Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > POLÍTICA & CULTURA

Carlos de Oliveira

Por lgarcia em 26/08/2003 na edição 239

CASO PIMENTA NEVES

"Pimenta Neves ganha mais tempo na Justiça", copyright Máquina da Notícia, 25/08/03

"O desembargador Haroldo Luz, da 6? Camara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ), decidiu ontem (21/08/2003) converter em diligência o julgamento de recurso impetrado pela advogada de defesa do jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves, que quer evitar a sentença de pronúncia e a ida de seu cliente a julgamento popular. Para Luz, os autos devem retornar à 1? Vara Criminal de Ibiúna (SP), para que o jornalista, réu confesso no assassinato da jornalista Sandra Gomide, ocorrido no dia 20 de agosto de 2000, seja novamente interrogado. Essa decisão, contudo, não será tomada de imediato, uma vez que o desembargador Ribeiro do Santos, um dos três que apreciariam o recurso, pediu tempo para analisar o caso. O julgamento do recurso foi, então, remarcado para o dia 28/08.

Em junho do ano passado, a juíza Eduarda Maria Romeiro Correia, da 1? Vara Criminal de Ibiúna, decidiu levar Pimenta Neves a júri popular. Para ela, ficou caracterizado que o jornalista impossibilitou qualquer defesa da vítima. Pimenta foi denunciado por homicídio duplamente qualificado (sem dar chance de defesa à vítima e por motivo fútil).

A defesa recorreu dessa decisão e quer que o réu confesso seja julgado por homicídio simples, o que reduziria sua pena.

O jornalista ficou sete meses preso. Ele está em liberdade desde março de 2001 após uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Para o advogado criminalista Luiz Fernando Pacheco, do escritório Ráo, Cavalcanti & Pacheco, assistente do Ministério Publico contratado pela família de Sandra Gomide, ?a acusação só tem a lamentar a cristalização da impunidade de Pimenta Neves por meio de expedientes utilizados pela defesa?. Para Pacheco, ?a Justiça já é naturalmente lenta e a defesa se vale desse recurso protelatório até pelo fato de seu cliente estar em liberdade?."

 

POLÍTICA & CULTURA

"O suculento filão cultura-política", copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 19/08/03

"A conjunção cultura-política, sempre interessante, continua no topo da minha lista de prioridades e curiosidades esta semana.

Há não muito tempo uma estudante de jornalismo me entrevistou, via e-mail, sobre o estado de coisas no setor cultural da imprensa. A maior parte de suas (muito boas, por sinal) perguntas focalizava a vertiginosa queda de prestígio, importância e relevância do métier (num ?bate papo? virtual, antes da entrevista, ela me havia confessado que tinha pensado em seguir a especialização em cultura, mas estava em vias de desistir, diante do consenso de colegas e professores de que se tratava de ?perfumaria sem valor?, de ?reputação duvidosa?).

Não me ocorreu isto na época, mas, hoje, eu teria dito à moça que a extrema relutância em abraçar os óbvios aspectos políticos da cultura – e, por simetria, os culturais da política – estão no coração dessa despencada. Não se trata de proselitismo – vício tão nocivo quanto esta poção turva de narcisismo e trivialidade que nos assola – mas da capacidade de perceber, seguir e analisar as encruzilhadas onde estas duas forças se tocam. O que é quase sempre.

Duas belas bolas na rede, recentemente, me lembraram do quanto o filão é suculento. Em matéria de capa do Caderno B do JB, Ely Azeredo discorreu sobre a candidatura Schwarzenegger e as implicações políticas de Hollywood. Não concordo com Ely – não vejo Hollywood como ?de direita?, nem ?de? coisa alguma, mas uma força política em si mesma; e Michael Moore tem tanto a ver com Hollywood quanto focinho de porco com tomada – mas o simples fato do tema ter sido levantado, e de alguém com autoridade e conhecimento se pronunciar a respeito, já é um tremendo salto à frente .

No Estadão, enquanto isso, uma acertadíssima suíte de matérias construía um panorama dos hábitos de consumo de cinema do brasileiro, e a notável dicotomia social de suas opções: classe média nos multiplexes, classe trabalhadora nas locadoras de vídeo. É um excelente começo para uma proveitosa investigação onde cultura, economia e política se abraçam.

Guardei as matérias com carinho. Uma das coisas mais difíceis de explicar para profissionais estrangeiros de cinema é, exatamente, quem é o público brasileiro, quais seus padrões e preferências de consumo. Ouvi uma vez de um executivo americano (que tem toda simpatia pelo cinema em língua estrangeira) a seguinte indagação perplexa: ?Mas como é possível que no Brasil se faça cinema sem que se saiba quem vai vê-lo??.

As implicações dessa pergunta são tão vastas, profundas, atuais e óbvias que poderiam alimentar várias pautas por um bom tempo – algumas delas com aquele tempero que os editores tanto amam, a tal da ?polêmica?. E sem precisar recorrer ao gluteus maximus! Nem de Christina Aguilera, nem de Jennifer Lopez, nem de Gerald Thomas!"

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