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Caderno da Cidadania

Por Regina Scharf em 20/10/1997 na edição 32

EDITORIA DE ONGs

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* No começo da década, eles eram apenas três. Hoje, dezenas de ouvidores encaram a difícil tarefa de fazer a interface do público – em geral insatisfeito e carente de informação – com empresas, jornais e órgãos do governo. Ou seja: têm a ingrata missão de servir de advogados dos consumidores e cidadãos, apontando erros e arriscando a inimizade de colegas e superiores.

* “Ouvidoria é como divã, todos vão lá reclamar, mesmo que seja de coisas que não têm nenhuma relação com a instituição, porque não têm a quem se dirigir”, filosofa Edson Vismona, secretário-adjunto de Justiça do Estado de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Ouvidores. A entidade já congrega 60 associados, verdadeiros olhos, ouvidos e superegos de supermercados, shopping centers, empresas de seguros, bancos.

* “A instituição das ouvidorias ganhou força com o Código de Defesa do Consumidor, sobretudo nas empresas, mas na administração pública a coisa é bem mais lenta, principalmente se o ouvidor não estiver em sintonia fina com os dirigentes”, diz Vismona. “Se ele não é absorvido pela instituição, fica totalmente sozinho”. Ele conta o caso de um prefeito paulista que não gostou das insistentes críticas do ouvidor do município e começou a sufocá-lo, tirando secretária e telefone, até que finalmente ele aceitou pedir sua própria exoneração.

* Bom ouvidor, para Vismona, que ocupou o cargo na Associação Brasileira da Indústria Eletro-Eletrônica, não pode ter espírito corporativo, tem que promover o padrão de eficiência e ética da instituição, precisa de um bom conhecimento sobre a sua área de atuação e tem que ter uma paciência santa para ouvir de tudo. “Fundamental, mesmo, é saber trocar de papel com o cidadão”. Para fazer isso em paz, ele precisa de muita autonomia, independência e estabilidade no emprego, para não ser posto na rua quando as críticas atingirem gente graúda.

* O governo paulista deverá enviar à Assembléia Legislativa, nas próximas semanas, um anteprojeto de Código de Defesa do Usuário dos Serviços Públicos. Se aprovado, ele estabelecerá, entre outras coisas, que todos os órgãos estaduais terão seu próprio ouvidor. Para eles, trabalho não vai faltar.

Associação Brasileira de Ouvidores

(*) Repórter da Gazeta Mercantil, editora de ONGs do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

rescharf@uol.com.br

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