Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Carlos Franco

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

DOSSIÊ CREDIBILIDADE

"O jornal é o meio de comunicação de maior credibilidade em relação aos demais; a maioria de seus leitores é composto por homens, com mais de 40 anos; e de um total 12 milhões de leitores nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Recife, 3,9 milhões (37%) lêem diariamente os jornais, que têm cobertura de 79% dessas cidades.

Os resultados são de pesquisa realizada com 1.605 entrevistados, entre dos dias 18 e 20 de julho, e foram apresentados ontem na abertura do 3.? Congresso Brasileiro de Jornais e 1.? Fórum de Editores, promovidos pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) no Rio, que se encerra hoje com debates sobre o futuro desse meio de comunicação e as inovações tecnológicas.

Para o presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto, a credibilidade de que os jornais gozam na sociedade está relacionada a investimentos que estão sendo feito no setor, que vão desde o aprimoramento gráfico, aos meios que permitem a maior velocidade na transmissão da informação e a especialização dos profissionais das redações.

Francisco Mesquita Neto observou, ainda, que assim como venceu do desafio do rádio e da televisão, no passado, o jornal sobreviveu à Internet, encontrando nesse novo meio um aliado. Portanto, está se preparando, nesse momento, para atuar também com novas tecnologias, garantindo o seu espaço entre os meio de comunicação, com o reconhecimento de sua importância pela sociedade.

Ao apresentar os dados da pesquisa, o diretor-geral do Instituto DataFolha, ao qual a ANJ a encomendou, Mauro Francisco Paulino, destacou os dados indicando que, quando o entrevistado assinala, apenas uma resposta entre os diversos meios de comunicação e os instrumentos de representação da sociedade, o jornal aparece em 2.? lugar com 15% das preferências, atrás apenas da Igreja Católica, com 30% das preferências. Mas à frente das Igrejas Protestantes (11%), emissoras de televisão (11%), emissoras de rádio (5%), Internet (5%), Judiciário (4%), Governo Federal (3%), revistas (3%), clubes de futebol (2%), Congresso Nacional (1%) e partidos políticos (0%).

Quando o entrevistado tem o direito da múltiplica escolha – na realidade três opções, respondendo à mesma pergunta em quem confia mais, os jornais lideram com 45% das preferências, seguidos da Igreja Católica (41%) e das emissoras de televisão (38%), os partidos políticos antes com zero chegam a 2%, continuam na traseira em relação aos demais veículos e instituições de representação da sociedade.

O diretor-geral do Datafolha também alertou para um dado curioso, enquanto 35% dos entrevistados costumam se informar mais pela TV aberta, aquela que é sinal chega aos lares gratuitamente. O jornal, neste caso, aparece em segundo (28%), seguido de rádio (20%), TV por assinatura e Internet (6% cada meio) e revistas (4%), quando a pergunta permite apenas uma resposta. Quando se trata de múltipla escolha, a TV aberta continua liderando (70%) e o jornal embata em 68% com o rádio.

Pela pesquisa, a credibilidade dos jornais está vinculada exatamente aos investimentos, ressaltados por Francisco Mesquita Neto, uma vez que os pesquisados apontam a agilidade e a seriedade no trato da informação como trunfos dos veículos.

Só que os leitores também reclamam. Acreditam, de acordo com a pesquisa, que têm notícias ruins demais, em especial excessivas quando se tratam de assuntos econômicos e políticos. O que pode ser medido pela preferência dos leitores, pois metade alega não buscar assunto específico e entre os que buscam o esporte aparece em primeiro lugar com 11% das preferências seguido de classificados (7%), política (7%), economia (5%), polícia (4%) e manchetes (3%). Paulino garante, porém, que pesquisas não podem ser levadas à risca em tomadas de decisão. Ele ressaltou que se os jornais ficarem entupidos de notícias de esporte, certamente leitores vão reclamar do excesso como reclamam hoje das notícias de economia e política."

***

"O escritor Paulo Coelho, principal estrela do painel ?O Homem, a Informação e o Desconhecido?, do 3.? Congresso Brasileiro de Jornais e do 1.? Fórum de Editores, promovidos pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ), afirmou que os jornais deveriam deixar de lado o trágico, indo ao encontro da felicidade e da espiritualidade.

Recorrendo a uma parábola, Coelho afirmou que o homem precisa ter mais de agricultura e menos de caça, referindo-se às tribos ancestrais, onde o homem buscava a caça, enquanto a mulher contemplava o ambiente e percebia as mutações da natureza. Por isso, todos os símbolos da agricultura são femininos, e a contemplação indica também essa busca de espiritualidade, ressaltou.

A apresentação de Coelho, num auditório lotado, não ficou restrita à parábola. Ele fez perguntas, que classificou de provocações, aos participantes do debate, o editorialista do Jornal da Tarde José Nêumanne Pinto, o gerente de Comunicação da Petrobrás, Carlos Pinto, e o ex-governador do Distrito Federal e professor da Universidade de Brasília (UnB), Cristovam Buarque.

O escritor fez o que mais gosta: causar polêmica. E garantiu: não é candidato à Academia Brasileira de Letras."

    
    
                     

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