Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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PRIMEIRAS EDIçõES > REESTRUTURAÇÃO NA ABRIL

Carlos Franco

Por lgarcia em 10/10/2001 na edição 142

REESTRUTURAÇÃO NA ABRIL

"Reestruturação da Abril pode incluir saída do UOL", copyright O Estado de S. Paulo, 6/10/01

"O grupo Abril, uma das maiores editoras da América Latina, com receita líquida de R$ 1,8 bilhão no ano passado, está passando por uma reestruturação que poderá implicar inclusive a venda de participação no provedor UOL para a Portugal Telecom, a controladora da Telesp Celular, segundo informou ontem a agência de notícias Reuters.

A Portugal Telecom, que já detém 18% do UOL, desde que transferiu para o provedor as atividades do site que controlava, o Zip.Net, ampliaria, segundo essas informações, a sua participação para 27%, mesmo porcentual que ainda ficaria em poder da Abril, com o controle permanecendo em poder do Grupo Folha, detentor de 36%. Os outros 10% pertencem a sócios minoritários, a exemplo de fundos do Morgan Stanley e Credit Suisse First Boston.

A Abril não desmentiu as informações da Reuters. ?A gente está sim em conversas com a Portugal Telecom?, disse a diretora de relações corporativas da Abril, Cleide Castellan, acrescentando, em entrevista à agência internacional de informação, que não poderia confirmar se as negociações envolviam o UOL.

O presidente da Portugal Telecom, Francisco Murteira Nabo, confirmou na terça-feira, em visita ao Brasil, que um dos assuntos que o trazia, nas reuniões mantidas com o Grupo Abril, era a busca de uma solução para a situação do UOl, que pudesse compatilizar os interesses das duas empresas.

A reestruturação da Abril não se limita, porém, ao segmento de Internet. Na última quinta-feira, a empresa anunciou o desligamento de seu presidente executivo, Ophir Toledo, cargo que passou a ser ocupado interinamente pelo controlador Roberto Civita.

Além disso, relatório da consultoria Booz Allen, encomendado pela empresa, recomendou o corte de títulos deficitários no portfólio, como a Revista da Web! e Horóscopo, bem como a suspensão dos investimentos na empresa de televisão a cabo do grupo, a TVA. Números do setor mostram um crescimento de modestos 1% na quantidade de assinantes de TV a cabo no Brasil no segundo trimestre do ano, num total de quase 3,6 milhões de usuários.

?A gente está em busca de parceiros da TVA, por que é uma operação cara. Essa situação da TVA é a situação da TV por assinatura no Brasil. Não é questão de parar de investir, mas de obter parceiros para investir o quanto gostaríamos?, disse Castellan à agência Reuters."

 

"Abril pode vender parte do UOL para Portugal Telecom", copyright Reuters Brasil, 6/10/01

"O Grupo Abril, uma das maiores editoras da América Latina, passa por uma revolução silenciosa, que pode até incluir a venda de parte de sua participação no provedor UOL para a Portugal Telecom, disseram fontes ligadas à empresa.

A companhia estaria implantando uma série de ações para levantar capital, saldar dívidas e investir nas revistas rentáveis da casa.

O grupo Abril, que teve receita líquida de 1,839 bilhão de reais em 2000, estaria disposto a vender uma fatia do UOL para a Portugal Telecom, que já é acionista do provedor, com quase 18 por cento das ações.

Essa manobra faria com que Abril e Portugal Telecom tivessem a mesma parcela no UOL, algo próximo aos 27 por cento, deixando o Grupo Folha como principal acionista, com cerca de 36 por cento. Outros 10 por cento do UOL continuariam diluídos entre outros sócios, como Morgan Stanley e Credit Suisse First Boston.

?A gente está sim em conversas com a Portugal Telecom?, disse em entrevista à Reuters nesta sexta-feira a diretora de relações corporativas da Abril, Cleide Castellan, acrescentando que não poderia confirmar se as negociações envolviam o UOL.

Além de receber em dólar, algo importante frente à acentuada desvalorização do real, a Abril estaria motivada a se desfazer de parte do UOL também por estar frustrada com seus negócios de Internet, já que ainda não conseguiu ganhar dinheiro com suas operações online, de acordo com fontes da empresa.

No ano passado, a Abril iniciou sua primeira incursão ponto.com independente de sua estrutura operacional e fora do UOL, ao criar a empresa de Internet Idealyze, especializada na criação de portais verticais. A Portugal Telecom, por meio de sua subsidiária PT Multimédia adquiriu 33 por cento da Idealyze em dezembro passado, ao preço de 29,3 milhões de reais, o equivalente a 15 milhões de dólares na época.

Mas a Idealyze não cumpriu com as expectativas da empresa e seus dois portais, o TCINet (de tecnologia) e o Paralela (voltado ao público feminino), foram incorporados pela Abril.

Em visita ao Brasil nesta semana, o presidente da Portugal Telecom, Francisco Murteira Nabo, se reuniu com representantes do grupo Abril. Sem dar muitos detalhes, Nabo limitou-se a dizer em entrevista à imprensa que sua companhia busca ?uma situação de compatibilização com o UOL?.

Alguns meses antes, a Abril, por seu lado, já dava sinais de que não estava plenamente satisfeita na aliança com o UOL, quando a editora anunciou que pretende suspender a exclusividade de seu conteúdo editorial aos assinantes pagos do provedor.

MENOS REVISTAS E VENDA DA GRÁFICA

Outras ações estratégicas da editora incluem a descontinuação de publicações deficitárias –caso da Revista da Web! e Horóscopo, que acabam de encerrar atividades–, a suspensão dos investimentos na empresa de televisão a cabo do grupo TVA e a venda do parque gráfico da editora em São Paulo, o maior da América Latina com 52.500 metros quadrados.

Na quinta-feira, a Abril anunciou que Ophir Toledo, seu presidente-executivo, estava deixando o cargo à pedido do chairman da editora, Roberto Civita. Em comunicado à imprensa, a Abril esclareceu que ?Ophir voltará a integrar o Conselho Consultivo da Abril, e concluirá negociações que vinha conduzindo pessoalmente em nome da Abril?.

No caso da gráfica, o grupo estaria seguindo o modelo de todas as grandes editoras do mundo, que terceirizam as atividades gráficas para reduzir custos e manter o foco no negócio de conteúdo.

Na TVA, além da suspender dos investimentos, segundo as fontes, a Abril procura parceiros para continuar o negócio.

O grupo de comunicações, assim como no caso da Internet, estaria decepcionado com os negócios de TV a cabo, após dois anos de maciços investimentos e com o número de assinantes deste tipo de serviço no país estagnado, de acordo com dados da Associação Brasileira de TV por Assinatura (Abta).

Números da Abta mostram um crescimento de apenas 1 por cento na quantidade de assinantes de TV a cabo no Brasil no segundo trimestre do ano, num total de quase 3,6 milhões de usuários.

?A gente está em busca de parceiros da TVA, por que é uma operação cara. Essa situação da TVA é a situação da TV por assinatura no Brasil. Não é questão de parar de investir, mas de obter parceiros para investir o quanto gostaríamos?, disse Castellan."

    
    
                     
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