) com um pedido de proibição de anúncios que afirmem que estes produtos são opção mais saudável ao cigarro. Alega-se que eles atuam como introdução ao hábito de fumar. Está em jogo a questão de se a indústria tabagista tem o direito de divulgar que há menor risco de doença nas alternativas ao fumo.

Há quatro meses, a UST, maior produtora de rapé e tabaco mastigável dos EUA, pediu à FTC uma declaração de que mastigar ou cheirar “envolve significativamente menos riscos à saúde que fumar”. Waxman e Durbin, bem como diversos grupos de defesa da saúde, acreditam que a comissão não pode oficializar tal idéia, pois dá a impressão de que o governo é de opinião que alguma forma de uso de tabaco seja segura. Outro perigo apontado é de que isso poderia abrir precedente para outros pedidos do tipo pela indústria tabagista. A UST considera a posição de seus opositores infundada, pois eles têm poucas evidências de que os produtos não sejam, de fato, muito menos perigosos que o cigarro.

The New York Times [5/6/02] reporta que os dois democratas atacaram ainda em outra frente: pediram que a UST fosse investigada pela FTC por aumentar sua publicidade em revistas direcionadas para jovens, o que contraria acordo feito em 1998 por 46 estados americanos com a indústria de tabaco.

Por infringir esse mesmo trato, a J. R. Reynolds acaba de ser multada em US$ 25 milhões. “Eles anunciaram em revistas muito populares entre os adolescentes, como Motorcyclist, Hot Rod e Spin“, disse a vice-procuradora geral Karen Leaf em seu discurso de acusação, em maio. O advogado da empresa no caso, Jeh Johnson, afirmou que a decisão do juiz Ronald Prager fere a liberdade de expressão. “Isto é censura”. O acordo de 1998 proíbe propaganda de cigarros voltada para adolescentes. Segundo a AP [6/6/02], a Reynolds alega que o alvo da campanha de US$ 200 milhões da Camel eram adultos jovens.

CHINA

Os congressistas americanos ameaçam deixar Washington caso não seja construído um novo Capitólio, mais luxuoso, para abrigá-los. Essa notícia, que obviamente é uma bobagem, foi publicada como verdadeira no Beijing Evening News, jornal de maior circulação da capital chinesa. “Se quisermos continuar competitivos temos que melhorar. Veja o Parlamento Britânico, o Vaticano. Sem instalações modernas, eles têm tido problemas em atrair os melhores talentos.” Esse depoimento é atribuído ao democrata Richard Gephardt, que garante jamais ter dito algo assim. A matéria afirma que se não fosse providenciado um parlamento com mais banheiros e estacionamento mais espaçoso, os legisladores americanos se mudariam todos para Memphis ou Charlotte, na Carolina do Norte.

Se fosse verdade, seria uma boa pauta. O problema é que ela foi copiada de um tablóide satírico de Nova York, The Onion. A matéria apareceu no jornal ao lado de artigos como “Tensão sexual entre Arafat e Sharon atinge o ápice”. Ao que tudo indica, o redator Huang Ke levou o assunto a sério e copiou o texto da internet.

Apesar de ainda estar sob rígido controle estatal, a mídia chinesa tem passado por transformações. A liberalização fez com que o lucro passasse a contar na gestão dos veículos. A concorrência aumentou e os leitores agora têm maior variedade de escolha, não ficando obrigados a ler somente o diário do Partido Comunista. Assim, vários jornais têm contratado jovens free-lancers para produzir matérias, inclusive internacionais, o que fez surgir uma massa de garotos que capturam artigos na internet e os vendem às redações que, em geral, não se preocupam com a origem.

Henry Chu, do Los Angeles Times [7/6/02], conta que o incidente foi motivo de alegria para o editor-chefe do Onion, Robert Siegel. “Puxa, agora até os jornalistas acreditam em tudo que lêem", ironizou. "Se eu fosse repórter em Pequim e achasse uma matéria dessas, checaria as fontes. Leitores caem nesse tipo de coisa o tempo todo, mas pensava que repórteres seriam mais espertos.”

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