Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº955

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Camarote 3 x 0 Apuração

Por lgarcia em 20/07/1998 na edição 49

COPA: O FIM DA FARRA

Marinilda Carvalho

 

E

m minha humilde opinião, o pior da Copa para o Brasil não foi a derrota, mas a omissão.

E o pior da omissão não foi a deprimente ausência da Seleção em campo no joguinho contra a França (bem, todos concordamos, vive la France e seu time de muitas raças – “Le Pen que Zidane”, como disse minha amiga Eliane Bardanachivili -, mas pelamordedeus, dois gols de escanteio???!!! Nem meu Fluminense, que está na Segundona!!! Fastio? A camisa amarela não é mais aquela? Erros de montão da comissão técnica? Quem sabe? Melhor clicar em todas as questões anteriores).

O pior mesmo, o pior dos piores da Copa, foi a ausência da imprensa brasileira no episódio Ronaldinho.

Nossa imprensa tetracampeã está tão acostumada a cobrir a Copa de camarote que todo mundo falhou na primeira chance de verdadeiramente apurar um fato vital no Mundial de futebol. A poucos minutos do jogo, os repórteres dos outros países corriam como loucos às cabines das rádios e das TVs brasileiras para perguntar por que Edmundo estava escalado no lugar de Ronaldinho – e ninguém sabia a resposta.

Nossos românticos poetas da Copa, nossos grandes narradores de jogos, nossos espertos comentaristas, nossos intrépidos repórteres de campo, alguns com 16 Mundiais na bagagem – todos levaram bola nas costas à pergunta histérica dos colegas estrangeiros: “Isso é verdade?”

Não sabíamos. Porque não tínhamos a informação.

As sumidades da Copa nem sequer leram a escalação do time liberada pela Fifa. Felizmente, alguém da TV Manchete deitou um olhar curioso ao burocrático papelzinho oficial, e viu lá o nome de Edmundo. E aí começou um patético carnaval de adivinhações.

Ronaldinho pediu para jogar, poucas horas depois de “sobreviver” a uma crise de pânico? Ricardo Teixeira impôs a escalação dele? Ou foi a Nike que exigiu o sacrifício do garoto? Dunga ficou apático na pelada porque no vestiário perdeu a votação que decidiu que Ronaldinho jogaria?

Ninguém sabia rigorosamente nada. Cobertura de camarote.

Zagallo, claro, em nada contribuiu para esclarecer o mistério: deu uma de fronteiriço – que me perdoem os fronteiriços por essa comparação pobre – diante da óbvia pergunta do repórter de O Dia Mauro Leão, desinformado como todos, mas pelo menos interessado em desvendar o tal mistério: “Por que Ronaldinho entrou?”, quis ele saber. Mas transparência com Zagallo, como se sabe, só nos treinos bem abertos dos “pentacampeões”, que o mundo inteiro podia ver ao vivo, especialmente Johansson, Hiddink e Jacquet (parece que só o técnico chileno não prestou atenção).

Resumindo: a maior notícia de todas as Copas desde que eu me entendo por gente ficou trancada na defesa daquele feioso château em Lésigny.

Como diria o Saldanha, meus amigos, que vexame!!!!

 


Cláudio Gunk (*)

 

Lamentável a atuação da TV Globo na Copa do Mundo. Deslocou um batalhão de profissionais, que poderiam ter feito uma cobertura competente e informativa, para uma missão indigna: aproveitar-se da situação e, em momento algum, desenvolver uma cobertura realmente jornalística. O fracasso na final e o “caso Ronaldinho” representaram apenas o último vexame. Enquanto algumas equipes de jornais, TVs e rádios questionavam o óbvio – importante assinalar, sem virulência -, a TV Globo mantinha seu papel de assessora de imprensa da Seleção Brasileira, limitando-se a divulgar as explicações (pouco convincentes) da comissão técnica e dos jogadores. Não houve um repórter, na imensa equipe global, para fazer a pergunta lógica, inevitável: “Por que Ronaldinho foi escalado na final, sem condições?” Somente depois de a questão ser levantada por outros, entrou em campo o “timaço da Globo”. Estranhamente compreensiva, nunca pressionou Zagallo, Lídio Toledo, Ronaldinho, Roberto Carlos… Não se tratava de fazer campanha contra a Seleção devido ao “insuficiente” vice-campeonato. Esteve sim em jogo o espírito do jornalismo, que em tal ocasião deveria inquirir com imparcialidade e não pôr panos quentes, lembrando a história de Zagallo, a campanha até a final, os méritos da França ou o espírito esportivo. A TV Globo, à parte da inegável competência criativa e técnica de seus profissionais, esqueceu-se por completo desse espírito. Literalmente, acompanhou a Seleção, em vez de investigá-la, retratá-la criticamente. Os “furos” restringiam-se ao almoço do Ronaldinho, ao passeio do Bebeto, à contusão do Júnior Baiano. Nada que um bom assessor de imprensa não fosse capaz de fazer. Sem o requinte, a empolgação e o espetáculo proporcionados pela Globo, é claro. E talvez seja isso o que interessa.

(*) jornalista49@hotmail.com

 


 

T

erminou a Farra da Copa, o Brasil perdeu e ficamos sem saber o que aconteceu. Por que Ronaldinho mesmo sem condições jogou, por que a Seleção jogou tão desmotivada? O que aconteceu realmente no vestiário? Alguém não teria obrigado, talvez os patrocinadores, a entrada de Ronaldinho em campo? É um assunto para a verdadeira imprensa investigar. (Nota: mensagem recebida em 13/7/98.)

Emerson Tinoco

 

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