Terça-feira, 23 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Cala-se a última voz independente

Por lgarcia em 16/01/2002 na edição 155

RÚSSIA

Na sexta-feira, dia 11/1, a Suprema Corte da Rússia ordenou o fechamento da TV-6, a única emissora fora do controle estatal, graças a ação de falência movida por um acionista minoritário da companhia, o fundo de pensão da Lukoil. A gigante petrolífera russa pedia a liquidação do canal alegando que suas dívidas eram maiores que seus bens.

Argumentando ser lucrativa, a TV-6 ganhou, em 29/12, recurso suspendendo a ordem de liquidação, mas antes que pudesse ter nova audiência a Lukoil apresentou queixa à Suprema Corte, que decidiu em seu favor. Sarah Karush [Associated Press, 11/1/02] conta que a estação não pode recorrer do veredicto no país, mas considera levar o caso a uma corte internacional.

Para o advogado da emissora, o tribunal foi aparentemente pressionado a decidir rapidamente a questão – já que havia na frente outros casos aguardando julgamento – para poder se valer da lei antiga que rege casos de falência; nova lei, que começa a vigorar este ano, proíbe acionista minoritário de pedir liquidação de companhias.

O caso despertou preocupação com a liberdade de imprensa na Rússia. Na quarta-feira, o porta-voz do Departamento de Estado americano declarou que o governo havia pedido às autoridades russas "que assegurassem um julgamento justo e completo à TV-6". O principal acionista da rede independente, o magnata Boris Berezovsky, é um ex-aliado do Kremlin, que já deteve 49% das ações da TV estatal ORT antes de perder o favoritismo com a ascensão de Vladimir Putin e fugir do país para escapar de acusações de corrupção.

CHINA

A recente aquisição de grupos midiáticos de Taiwan pela companhia Tom.com, de Hong Kong, preocupa líderes e jornalistas locais. Após comprar o PC Home Publication Group, a Cite Publishing e a Sharp Point Publishing, a empresa arrematou, em dezembro, a editora da popular revista semanal Business Weekly. Com esse poder de fogo em mãos, teme-se que a China passe a influenciar a mídia e a opinião pública do país.

Tsai Ting-I [The Taipei Times, 7/1/02] conta que o Ministério da Informação investigou a empresa para se certificar de que a influência chinesa seja limitada. "Temos que abrir nosso mercado ao capital estrangeiro porque é nossa responsabilidade perante a Organização Mundial do Comércio", esclarece o diretor-geral Su Tzen-ping. "Mas sob o estatuto que rege as relações entre Taiwan e a China continental, também temos o direito de limitar o investimento chinês em companhias nacionais a 20%."

A Tom.com controla mais de 40 revistas e 10 mil títulos de livros no país. Kao Tien-sheng, editor administrativo do New Taiwan Weekly, preocupa-se com os efeitos da injeção de capital estrangeiro: "A China se esforçou muito para entrar no mercado midiático de Taiwan. Mas ela espera que estes investimentos tenham retorno mais político do que econômico."

Problemas em casa

Jornais estatais chineses criticaram autoridades da província de Jiangxi por dificultar a cobertura das explosões numa fábrica de fogos de artifício, em 30 de dezembro, que deixou vários mortos. O China Youth Daily publicou matéria detalhando como seus repórteres foram impedidos por policiais e promotores públicos de entrevistar moradores locais e vítimas no hospital.

Outro veículo oficial, Huashang Daily, questionou a conclusão da investigação de que as explosões foram "simplesmente um acidente", causado pela imperícia de uma trabalhadora. Parentes e especialistas entrevistados consideram a suspeita improvável, e o diário revela que a fábrica armazenava mais de 30 toneladas de fogos de artifício, uma séria violação da lei.

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